sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

The Real Threat to Democracy Isn’t Partisan Voters — It’s Partisan Medi

Americans are constantly warned that polarization is tearing the country apart. We’re told the problem is angry voters, radical activists, or social media echo chambers. But that diagnosis misses the disease. The most corrosive force in modern politics isn’t the public — it’s a media ecosystem that has traded skepticism for allegiance and clarity for clicks.
Media bias is no longer a subtle tilt. It’s a business model.
Across the political spectrum, major outlets increasingly treat politics not as a civic responsibility but as an entertainment product. Stories are framed not to inform, but to confirm. Facts are filtered through ideological lenses before they ever reach the audience. Context becomes optional; outrage is mandatory.

This isn’t about a single network or ideology. Conservative media often acts as a defense attorney, reflexively dismissing scandals as “hoaxes” while amplifying culture-war distractions. Liberal media, meanwhile, frequently plays prosecutor, framing every political disagreement as a moral emergency and every opponent as an existential threat. Each side insists it alone speaks truth — and both accuse the other of brainwashing the public.
The result is a country consuming entirely different realities.
Consider how the same event is covered by different outlets. One side leads with motives, the other with outcomes. One highlights systemic injustice, the other individual responsibility. One uses loaded language to signal virtue; the other to signal defiance. Facts may overlap, but meaning does not. Journalism becomes narrative maintenance.

This matters because trust is the currency of democracy. When people believe the media is manipulating rather than informing them, they stop listening — or worse, they retreat into sources that tell them only what they want to hear. Skepticism turns into cynicism. Cynicism turns into disengagement. And disengagement creates fertile ground for demagogues who promise “truth” while offering only loyalty.
Defenders of partisan media argue that “objectivity is a myth.” They’re half right — no human being is perfectly neutral. But that insight has been weaponized to excuse intellectual laziness. Rejecting objectivity does not require rejecting fairness, proportionality, or good faith. Yet too often, those principles are the first casualties of the daily news cycle.
What’s lost is not just balance, but humility. A healthy press questions its own assumptions. Today’s media rewards certainty, speed, and moral theater. Corrections are buried. Nuance is treated as weakness. Journalists who break from the dominant narrative on their side risk professional exile, not praise.

And so the feedback loop tightens: audiences reward outrage, outlets deliver more of it, and politicians learn to perform for the cameras rather than govern. Politics becomes a content strategy.
The tragedy is that the public is more perceptive than the media gives it credit for. People notice selective coverage. They see stories quietly dropped when they complicate a preferred narrative. They feel talked down to, not informed. Every act of spin chips away at credibility — and credibility, once lost, is almost impossible to recover.

A free press is essential to democracy. A partisan press that mistakes activism for accountability is not.
The solution isn’t some fantasy of perfectly neutral media. It’s a recommitment to intellectual honesty: separating reporting from opinion, treating opponents as citizens rather than villains, and remembering that journalism’s role is not to win arguments, but to illuminate reality — even when it’s inconvenient.
Until that happens, we’ll keep blaming voters for a polarization the media itself helps manufacture. And we’ll keep wondering why trust in institutions keeps collapsing, even as the headlines grow louder.

sábado, 31 de janeiro de 2026

O “rato que ruge” e a cegueira confortável do regime

o CHEGA não é um acidente táctico, mas um sintoma político durável

A tese de que o CHEGA poderá acabar na lista dos partidos que rugiram alto e morreram cedo, desde que o PSD descubra talento e capacidade de resistência — tem uma virtude: tranquiliza o sistema. Tem também um defeito fatal: parte de um diagnóstico errado.
O CHEGA não nasceu de um défice de talento social-democrata, nem de um azar conjuntural. Nasceu da falência política prolongada de um regime gerido alternadamente por PS e PSD, incapaz de responder a problemas reais e viciado numa cultura de bloqueio, moralismo e auto-preservação.
Tratá-lo como um “rato que ruge” é discutir o barulho do alarme e ignorar o incêndio.
Há que desmontar a narrativa histérica do “perigo democrático”. A democracia portuguesa não está em risco, o sistema constitucional europeu funciona e as eleições continuam a ser o centro da legitimidade política. Dizer o contrário é falso, desonesto e intelectualmente indigente.
Se a democracia não está ameaçada, então o voto no CHEGA não é uma patologia nem um desvio moral. É uma escolha política consciente, feita dentro das regras, contra quem governou e falhou.

Agora apareceu um novo truque do sistema: substituir o confronto político pela selecção do candidato “mais presidenciável”, “mais educado”, “mais aceitável”. Não é política. É exclusão.
Ao reduzir a escolha democrática a um concurso de boas-maneiras, o regime confirma exactamente a acusação central do "venturismo": existe uma elite que decide à partida quem pode ser escolhido e quem deve ser interditado.

O CHEGA não é um partido fora do sistema, nem um sobressalto passageiro. Joga dentro das regras, usa eleições e parlamento, e representa uma fractura eleitoral real. Não é um corpo estranho: é um espelho incómodo.

Agulhadas finais
O CHEGA não é o “rato que ruge”; é o resultado lógico de décadas de governação incompetente mascarada de virtude.
Quem chama “perigo democrático” a votos legítimos revela medo do eleitor e desprezo pela democracia.
O regime não falha por falta de talento: falha por excesso de auto-complacência.
Esperar que o CHEGA desapareça por cansaço não é análise — é auto-consolo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Entre o TOC e o Paranoide...

Quando o jornalismo finge ensinar a Constituição para esconder a política
Há textos que não são erros de análise; são opções conscientes. O artigo paranoide de Paulo Ferreira (https://observador.pt/opiniao/os-poderes-limitados-e-o-candidato-4-em-1/) sobre a campanha presidencial pertence claramente à segunda categoria. Não procura esclarecer os limites do cargo de Presidente da República — procura condicionar o voto, deslegitimando um candidato e absolvendo outro, sob a capa de um constitucionalismo selectivo e paternalista.
O ponto de partida é conhecido e repetido até à exaustão: o Presidente “não governa”, não define políticas públicas, não executa, não manda prender, não legisla. Tudo isto é formalmente verdadeiro — e politicamente enganador. Porque a Constituição não é apenas um catálogo de proibições funcionais; é também um sistema de tensões, influências, bloqueios, enquadramentos e confrontos institucionais. Fingir o contrário é ou ignorância grave ou má-fé deliberada.
O mesmo jornalismo que agora se mostra subitamente cioso da separação de poderes passou anos a celebrar um Presidente hiper-activo, omnipresente, interventivo e moralizador. Marcelo Rebelo de Sousa foi elevado a comentador-mor da nação, a gestor de afectos e a regulador simbólico de políticas públicas — sem que isso incomodasse minimamente os guardiões ocasionais da ortodoxia constitucional. Quando Marcelo prometeu “erradicar” problemas sociais sem meios próprios para o fazer, isso não foi denunciado como demagogia estrutural; foi tratado como virtude empática.

O critério muda apenas quando muda o candidato?
Perante isso, António José Seguro surge como o aluno aplicado do regime: pouco diz, pouco
promete, pouco incomoda. A sua modéstia programática é apresentada como virtude democrática; o seu vazio político, como maturidade institucional. O veto político é tratado como gesto audaz — embora imediatamente neutralizado pelo próprio articulista, que faz questão de lembrar que o Parlamento o pode reverter. Um Presidente reduzido à irrelevância é vendido como ideal republicano.
André Ventura é descrito como um impostor constitucional: alguém que ousa falar de reformas, de bloqueios, de impasses estruturais, de conflitos reais entre poderes. Não interessa saber se as propostas são viáveis, desejáveis ou exequíveis. Basta declará-las “fora do perímetro” para as desqualificar moralmente — e, por arrasto, desqualificar os eleitores que nelas reconhecem um protesto legítimo contra um sistema fechado.

É aqui que o texto do Paulo Ferreira deixa definitivamente o campo da análise e entra no da propaganda. Ao insistir que só candidatos que se auto-limitam ao silêncio funcional são democráticos, o articulista transforma a eleição presidencial num exercício de resignação cívica. Votar passa a ser um acto decorativo, desde que obediente. A democracia reduz-se a um ritual sem escolha real.
Não admira que os debates se tenham perdido em discussões estéreis sobre “poderes que o Presidente não tem”. Isso não é culpa dos eleitores — é culpa de jornalistas que confundem explicação com catequese, e informação com correcção ideológica. Fica mais uma certeza destas eleições: temos os piores jornalistas do mundo, e a grande derrotada é a Comunicação Social.
O mais irónico é que, ao tentar infantilizar o eleitorado, este tipo de texto acaba por produzir o efeito contrário. Expõe o desespero de um regime de centrão caduco, obriga os acomodados a sair das suas tocas, e torna explícita a natureza profundamente política de um jornalismo que se apresenta como neutro.
Não, o Presidente da República não governa sozinho. Mas também não é a “rainha de Inglaterra” que certos jornalistas gostariam de eleger. Entre a farsa pedagógica e o moralismo selectivo, há uma coisa que este texto revela com clareza: o medo não é da violação da Constituição — é da escolha livre dos eleitores.

Agulhadas finais
Quando um jornalista se arma em professor de Constituição para decidir, por nós, o que é “democrático”, já não está a informar: está a treinar o eleitorado.
O problema não é um candidato “exceder poderes”: o problema é haver redacções inteiras a fazer campanha de batas brancas, com a superioridade moral de quem nunca foi a votos.
Se isto fosse apenas “pedagogia cívica”, aplicava-se a todos. Como só se aplica a um, chama-se pelo nome: propaganda.