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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Terrível


No áudio do artigo, vindo de uma pessoa informada e honesta, nas antípodas do burlão Baptista da Silva, o que nos tempos que correm não é pouco: «Há coisas que me deixam muito transtornado porque não sei qual é a solução. Sei que tem que haver uma solução, mas quer para um lado, quer para o outro, a solução é terrível». Por contraste, este discurso é que é uma verdadeira ofensa aos portugueses, pois ilude e foge ao essencial. Neste país, tudo o que aponte para as escolhas difíceis que, mais cedo ou mais tarde, teremos de fazer, gera este ruído insuportável.
Uns comediantes, e não há melhor designação para aqueles a quem me refiro, até usam o pretexto do relatório do FMI para pedir, ou sugerir, ao Governo que se demita.
A sério? Um relatoriozinho do FMI merece essa importância? Se é para pedir a demissão do Governo, peçam-na pelas políticas que já aplicou, como o brutal aumento de impostos presente no OE2013.
Ah! Claro que pedir a demissão do Governo por isso seria ridiculo por parte da esquerda que sonha com aumentos de impostos a toda a hora para acomodar mais e mais despesa; pior ainda se vindo da parte daqueles que se seguiriam no poder e que garantidamente vão manter a carga fiscal intacta ou revista para cima.
Enfim, nada melhor do que a mera possibilidade do Governo começar a cortar na despesa a sério, para se gerar esta barulheira. E o ruído no fim tem a sua utilidade suprema: não é debate que eles querem, o fundamental para estes políticos mediocres e tolos é fugir à necessidade que se impunha de nos dizerem quais seriam as escolhas deles. Mas como todo o político mediocre e tolo descobre quando chega ao poder: governar é fazer escolhas. Passos descobriu isso e o Tó Zé descobrirá o mesmo. Entretanto, Tó Zé e companhia vão-nos entretendo com um mar pegado de disparates e banalidades. Até o dia...  in Os Comediantes

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

a culpa é do Portas…


Merecem voltar à dimensão do táxi
Seja porque integra as “elites(?) disfuncionais” e não tenha ainda interiorizado o que é um país falido, seja pela sua natureza intrínseca que o leva a espetar sempre o ferrão, certo é que a obsessão de Portas passa por se esquivar aos “flocos de neve” da austeridade e minimizar os danos eleitorais.
Este comunicado é a parte II de toda a encenação iniciada com a conferência de imprensa de 16 de Setembro sobre a TSU. O tom é o mesmo, as eternas “razões patrióticas” que o levam a engolir sapos, se dependesse dele jamais haveria tratamentos com dor, ele valida-os porque a força está com os “maus da fita”, mas está contra, que isso fique bem claro.
Acontece que os eleitores não são propriamente uma corja de canastrões ignorantes como a “Corte” sempre os considerou desde os primórdios da revolução “liberal”. A aferir pela amostra das recentes Regionais dos Açores, eles não estarão dispostos a premiar atitudes traiçoeiras ou posturas ubíquas: o CDS foi, de longe, o partido que mais desceu e o seu parceiro de coligação pró-austeridade, o que mais subiu.
Mas o dito comunicado tem algo de positivo, mostra à saciedade a impotência de Portas e do seu partido em criar algo, em corporizar alguma mudança substantiva. Basta ler o seu ponto 3. (bold meu):
Em coerência com o esforço feito dentro do Governo, e em articulação no quadro da maioria, o Grupo Parlamentar do CDS contribuirá para melhorar aspectos do Orçamento de Estado até à conclusão do respectivo processo.
Interessa-lhes a forma e não o conteúdo. Que ninguém se iluda que daquele lado sairá alguma proposta relevante de redução da despesa que vá para além da proibição de gravatas no Verão ou da obrigatoriedade de samarras no Inverno. Portas e o CDS têm todos os vícios do regime e encaram o poder como o instrumento privilegiado para a compra de votos e consolidação de clientelas, algo incompatível com cortes de despesa. Manterão sempre um pé neste governo, mas prontos e disponíveis para integrarem o próximo.
Ainda não entenderam que o mundo mudou e o dinheiro se esgotou. Merecem voltar à dimensão do táxi. por LR  no  Blasfémias 
 
 
Paulo Portas: agarrado ao tacho
O líder do CDS-PP está a desperdiçar a confiança do seu eleitorado ao enveredar por uma aventura cujo desfecho foi antecipado por todos. E não vale a pena vir a terreiro com o paleio estafado do patrioteirismo. Muita ambição com maus conselheiros dá sempre para o torto. Até com um governo que passa a vida a desbaratar a credibilidade de algumas medidas por causa dos amigos e das clientelas. por Rui Costa Pinto  no mais actual 
 
 
Da coligação
1. Primeiro, um reconhecimento: não contava que o CDS fizesse a figura triste que está a fazer e nunca achei que por esta altura fossem divergências entre os dois partidos da coligação que estivessem à beira de lançar o país numa crise política. Sobre as minhas limitações enquanto analista, estamos conversados. Dito isto, permitam-me reafirmar que não temo a crise política, se ela tiver de vir, que venha. Mais ainda: defendi que Passos Coelho devia ter-se demitido, alegando não ter capacidade para seguir o caminho que tinha escolhido para o país, logo após a decisão do Tribunal Constitucional. O meu único receio é que à pala da conversa da crise política, entreguem o poder a um qualquer Monti sem que este tenha de vir a uma campanha eleitoral explicar-me o que pretende fazer.
2. Este texto do Henrique Raposo, secundado pela Maria João Marques, é um bom ponto de partida para discutir o ar que se respira hoje em Portugal. Entendamo-nos, não é o provocar da crise política que tornará o CDS irresponsável, mas antes o facto de não ter uma verdadeira alternativa ao que está a ser feito. Se tem, alguém que me explique qual é. Depois, escreve o Henrique, que este é um «orçamento injusto e que protege o status quo». Em parte terá razão, mas torno a interrogar: que propostas tem o CDS, ou quem quer que queira chumbar o actual orçamento, para o tornar mais justo? Que outros cortes na despesa/aumentos da receita propõe o CDS enquanto partido do Governo e que Vítor Gaspar não tem aceite? O ar está cheio de retórica e politiquice, mas de concreto, nada. Não me peçam para elogiar isso, porque por norma não elogio o vazio. Como pequena nota de rodapé, acrescente-se que o mesmo Henrique que sinaliza a irresponsabilidade das estradas que foram construídas, refere-se ao OE para 2013 como um que defende o status quo, talvez ainda não tenha reparado que a construção de estradas parou e as empresas de construção civil estão quase todas à beira da falência. Um pormenor, certamente. Mas estando numa de elogios e de status quo, permitam-me fazer o elogio do Álvaro e o desprezo da Cristas.
3. Para terminar, quer-me parecer que a história que se desenrola agora tem algumas semelhanças com a que se desenrolou entre Sócrates e Passos Coelho no período 2010-11. Só muda o facto de Passos ter passado a desempenhar o papel que coube a Sócrates e Portas o que era de Passos. Da outra vez, houve um jogo do gato e do rato para apurar quem ficava com a responsabilidade de termos recorrido à troika, quando era certo que a troika, mais cedo ou mais tarde, viria. Agora, andam num jogo do gato e do rato para saber quem fica com a responsabilidade de um «segundo resgate» - perdão de dívida incluído? - quando tal começa a assumir contornos de inevitabilidade. Um jogo que tem, para mim, muito pouco interesse. por Mr. Brown n’ Os Comediantes
 
Miguel Relvas: "Não há espaço para estados de alma"
O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, deixou nesta quinta-feira, na Assembleia da República, o que pareceu ser um recado às bancadas da maioria e ao ministro Paulo Portas, ao afirmar que não há espaço para "estados de alma" nem para "países imaginários”. por Rita Brandão Guerra no Publico

terça-feira, 26 de junho de 2012

Mais austeridade?

Completamente de acordo com isto: O porta-voz do CDS-PP, João Almeida, defendeu hoje que "não faz sentido falar de mais austeridade", mas que, caso seja preciso tomar "outras medidas" não se deverá resolver o problema com mais aumento de impostos. Aliás, a simples ideia de que o executivo, para cumprir o objectivo do défice, possa reutilizar o imposto extraordinário sobre o sector privado que usou em 2011 parece-me pura ficção que só passa pelas cabecinhas de alguns malucos, até pelas implicações que tal acto teria no nível de apoio ao actual Governo. Fizessem isso e bem que podiam acenar a bandeirinha branca e darem-se como derrotados.

Nota: se o objectivo do défice não for alcançado, este Governo ficará, efectivamente, aquém da troika. Ou seja, estará a fazer exactamente o que o PS sempre disse que faria se estivesse no poder: a aplicar uma receita mais moderada do que a que seria exigida para cumprir os objectivos inicialmente definidos. O resto é conversa - embora Seguro, pelos vistos ignorando que o actual caminho, ao que tudo indica, seja o dele, continue a dizer que aplicaria uma austeridade mais moderada do que a deste Governo. É como se a qualificação «moderada» abrangesse um eixo que vai de zero ao infinito e, sinceramente, não tenho pachorra para essa retórica política vazia de conteúdo. Mas fica a pergunta: onde estão as famosas almofadas? por Mr. Brown n’ Os Comediantes

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Loop

Não é uma pesquisa exaustiva, até porque sei que encontraria muitas outras referências em datas diferentes, mas acho que esta é suficientemente esclarecedora:




Num pais de gente com fraca memória é o jornalismo que merecemos.

por Mr. Brown no Os Comediantes

sábado, 26 de maio de 2012

Palhaçadas


Modus operandi. O pior do socratismo está vivo, bem vivo. A simples presença de Rui Paulo Figueiredo como deputado da nação é algo que envergonha aquela casa.

Já basta! O pior é que os partidos do centrão estão cheios de gente desta e é aparentemente impossível afastá-los do poder. por Mr. Brown no Os Comediantes

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os intocáveis

Este caso da Lusoponte é importante para demonstrar o poder que estas empresas têm para com o Governo: os contratos foram feitos de forma a que os interesses das empresas privadas e dos bancos que as financiam estivessem completamente assegurados e o Governo não pode tocar em nada sem extremo cuidado, sob pena de ver accionadas cláusulas indemnizatórias que prejudicariam ainda mais o contribuinte.
A coisa torna-se exasperante quando o cidadão comum vê serem-lhe retirados direitos que tinha por adquiridos e há a percepção geral de que muitas destas empresas recebem rendas pagas pelo contribuinte manifestamente exageradas. 
Tenho para mim que será sempre um falhanço deste Governo se não conseguir tocar em alguns destes interesses instalados e protegidos, mas não ignoro quem negociou a maior parte destes contratos, nem me esqueço dos muitos aplausos que se ouviram pela demonstração de obra feita, ou pela aposta de futuro na área da energia, por exemplo.
Foi uma pena na altura não ter existido qualquer escândalo por tanta asneira feita. n’ Os Comediantes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Subscrevo, e os outros?

«A dívida não é boa ou má consoante a cor dos governos. A dívida quando é excessiva é sempre má porque hipoteca o presente e limita a margem de manobra das novas gerações no futuro.» Era bom ver todos os que criticam a política económica de Jardim na Madeira a concordar com isto, quer para não passarem por hipócritas, quer para colocarmos de uma vez por todas a hipótese de estímulos keynesianos à economia portuguesa na gaveta. É que sendo certo que fruto das circunstâncias a possibilidade de um estímulo keynesiano à economia portuguesa está-nos vedada, não é menos certo que há muita gente que continua a sonhar com um como suposta alternativa à austeridade a que estamos submetidos. Estes últimos deviam ter visto na Madeira a concretização do sonho, não o viram, ou a culpa é dos óculos que usam ou deixaram de sonhar. Aceitam-se explicações. por Mr. Brown no Os Comediantes

domingo, 2 de outubro de 2011

Maquilhagens

Se há governante que não maquilhou nada em relação à Madeira esse governante é o ministro das finanças, Vítor Gaspar, que recorde-se é independente e não se lhe conhece ligação anterior à vida partidária e ao PSD. Recorde-se igualmente que foi o primeiro a dar a situação na região autónoma como insustentável. Seguro, que compreensivelmente não quer largar o osso da Madeira, faz mal em ir por este caminho. Neste caso em concreto e até prova em contrário, o ministro não precisa, nem merece, que o ataquem, pelo contrário, precisa e merece ser apoiado, pelo menos por parte daqueles que querem fazer frente a Alberto João Jardim. Mas compreendo o líder do PS, para gente pequenina qualquer coisa serve para maquilhar as responsabilidades próprias na situação em que nos encontramos e Jardim preocupa-o pouco. Seguro tem como único objectivo desgastar o Governo nacional e as irresponsabilidades do Governo regional da Madeira são um meio para atingir esse fim. No fundo, lá bem no íntimo, Seguro até deve ver com bons olhos que Jardim permaneça no poder. por Mr. Brown no http://Os Comediantes