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domingo, 25 de novembro de 2012

Homens do possível

A política portuguesa "moderna" vive quase só de incidentes medíocres, de tagarelice parola, de zangas comadreiras e de "protagonistas" sem história. Em 25 de Novembro de 1975, a coragem moral, política e física de alguns dos melhores de nós - coisa de carácter que é uma qualidade com tendência a perder-se - evitou uma "guerra civil" original, um híbrido a meio caminho entre um festival de folclore e um tiroteio a sério. Naquele dia, quando a aventura militar se declarou, de mãos dadas com a extrema-esquerda e a complacência estratégica do dr. Cunhal - que se retirou a conselho de Costa Gomes e mandou evacuar os "civis" das cercanias dos quartéis -, emergiu um homem desconhecido, de ar duro e sombrio, com os olhos escondidos atrás de uns óculos escuros. Liderou com sucesso o "contra-golpe" e impôs-se, de seguida, como chefe incontestado de um exército desfeito, primeiro pela guerra, depois pelas brincadeiras do PREC. Ramalho Eanes foi porventura a criatura que mais poder concentrou nas suas mãos depois da "revolução". Eleito presidente, em 1976, uns escassos sete meses após a sua aparição na conturbada política nacional, era igualmente CEMGFA, comandante supremo e presidente do Conselho da Revolução.
Nada disso impediu, antes pelo contrário, que voltasse a disciplina à tropa e que a democracia se institucionalizasse. Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1975, na Amadora, o poder representado pelo Presidente Costa Gomes e pelo Primeiro-Ministro Pinheiro de Azevedo agradeceu publicamente a Eanes e a Jaime Neves, comandante do Regimento de Comandos, aquele gesto refundador e patriótico. Orgulhemo-nos, pois, destes homens sem os quais nada teria sido possível. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos
 

domingo, 11 de novembro de 2012

onde nós não estivermos outros estarão por nós...


«O cálice»
«António José Seguro tocou a corneta: eleições, sim, estamos preparados. Bravo! Mas como espera Seguro conseguir eleições antecipadas? E, já agora, como tenciona ele promover a renegociação (necessária) do programa de ajustamento? A resposta para estas questões é básica: nada, rigorosamente nada, está nas suas mãos. Para começar, a queda do governo pressupõe a falência da coligação para o ano. Um cenário possível, admito, mas que depende exclusivamente da vontade de Portas. Ou de Passos. Ou de ambos. Não do PS e da minoritária oposição parlamentar. Finalmente, é imperioso renegociar juros e prazos? Afirmativo. Mas que teria Seguro para propor se, alçado ao poder, os nossos parceiros internacionais não estivessem para aí virados? Rasgar unilateralmente o acordo? Sair do euro? Processar a sra. Merkel pelos danos causados? Seguro fala e fala e fala porque, no fundo, ele sabe que ainda existe um abismo confortável entre o PS e o cálice envenenado.» por João Pereira Coutinho, no CM lido no Portugal dos Pequeninos
 
As coisas são o que são
António José Seguro anda em "excursão" político-partidária pelo país. Foi a empresas, escolas, universidades. Aparece na rua, dentro de casa, à porta de entrada ou de saída. Vê-se em púlpitos verdejantes. Os media dão-lhe corda. Não tenho a certeza que o "povo" lhe dê a mesma corda. Todavia, as coisas são sempre como, há muitos anos e num contexto político naquele momento muito difícil (Soares "passar" à segunda volta das presidenciais em 1986), me dizia o saudoso José Ribeiro da Fonte: onde nós não estivermos outros estarão por nós. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

sexta-feira, 29 de junho de 2012

assim se vê...

Separar águas
Um bando qualquer - do qual o "moralista social" Arménio Carlos não se demarcou - agrediu pelo menos verbalmente Álvaro Santos Pereira. Também perpetrou a ameaça física como as televisões amplamente registaram. Mas as televisões registaram do mesmo modo a coragem serena de Santos Pereira quando foi ao seu encontro e lhe responderam com insultos do mais diverso jaez. Com gente desta - e eventualmente alguma mais sofisticada que se "manifesta" de outras formas igualmente difamatórias e ameaçadoras -, num estado de direito democrático, trata-se nos tribunais. À política o que é da política, à previsão criminal o que é da previsão criminal. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

Manifestante profissional
Portugal tem algumas centenas de manifestantes profissionais vulgarmente designados como sindicalistas. Alguns como é o caso de Luís Garra, o coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP, que hoje coordenou a manifestação que aguardava o ministro da Economia, é coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP desde 1979. Digamos que tem uma carreira como manifestante profissional. E assim a manifestar-se mantém-se naquele posto de trabalho há 33 anos. Naquele longínquo tempo em que Mota Pinto foi sucedido por Maria de Lurdes Pintasilgo em S. Bento e o Presidente da República era Ramalho Eanes. por helenafmatos no Blasfémias

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não dá

Desde cerca das seis e meia da tarde (sete e meia em Paris) estive a acompanhar a primeira volta das eleições legislativas francesas através de um canal gaulês. Já aqui tinha dado nota da diferença entre um bom trabalho televisivo, de informação e comentário, e a "coisa em forma de assim" que temos por cá. Mudar para os telejornais das nossas televisões, às oito da noite, corresponde invariavelmente a uma terrível experiência traumática. Como então escrevi, «o "modelo" do debate devia ser estudado pelas nossas televisões - renovação permanente dos intervenientes, perguntas bem preparadas, "ideias fortes". Já na noite de domingo, na primeira volta [ das presidenciais ], a coisa tinha sido assim: estimulante, viva, sem cansaço ou interregnos idiotas. Por cá é quase sempre a mesma pobreza franciscana, com os mesmos de sempre a dizer as mesmas coisas de sempre. Democracia em que o debate político é medíocre é uma democracia coxa. Ora os franceses, por pouco que se aprecie, ainda hoje colocam a política pura em nobres alturas, desde os protagonistas aos jornalistas.» A gente puxa, puxa, mas de facto não dá. por João Gonçalves no portugal dos pequeninos

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tsipras Soares

O dr. Soares concede uma entrevista ao jornal i na qual defende que o PS rompa o acordo com a troika. E onde sustenta mais meia dúzia de disparates. Na cabeça do dr. Soares, as Tulherias foram de novo assaltadas a bem das venturas da esquerda e Afonso Costa ainda mora em Paris. Não foram e Costa não passa de um quadro na faculdade de Direito de Lisboa. Podia, antes, com os seus magníficos "conselhos", ajudar o líder da esquerda radical grega a formar governo. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

sábado, 10 de março de 2012

como era de esperar

Enquanto não se realiza uma romagem de saudade e de desagravo a Paris, os acólitos - e alguns opinadores que se publicam, ouvem e vêem, aparentemente esquecidos do que representou, para o sector onde trabalham ou peroram, o consulado em causa - andam por aí "indignados", sem a demonstração de um pingo de vergonha, num misto de evidência da histórica estupidez do indígena (para usar palavras de V. Pulido Valente no Público de hoje) e de manha como se coisas tipo a Parque Escolar nunca tivessem acontecido. Mas como escreveu um leitor, «já está em marcha a campanha seguinte: esmiuçar até à exaustão o facto de o Presidente ter dito o que aconteceu, omitindo o conteúdo das acusações, que é gravíssimo, a começar por um PM que brincou com o interesse nacional para benefício eleitoral próprio e do partido. Isto sim, deveria estar a passar nos telejornais. Até agora, não houve um único comentador a referir-se a isto, que é apenas a substância. Como de resto era de esperar.» por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

sexta-feira, 9 de março de 2012

politicamente blogando...

... incorrecto
Falar claro
Há precisamente um ano Cavaco Silva tomava posse como Presidente da República para um segundo mandato. Reeleito à primeira volta, o Presidente proferiu na altura um notável discurso sobre o "estado da nação". No prefácio ao sexto volume dos Roteiros, Cavaco retoma o registo eminentemente político da sua magistratura. Faz bem. É para isso que elegemos o Chefe de Estado, desde 1976, por sufrágio directo, universal e secreto. Apesar de algumas infelicidades circunstanciais neste primeiro ano do novo mandato, Cavaco Silva estará sempre acima da tagarelice e do frenesim dos fazedores de opinião fácil. Intuiu o fundamental, como se viu nas eleições de 5 de Junho de 2011, e a vida pública nacional precisa, mais do que nunca, de um PR "político" que fale claro. Parabéns. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos
... correcto
É uma tentação
E poucos são aqueles que têm sabido resistir-lhe: ajustar contas com o passado (ou com os adversários) escrevendo autobiografias que só servem para alimentar o ego e relatar episódios que, em princípio, são desconhecidos do grande público.
Há também esta moda dos presidentes compilarem discursos e, moda mais recente, de tentarem fazer um balanço autobiográfico das suas viagens, passeios ou "roteiros". Aquilo que deveria ser o tronco essencial das "memórias" reparte-se assim por vários volumes, de consulta e efeito rápidos.
O caso de Cavaco Silva torna-se mais grave, pois decidiu-se a "fazer história" num prefácio de duvidosa oportunidade. Para quem acompanhou o "casamento" entre o actual Presidente e o anterior Primeiro-Ministro, o azedume vindo agora a lume não faz sentido e só pode indiciar que Cavaco Silva se prepara para fazer política dura, ele que se se diz pouco talhado para a política. Aguardemos pelos próximos capítulos dos roteiros de Cavaco Silva onde ficaremos a conhecer melhor os contornos desta coabitação com Passos Coelho. E Espera-se que o Volume 7 de Roteiros não tenha prefácio. Para bém de todos nós. por João Espinho no Forte Apache

... neutro
José Sócrates num parágrafo
"O anúncio do “PEC IV” apanhou-me de surpresa. O Primeiro-Ministro não me deu conhecimento prévio do programa, nem me tinha dado conta das medidas de austeridade orçamental que o Governo estava a preparar e da sua imprescindibilidade para atingir as metas do défice público previstas para 2011, 2012 e 2013. Pelo contrário, a informação que me era fornecida referia uma situação muito positiva relativamente à execução orçamental nos primeiros meses do ano. O Primeiro-Ministro não informou previamente o Presidente da República da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento às instituições comunitárias. Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País."
Cavaco Silva, que assim deixa às próximas gerações a nota de rodapé com que Sócrates será lembrado nos livros de História de Portugal. por Paulo Pinto Mascarenhas no abc do PPM

terça-feira, 9 de agosto de 2011

a média negativa dos portugueses novos...

O número de disciplinas com médias negativas nos exames de segunda fase, mais cinco do que no ano passado, quase duplicou de 2010 para 2011. Entre as maiores descidas de média registadas contam-se:
Matemática Aplicada às Ciências Sociais (12,2 para 7,2 valores),
Alemão Iniciação Bienal (10 para 7,1),
Literatura Portuguesa (10,3 para 7,1) e
História A (11,6 para 8,9).
Português ( 9,2 para 9,1)
Matemática A ( 8,4 para 8),
Matemática B (7,9 para 7,4).
Física e Química A e
Geometria Descritiva.
Dos inicialmente 200 mil alunos inscritos prestaram exames, nesta segunda fase, os 145 mil que não tinham comparecido ou reprovaram na primeira.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

AINDA O CONGRESSO LENI RIEFENSTAHL DE MATOSINHOS

«Muitos chamaram a atenção para as bandeiras de Portugal no congresso Leni Riefenstahl do PS em Matosinhos. Nas cenas de apoteose de Sócrates, a televisão obteve no pavilhão planos fantásticos, com força plástica, boa encenação, cheios de figurantes agitando bandeiras nacionais. Como imagem política em televisão, é do melhor que se tem visto em construção ideológica, encenação e efeito estético. Há vários anos que venho analisando situações como essa, que juntam a multidão, como símbolo de um colectivo maior, à bandeira, símbolo do que une esse colectivo. Num artigo de 2008 para a revista online Observatório Journal analisei a ligação visual entre a multidão e a bandeira enquanto símbolos nacionais (http://obs.obercom.pt/index.php/obs/article/view/168/137).

Ao substituir as bandeiras partidárias pelas bandeiras nacionais, a central de propaganda de Sócrates deu o passo lógico, final, da ideologia socratista. Primeiro, inculcou a identificação do partido com o seu meneur ou líder. As duas perguntas de Sócrates aos congressistas e figurantes — “Está comigo este Partido Socialista? Vocês estão comigo?” — ficarão para a história política desta época. Depois, sugeriu pelas bandeiras nacionais a identificação do chefe e do partido com a Pátria (com exclusão dos outros). Nunca, desde Salazar, se processara esta identificação do país com o chefe indiscutível. O final frenético do congresso, por entre bandeiras, ruído da multidão e máquinas de filmar, recordou-me as últimas linhas da História de Portugal para Meninos Preguiçosos (1943), de Olavo d’Eça Leal:
“- Paulo Guilherme!, quem vive? E o rapaz, a rir, respondeu:
- PORTUGAL!
- Paulo Guilherme!, quem manda?
E ele, meio surdo com o silvo da máquina, gritou:
- SALAZAR!”

O mito de Salazar “casado com a Pátria” era o corolário desta estratégia de propaganda. O congresso de Sócrates sugeriu visualmente o mesmo casamento. A bandeira nacional acrescenta o símbolo visual à propaganda e à ideologia autoritária encenada em Matosinhos, a mesma que Salazar definiu no discurso de Braga em 1936: “Não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio”. No congresso de Sócrates também não se discutiu. A bandeira nacional de Matosinhos sugerem o partido como o único que desfralda a bandeira de todos. Nos últimos anos, a publicidade usou-a em anúncios de bancos, telecomunicações, bebidas alcoólicas ou supermercados. Trata-se de propaganda pura, e é isso que se pode esperar de Sócrates até 5 de Junho. Ele não tem nada para propor e muito menos tem passado para invocar. Resta-lhe a desinformação e a propaganda pela propaganda. A desinformação e a propaganda surreal, afastando os eleitores da realidade, são as suas tábuas de salvaçãoEduardo Cintra Torres no Público via portugal dos pequeninos

sábado, 12 de março de 2011

SÓCRATES E OS NULOS


Quando se atenta no friso dos "reagentes" do PS ao discurso de Cavaco - apesar de todo o histerismo, Assis ainda consegue ser uma forma de vida inteligente -, e se dúvidas houvesse, fica-se com a certeza que se tratou de um excelente discurso. Ana Gomes, Capoulas, César ou Lello, irrelevantes e nulos, balbuciam por si. Mas Sócrates já é outra coisa. Ao invocar a "generalidade dos comentadores" (a "generalidade" era a 1ª página de um jornal que o aprecia especialmente) para sugerir "ruptura" e clamar por "isenção", Sócrates vem dizer que arranjou mais um pretexto para "resistir", repito, o seu único programa de governo: o PR. Ora o PR, com a autoridade política acrescida depois de reeleito numa única volta contra a vontade desta gente (convém ter isso sempre presente), deu a Sócrates (e daqui em diante seguramente não lhas negará) todas as condições para, nas palavras dele, Sócrates, fazer o que deve ser feito. Desde o OE até legislação avulsa, tudo ou quase tudo, e com mais ou menos recados, Cavaco promulgou. O que o PR explicou ontem é que esta "estabilidade da resistência", estilo "eu ou o dilúvio", não é um objectivo nacional. É, digo eu, uma obsessão pessoal. Não há memória de nenhum 1º ministro que se tivesse "saído" bem de um confronto com o PR, mesmo com o PR desprovido do poder de o demitir. Sócrates quer "festa" para se esquivar às suas responsabilidades e exibir o esplendor do seu perfil politiqueiro. É, tipicamente, uma "festa" que fará sozinho. Publicada por João Gonçalves no portugal dos pequeninos