segunda-feira, 21 de setembro de 2020

aleluia!

Leonard Norman Cohen

(Westmount, 21 de setembro de 1934 — Los Angeles, 7 de novembro de 2016)

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Um elogio funebre: 17 de Setembro de 2020. Como se fez um dos piores dias na vida política de Costa


Na sua longa vida política de mais de 40 anos, António Costa, de 59, já viveu dias bastante complicados - para não dizer profundamente dolorosos. 

Ninguém esquece - começando pelo próprio - aquele 17 de Junho de 2017, quando um incêndio em Pedrógão, que alastrou a vários concelhos vizinhos, matou 65 pessoas, a maior parte das quais (47) apanhadas dentro de carros a fugir na Estrada Nacional 236.

Ou depois, no mesmo ano, na madrugada de 16 de Outubro, o drama de ver a tragédia de Pedrógão a repetir-se ponto por ponto - incêndios ciclópicos e caos na Protecção Civil - com 45 pessoas a morrerem vítimas de dezenas de incêndios em 27 concelhos da região centro (sobretudo os distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro e Leiria)

Costa também não se esquece daquele 22 de Maio de 2003, uma quinta-feira, em que um jovem juiz de instrução, Rui Teixeira, foi ao Parlamento para interrogar, e depois prender preventivamente, um deputado do PS, sob a horrorosa suspeita de pedofilia - coisa nunca vista na democracia e incomparavelmente pior do que uma suspeita de corrupção ou outra do género. 

Na altura líder parlamentar do PS, Costa já há dias que sabia que a tempestade vinha a caminho e tentou por todos os meios, junto dos seus amigos do sector da justiça, livrar Pedroso da prisão - mas em vão. (Pedroso esteve preso preventivamente durante quatro meses e depois foi libertado. Nunca foi acusado de nada.) 

Igualmente inesquecível, no pior sentido, foi aquele 9 de Junho de 2004, uma quarta-feira, quando, sendo número dois na lista do PS ao Parlamento Europeu, viu o número um da lista, António Sousa Franco, morrer vítima de ataque cardíaco, depois de uma muitíssimo agitada acção de campanha na lota de Matosinhos, onde o cabeça-de-lista serviu de arma de arremesso numa guerra de facções que estalara no PS-Porto. 

A longa vida política de Costa já incluiu dias muito difíceis - para não falar dos de derrota eleitoral, como a de 5 de Junho de 2011, face à coligação PSD-CDS liderada por Pedro Passos Coelho. E ontem, quinta-feira, foi mais um deles, um daqueles que o PM nunca esquecerá. 
Não ligar aos avisos 

Ignorando conselhos amigos, Costa aceitou, mais uma vez - como já fizera em 2016, sendo portanto já chefe do governo - integrar a comissão de honra de mais uma recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. A notícia, avançada pelo Expresso no sábado passado, transformou-o num saco de pancada durante toda a semana. 

Na cúpula do PS e do governo foram bem percebidos os sinais de ruptura na confiança do país no PM por causa desta decisão - só faltando agora saber se os efeitos serão de curto, médio ou longo prazo. Para isso contribuíram muito as críticas que ouviu do Presidente da República. 

Mas - mais uma vez ignorando conselhos de quem o rodeia - Costa insistiu em manter-se na comissão de honra, agarrando-se à palavra que dera a Vieira. Só que este decidiu "demitir" o PM da comissão de honra. A notícia soube-se nesta quinta-feira já perto das 14.00. Num comunicado, o presidente do Benfica anunciou: "Agradecendo a todos a disponibilidade manifestada, tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos - todos - os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do governo." 

A notícia caiu como uma bomba. Num comentário nas redes sociais, o comentador político do DN Pedro Marques Lopes - adepto, note-se, do FC Porto - sintetizou o tom geral das críticas: "A triste figura que Costa fez em aceitar estar na comissão de honra de Vieira só é excedida pela tristíssima de ser corrido pelo presidente do Benfica." 
O dano atingiu a própria base política de apoio ao primeiro-ministro. Francisco Seixas da Costa, embaixador aposentado próximo do PS (foi secretário de Estado dos Assuntos Europeus no tempo de Guterres), verbalizou, também nas redes sociais, a sua perplexidade. 

Algures durante a semana, para tentar atirar o "VieiraGate" para segundo plano mediático, Costa acelerou uma remodelação governamental de cinco secretários de Estado que já vinha a planear há algum tempo. 

A pedido expresso da ministra da Saúde, a remodelação incluiu a (até ontem) secretária de Estado adjunta e da Saúde, Jamila Madeira - ex-líder da JS e um nome de peso no aparelho do PS (no Algarve). As duas nunca se deram bem - e Temido foi cavalgando o facto de Jamila ter chegado ao ministério sem experiência no setor. 

Quem conhece bem Jamila Madeira já antecipava na quarta-feira que a ex-líder da JS, tendo saído contrariada, não se deixaria ficar. E assim foi. Numa declaração à Lusa pelas 13.30 - pouco antes, portanto, do comunicado de Vieira -, Jamila - agora de regresso ao Parlamento, confirmava que tinha sido empurrada borda fora. 

"Não pedi para sair e naturalmente fiquei muito surpreendida com a opção da senhora ministra da Saúde [Marta Temido]. Mas saio de consciência tranquila de missão cumprida com a certeza de que fiz tudo o que estava ao meu alcance num ano particularmente inédito", escreveu a (agora de novo) deputada. 

"Após este quase um ano de mandato nas funções de secretária de Estado adjunta e da Saúde, gostava de dizer que é com orgulho que saio num momento em que podemos dizer que terminou o mito de o SNS ser um buraco sem fundo." 

Jamila, porém, não se ficou por aqui. Foi à cerimónia a Belém onde se concretizou a sua substituição (pelo seu camarada de partido António Lacerda Sales, que agora passou de número 3 do Ministério da Saúde para n.º 2) e à saída fez uma declaração aos jornalistas - sem responder a perguntas - onde puxou para si os galões de um suposto saneamento financeiro do SNS.

"Após este 
quase um ano de mandato nas funções de secretária de Estado adjunta e da Saúde, gostava de dizer que é com orgulho que saio num momento em que podemos dizer que terminou o mito de o SNS ser um buraco sem fundo", afirmou. 

Acrescentando que, "pela primeira vez", a meio de Setembro, "os números da conta do SNS demonstram a sua sustentabilidade [financeira], algo tão importante para os portugueses".

"Esse resultado só é possível com o investimento colocado pelo governo liderado pelo primeiro-ministro [António Costa] e com uma gestão criteriosa que foi desenvolvida durante este mandato", concluiu. Deixando, pelo meio, um aviso: "Volto para a Assembleia da República. O meu papel na vida política e partidária continua." 

Pandemia a crescer

O pior de tudo, porém, para este verdadeiro dia horribilis do primeiro-ministro, foram os números da pandemia.

Foi o pior registo desde 10 de abril (quando o país estava todo em quarentena e subordinado às regras apertadas do estado de emergência): 770 novos infectados e mais dez mortos (passando assim o número de vítimas mortais para 1888). 

A possibilidade de já se estar verdadeiramente numa segunda vaga - que assola outros países europeus - levou o gabinete do PM a anunciar, pelas 17.15, a convocação de emergência para esta sexta-feira de uma reunião do gabinete de crise do governo que trata das questões da pandemia. 

Uma fonte do gabinete do PM disse à Lusa que a reunião, que se iniciará às 11.30, na residência oficial do chefe do governo, surge na sequência do "contínuo aumento" de novos casos diários de infecção e pela necessidade de "reforçar a sensibilização dos cidadãos para a adopção de medidas de prevenção e de segurança contra a covid-19".

Do gabinete de crise, que se reuniu pela última vez em 29 de Junho, em São Bento, fazem parte os ministros Pedro Siza Vieira (Economia e da Transição Digital), Augusto Santos Silva (Negócios Estrangeiros), Mariana Vieira da Silva (Presidência), João Leão (Finanças), João Gomes Cravinho (Defesa), Eduardo Cabrita (Administração Interna), Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), Tiago Brandão Rodrigues (Educação), Marta Temido (Saúde) e Pedro Nuno Santos (Infraestruturas e Habitação).

O Presidente da República já tinha prometido que queria falar com o PM sobre a questão benfiquista. A reunião entre os dois começou pouco depois das 18.00 - logo a seguir à tomada de posse dos novos secretários de Estado. Prolongou-se durante mais de uma hora, terminando, como habitualmente, sem declarações no fim. Como é norma sempre que vai a Belém para estas reuniões semanais, Costa entrou e saiu do palácio por uma porta lateral, fora portanto dos olhares dos jornalistas. Durante o dia todo, aliás, não fez uma única declaração pública.

O facto, porém, é que quando Costa chegou a Belém já não era da comissão de honra de Vieira - este havia-o "despedido". Não se sabe se o assunto chegou ou não a ser abordado com o Presidente. O que se sabe é que a pandemia está a crescer e terão de ser decretadas novas medidas - por exemplo: uma delegada de saúde pediu que o próximo 13 de Outubro em Fátima se faça sem peregrinos, como foi o 13 de Maio. Dificilmente, portanto, deixou de ser o tema principal da conversa.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

"invasão" marroquina

vídeo elucidativo, feito pelos próprios marroquinos na sua "viagem turística" (invasão?) para o Algarve e  Península Ibérica.

Com ar de gozo atiram ao mar os seus Bilhetes de Identidade, Cartões de Multibanco (também, em muitos casos, os telemóveis), isso para que as autoridades não possam, depois, identificar a sua nacionalidade e, dessa forma, obstaculizarem uma justa deportação para o seu país.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Hiroshima versus Dresden

Dresden, 13 de Fevereiro de 1945.

Durante 14 horas, a aviação inglesa e norte-americana despejou 3300 toneladas de bombas-incendiárias sobre a cidade de Dresden, morrendo 500 mil civis alemães (um terço dos seus habitantes).
A cidade era o maior centro cultural do norte da Alemanha, não possuindo nenhuma instalação militar

quinta-feira, 30 de julho de 2020

"O Presidente passou a ser cúmplice do Governo"

Começa como uma conversa sobre o mais recente livro, "Salazar, Cunhal, Soares", vai terminar visitando toda a realidade de um país atordoado pela pandemia que ainda hesita entre a euforia e o pessimismo.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Salazar morreu faz 50 anos

Não vale a pena tapar a história com uma peneira e os putos e as chavalas que julgam ser possível apaga-la acabarão, em menos de uma ou duas décadas, por ter que viver com ela e esconder a sua! 
Aos mais esquecidos relembro o "concurso" "O Maior Português de Portugal"... 

sábado, 18 de julho de 2020

a previsão do Correio...


Um estudo inovador realizado por uma equipa de cientistas de dados de Singapura prevê que a pandemia possa terminar o seu ciclo de vida, a 100%, até Dezembro deste ano. O mesmo estudo dá ainda previsões, baseadas em estatísticas, de quando chegará ao fim a pandemia em cada país. 
No caso português, especificamente, o estudo da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura, aponta que o surto chegue ao fim a 100% no dia 18 de Julho.
As previsões são apenas baseadas nos dados disponíveis até ao momento, por isso nada garante que correspondam com o que virá a acontecer no futuro, tal como salvaguarda o site onde estes dados estão disponíveis.
mas
"As previsões são incertas por natureza", lê-se no final das previsões.

sábado, 11 de julho de 2020

a caminho de nova Censura?

antes foi a Fátima Bonifácio...
“ …um “abaixo-assinado” aparecido no “Público” (onde havia de ser?) que, resumindo e concluindo, pede censoriamente a cabeça do investigador Riccardo Marchi por ter tido a ousadia de investigar e escrever sobre o partido Chega. A desculpa é a habitual nestas mentes formatadas no “espírito” da “engenharia de almas”, e do “homem novo”, que tantas graças deu ao mundo no eixo Berlim-Moscovo a partir dos anos 30 do século passado: combater o “fascismo” e o “racismo” com o fascismo e o racismo aprovados por eles.”  (in feiçebuque por João Gonçalves em 11Jul2020)

sexta-feira, 3 de julho de 2020

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Alpedrinha !

menos uma prebenda
[...]
2. Arciprestado do Fundão-Penamacor Constituído pelas paróquias que integram as freguesias e uniões de freguesias dos concelhos do Fundão e de Penamacor, excetuando Vale da Senhora da Póvoa e Meimão; as paróquias de Louriçal do Campo, S. Vicente da Beira, Almaceda e Ninho do Açor, do antigo arciprestado de Alpedrinha e concelho de Castelo Branco, e S. Jorge da Beira e Aldeia de S. Francisco, do concelho da Covilhã. [...]

sábado, 27 de junho de 2020

Respeitemo-lo pois, e que se lhes amenize, quanto possível for, a tristeza de exílio


Gungunhana, rei de Gaza no sul de Moçambique, foi um grande resistente à penetração dos portugueses naquele território. Acabou por ser derrotado por Mouzinho de Albuquerque, em 1895, e transferido para Lisboa na companhia de outros prisioneiros. Depois de permanecerem algum tempo em Lisboa, foi decidido encaminhar quatro deles para a Terceira: o filho Godide, o tio Molungo e Matibejana, vulgo Zixaxa. Como não era permitida a poligamia, as sete mulheres de Gungunhana e as três de Zixaxa foram para Cabo Verde.
A 27 de Junho de 1896, chegaram a Angra do Heroísmo. Uma vez mais foram aguardados por numerosa multidão que os acompanhou ao Castelo de S. João Baptista. A imprensa local deu grande cobertura ao acontecimento e marcou o tom da relação a estabelecer com os prisioneiros: 
"Respeitemo-lo pois, e que se lhes amenize, quanto possível for, a tristeza de exílio".
Com o decorrer dos tempos, as medidas de segurança foram-se simplificando e os prisioneiros podiam passear à vontade pelo Monte Brasil e depois pela cidade. Os moçambicanos começaram, então, a relacionar-se com os terceirenses. E um jornal local tudo relatava: "Todas as manhãs, com um pincel de nervura de palmeira, na dimensão de dez centímetros, esfregavam os dentes no sentido vertical e enchiam a boca de água para a devida lavagem - projectando-a fora, em seguida, a jeito de esguicho, a ir cair à distância de vários metros. Procediam, ainda, numa operação que durava cerca de vinte minutos, à limpeza da língua, com uma espátula de cana".
Na cidade de Angra, foi moda durante algum tempo o chapéu com abas à Gungunhana, que as meninas usavam; no Teatro Angrense, foi representada uma opereta intitulada " Gungunhana nos Açores", escrita por um terceirense; um artista de circo ofereceu-lhes um espectáculo privado e especial com números do seu burro sábio.



Em 1899, foram baptizados e crismados, na Sé de Angra, em cerimónia revestida da maior solenidade e muito concorrida. Apadrinhados pela alta sociedade angrense, que se esforçou por lhes dar o estatuto de assimilados, passaram então a chamar-se: Reinaldo Frederico Gungunhana, António da Silva Pratas Godide, Roberto Frederico Zixaxa e José Frederico Molungo.

Em 1906, morreu Gungunhana com hemorragia cerebral, seguiu-se Godide em 1911 e o tio Molungo, um ano depois. Zixaxa ficou sozinho, com a profissão de guarda do Monte Brasil, até falecer em 1927, tendo deixado descendentes que ainda hoje vivem em Angra. (por Irene Maria F. Blayeree Lelia Pereira Nunes)

quarta-feira, 3 de junho de 2020

a Espanha preocupa-nos !


Esta na altura de começarmos a pensar nas medidas para conter a propagação do virus da extrema esquerda das Unidas com o Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis


domingo, 10 de maio de 2020

FÁTIMA E A IGREJA: O POVO ANDOU SEMPRE À FRENTE!

Isto ficou bem evidente na edificação da Capelinha das Aparições, dois anos após o 13 de Maio de 1917. Foi construída por vontade popular e nasceu às mãos de um humilde pedreiro da região chamado Joaquim Barbeiro: iniciou a tarefa a 28 de abril de 1919 e deu-a por concluída a 15 de Junho desse ano.
A capelinha, segundo a tradição, ergue-se mesmo local onde se situava a pequena azinheira onde segundo os pastorinhos Nossa Senhora lhes terá aparecido inicialmente. Poucos meses depois, dessa árvore quase nada restava: os populares foram-se encarregando de retirar-lhe folhas e ramos, pedaço após pedaço, guardando-os como relíquias. E uns carbonários oriundos de Santarém cortaram o que restava do tronco na noite de 23 de Outubro de 1917, passeando-o de seguida em «procissão» na capital do Ribatejo.
As movimentações populares surgidas de forma espontânea em Fátima incomodavam o Governo republicano, fortemente anticlerical. A imprensa republicana de cariz mais ideológico, ligada à Carbonária, procurou mobilizar a opinião pública contra aquilo que denominava de «fenómenos de superstição». Destacaram-se, nesta campanha, o jornal O Mundo, órgão oficial do Partido Democrático, de Afonso Costa, e organizações como a Federação Portuguesa do Livre Pensamento.
Ainda em 1917 estes sectores chegam a organizar uma «peregrinação laica» a Ourém e Fátima, com vistosa escolta da Guarda Nacional Republicana, após o chamado «milagre do sol». Uma ocorrência esporádica que em nada travou as movimentações populares.
O ministro do Interior, António Maria da Silva, chegou a proibir manifestações de índole religiosa em Fátima. Isto levou a imprensa católica, já sem as reservas dos primeiros meses, a apelar abertamente à desobediência civil.
«Vamos lutar contra o Governo», chegará a escrever o jornal O Dia, de orientação católica.
O regime republicano tentou por todas as vias impedir as concentrações populares em Fátima, recorrendo sem cerimónias às forças da GNR para o efeito. Sempre em vão.
Perante a indiferença da polícia, activistas acercavam-se dos peregrinos, insultando-os e por vezes agredindo-os. Em nome do «livre pensamento», o que não deixa de ser irónico.
O ponto culminante desta campanha ocorreu a 6 de maio de 1922, quando a capelinha das aparições foi parcialmente destruída por uma bomba. Por autorização eclesial, já ali era celebrada missa desde 13 de Outubro de 1921.
O atentado causou generalizada indignação: as bombas haviam sido colocadas nos quatro cantos da capela, com a intenção deliberada de reduzi-la a escombros. Mas nem todas eclodiram. E os bombistas alcançaram os efeitos opostos aos que pretendiam: a capela foi rapidamente reconstruida, sempre por exclusiva vontade da população devota, e cada vez mais peregrinos acorreram desde então a Fátima.
As multidões foram engrossando, sobretudo nas duas datas consideradas mais relevantes: 13 de maio e 13 de Outubro. Na segunda metade da década de 20 já ali se juntavam todos os anos entre 100 mil e 200 mil peregrinos. 

terça-feira, 28 de abril de 2020

Oliveira Salazar

Nascido no seio de uma família humilde de pequenos proprietários agrícolas, o seu percurso no Estado português iniciou-se quando foi escolhido pelos militares para Ministro das Finanças durante um curto período de duas semanas, na sequência da revolução de 28 de Maio de 1926. Foi substituído pelo comandante Filomeno da Câmara de Melo Cabral após o golpe do general Gomes da Costa. Posteriormente, foi de novo Ministro das Finanças entre 1928 e 1932, procedendo ao saneamento das finanças públicas portuguesas. Ficou também para a história como o estadista que mais tempo governou Portugal, desempenhando funções em ditadura entre 1932 e 1933, e de forma autoritária, desde o início da segunda república até ser destituído em 1968.

sábado, 25 de abril de 2020

...chegados a 2020 ainda falta um dos 3D!


Corria o ano de 1974. Portugal era um país mediamente desenvolvido, pobre pelos padrões dos ricos, remediado pelo padrão dos pobres. Cerca de um terço do trabalho estava na agricultura, outro terço na indústria e um terço nos serviços. Membro das Nações Unidas, da NATO, da OCDE e da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre), entre muitas outras organizações.
Mas também Portugal vinha a ser condenado de forma persistente nas Nações Unidas pela continuação da sua política colonial e pela guerra que travava em três frentes, em Angola, em Moçambique e na Guiné.
Quase metade do Orçamento do Estado era para a defesa, ou seja, para a guerra. Com uma taxa de apreensão fiscal muito baixa, das mais baixas da OCDE, pouco dinheiro sobraria para a política social do Estado, educação e saúde, mas o país quase não tinha dívida externa nem sabia o que fosse défice orçamental, tendo, aliás, fortes reservas em divisas e ouro, entre as mais elevadas do mundo, e uma taxa de crescimento económico da ordem dos 7 a 8% ao ano.
Estranhamente olhando-o 46 anos depois, embora sendo um golpe militar, o 25 de Abril, propôs-se mudar isso. A política então enunciada resumia-se nos célebres 3 D: democratizar, descolonizar, desenvolver.
Pouco mais de um ano depois do 25 de Abril, em 11 de Março, um golpe de Estado subvertia inteiramente a economia do país, levando à nacionalização ou intervenção de quase todas as indústrias e empresas de serviços com alguma dimensão e a uma reforma agrária destruidora da riqueza agrícola do país.
Os resultados da revolução não se fizeram esperar: afligida pela crise internacional iniciada em 1973, por uma descolonização caótica e excessivamente rápida e pelas nacionalizações, a economia portuguesa passou para um brutal défice externo da balança de pagamentos, um défice orçamental da ordem das dezenas de pontos percentuais, uma inflação galopante e uma queda da produção que, só em 1975 em relação a 74, foi de 15%.
Os resultados da “revolução” não se fizeram esperar: afligida pela crise internacional iniciada em 1973, por uma descolonização caótica e excessivamente rápida e pelas nacionalizações, a economia portuguesa passou para um brutal défice externo da balança de pagamentos, um défice orçamental da ordem das dezenas de pontos percentuais, uma inflação galopante e uma queda da produção que, só em 1975 em relação a 74 foi de 15%.(in “A missa” por  João Luís Mota de Campos)
...e chegados a 2020 ainda falta um dos 3D!

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Atoleiros. Decidimos ser Nação!


Nuno Álvares Pereira aprendeu com mercenários ingleses a táctica que dizimava os franceses na Guerra dos Cem Anos, e aplicou-a em batalhas que venceu
No verão de 1381, o escudeiro Nuno Álvares Pereira, de 21 anos, ao serviço do monarca D. Fernando, acompanhava mercenários ingleses nas guerras fernandinas contra Castela, onde reinava D. Juan I. Eram operações militares de saque, devastação de território, tomada de prisioneiros e destruição de campos de cultivo, para desmoralizar o inimigo. Mas, desses veteranos, Nuno Álvares Pereira ouviu a lição da sua vida: a receita militar inglesa que dizimava os franceses em sucessivas batalhas, na Guerra dos Cem Anos. Essa nova táctica, de combate apeado, consistia na ocupação prévia do terreno da batalha, com o cuidado de verificar se havia nos lados e atrás obstáculos naturais (linhas de água, bosques, zonas de floresta ou de construção), que não permitissem a um exército maior “abraçá-los”, isto é, envolvê-los pelos flancos. Se estivessem num sítio alto, melhor ainda. Por vezes, escavavam fossos e covas de lobo à frente da sua posição, dissimulados com ramagens – se viesse um exército de cavalaria pesada, cheio de ímpeto, os cavalos começavam a tropeçar ou a empinar-se, derrubando os cavaleiros, numa amálgama caótica de homens e animais. O inimigo tornava-se um alvo fácil para a peonagem armada de lanças e, sobretudo, para os arqueiros e besteiros. Álvares Pereira tomou boa nota dos ensinamentos dos mercenários. Foi inteligente e isso consagrou-o depois como grande estratego militar português.
Quando D. Fernando morreu, a 22 de Outubro de 1383, a uma crise sucessória associou-se uma “revolução”. Nuno Álvares Pereira alinhou pelo mestre de Avis, no partido dos segundos filhos e bastardos, que viam a sua ascensão política e social barrada pelos primogénitos. Estes, para manter o statu quo, resolveram apostar no trunfo que julgavam ser mais poderoso, o rei de Castela, D. Juan I, que reivindicava o trono português com base no seu casamento com Beatriz, filha herdeira de D. Fernando, que aceitou o enlace quando estava já muito doente.

Não houve aqui sobressaltos patrióticos. “Uns e outros geriam os seus interesses”, diz João Gouveia Monteiro, especialista em Idade Média, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. D. Juan I invadiu Portugal, em busca do trono. O objetivo era cercar Lisboa, que o mestre de Avis se preparava para defender. Mas, antes, o líder da “revolução” nomeou Nuno Álvares Pereira “fronteiro” (ou comandante militar) do Alentejo. Era preciso um outro exército, com capacidade de manobra, que não estivesse imobilizado dentro de Lisboa, e que tentasse travar a travessia das tropas castelhanas que usavam a planície alentejana para se juntarem ao cerco da capital.
Mal chegou a Évora, com 240 homens armados, Nuno Álvares Pereira procurou recrutar mais efectivos apeados que trouxessem uma lança ou uma besta, facas domésticas bem afiadas, partasanas (alabardas de ferro comprido, de ponta larga e perfurante), ou manguais, instrumentos para malhar cereais. Era o possível. O “fronteiro” estava a formar este exército quando soube, em Estremoz, que um contingente castelhano, a caminho de Lisboa, se encontrava a cercar a vila de Fronteira, no Alto Alentejo. Este contingente tinha cerca de mil cavaleiros, uma cavalaria ligeira de 200 ginetes e um número não apurado de peonagem e de besteiros. Por sua vez, Nuno Álvares Pereira arrancou de Estremoz com cerca de 300 cavaleiros, perto de mil peões e uma centena de besteiros.
A meio dos 20 quilómetros que separam Estremoz de Fronteira, surgiu um emissário castelhano que tentou aliciar o “fronteiro” com generosas recompensas se desistisse e passasse para o lado onde se encontrava o seu irmão mais velho, Pedro. Nuno Álvares Pereira pô--lo a andar. Os castelhanos só deixaram os preparativos do cerco quando o emissário chegou com a resposta, o que permitiu a Álvares Pereira começar a aplicar, com rigor, a receita inglesa: escolheu o local da batalha, numa pequena herdade em Atoleiros, a cerca de 2,5 quilómetros de Fronteira. O terreno estava cortado ao meio por uma linha de água de uma ribeira (o mês era Abril, devia estar bem nutrida), o que quebrava o ímpeto do ataque inimigo. E o próprio topónimo Atoleiros indica solo alagadiço. Toda a tropa do “fronteiro” iria combater a pé, tomando posição num pequeno cabeço, estreito e não muito alto, com cerca de 200 metros de largura, sobre a linha de água. Dispôs a sua vanguarda com lanceiros, colocou nas alas os atiradores com besta, e na retaguarda uma força de apoio. E, mais atrás, estariam possivelmente outros besteiros que se encontravam num ponto mais alto, dez a 15 metros acima da linha de água, e que podiam disparar os seus virotões por cima das cabeças dos seus companheiros.
Foi este dispositivo que os castelhanos encontraram à sua espera. Seguiram o modelo francês – o ataque todo feito a cavalo, embora em pequenos esquadrões de dez a 15 homens, de cada vez. Os grupos iam--se sucedendo, mas tinham de atravessar a ribeira e o terreno empapado, e depois subir, para chegar ao contacto com o exército de Nuno Álvares Pereira. Tudo lhes quebrava o ímpeto. Os cavalos tropeçavam e não avançavam, os que vinham atrás chocavam com eles, que se empinavam, e eram logo atingidos pelos tiros dos besteiros, e os cavaleiros que conseguiam chegar ao contacto com a vanguarda portuguesa tinham combatentes apeados com lanças apontadas aos peitos dos animais a recebê-los. A batalha terá demorado, no máximo, duas horas – tempo suficiente para a chacina do exército castelhano, apanhado pela surpresa e pelo pânico.
“Do ponto de vista psicológico e anímico, esta vitória teve um efeito brutal”, diz João Gouveia Monteiro. “Os castelhanos tinham um exército muito mais poderoso – mas, afinal, não eram invenciveis. A quem estava destinado a encerrar-se em Lisboa com o mestre de Avis, a resistir ao cerco do rei de Castela, deu um ânimo tremendo.” Nuno Álvares Pereira foi a Almada, para transmitir a boa nova ao mestre, através de sinais de fogo.
Porém, em Setembro de 1384, Lisboa estava nas últimas, após cerca de quatro meses de cerco por terra e mar. Se caísse, isso significava a derrota da causa “revolucionária”. Eis, no entanto, que um surto de peste atacou em cheio o acampamento dos 20 mil castelhanos. Os sitiantes morriam às dezenas por dia. A D. Juan I não restou outra alternativa senão levantar o cerco e retirar-se cabisbaixo para Castela. (por J. PLÁCIDO JÚNIOR in “Os segredos das 6 batalhas que salvaram Portugal”)




sexta-feira, 3 de abril de 2020

Como evitar que a Covid-19 lhe acabe com o motor diesel


A pandemia do coronavírus alterou os hábitos de condução. As viagens são agora mais espaçadas e curtas, o ideal para os que têm carros com motor a gasóleo entrarem em despesas. Saiba como evitá-las.
O filtro de partículas dos motores turbodiesel não aprecia viagens curtas. Para não incorrer em despesas avultadas, apresentamos algumas dicas para manter o filtro em bom estado
Que truques há para evitar entupir o filtro?
Na actual situação, em que o estado de emergência imposto para debelar a pandemia restringe as deslocações a viagens mais curtas, há uma série de pequenos truques para impedir os problemas no DPF. Para começar, é bom usar o tipo de óleo indicado para o carro e, sobretudo, utilizar um lubrificante indicado para um motor diesel com DPF, que por estranho que pareça, é diferente do usado nos diesel convencionais, mais antigos e sem filtro.
Nas embalagens está sempre bem patente “óleo para motor com filtro de partículas”, podendo surgir em alternativa DPF ou FAP. São lubrificantes do tipo SAPS, o que significa reduzidas quantidades de enxofre, cinzas sulfatadas e fósforo, de forma a reduzir a produção de partículas que entupam o filtro.
A outra dica é não perder a oportunidade de rodar um pouco mais, para que o veículo passa aquecer e realizar a regeneração, nem que seja uma vez por semana. Ou, então, quando sentir que o sistema está a tentar realizar uma regeneração activa e não há meio de conseguir terminar a operação. Basta ir fazer compras a um supermercado um pouco mais longe, idealmente com pouco trânsito para evitar o pára-arranca.
Outra possibilidade é rodar em 5ª ou 4ª velocidade, em vez de 6ª, o que sempre eleva a rotação do motor (e a temperatura dos gases de escape), uma vez que alguns sistemas de gestão não reconhecem a mudança que está engrenada. Mas antes de recorrer a esta solução, fale com a marca, solicitando esclarecimentos.
Este foi o tema desta semana do podcast Operação Stop, da Rádio Observador, que pode ouvir aqui.

sexta-feira, 13 de março de 2020

o actual Politicamente Correcto!


A correcção política é uma ideologia neomarxista que revê o conceito de classe proletária, o confronto de classes definidas pelo processo de produção e o papel do Partido Comunista como guia do Proletariado mundial. À violência revolucionária privilegiada como instrumento de conquista do poder para a implantação do marxismo, contrapõe a batalha cultural e a transformação das mentalidades.
A Escola de Frankfurt e Lukács
A actual Correcção Política tem as suas raízes remotas nos autores da Escola de Frankfurt que, nos anos vinte do século passado, procuravam uma síntese de Marx e Freud, ligando sociedade capitalista e repressão sexual. A sua base foi o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt, fundado por Felix Weil em 1923, e que teve colaboradores como Georg Lukács, Wilhelm Reich e Theodor Adorno.
Deste núcleo inicial, Lukács é talvez o personagem mais interessante. Nascido numa família de banqueiros judeus, nobilitada pelos Habsburgo, Lukács sempre mostrou uma grande pluralidade de interesses – filosóficos, literários, económicos e políticos. E foi como activista político que fundou o Sonntagskreis (Círculo do Domingo), uma tertúlia artística e cultural onde aparecem figuras como Bela Bartok, Arnold Hauser e Karl Mannheim. Lukács converteu-se ao marxismo e aderiu ao Partido Comunista Húngaro de Bela Kuhn, de que foi Ministro da Educação.
Depois do fracasso de Bela Kuhn, Lukács escapou para Viena onde conviveu com Viktor Serge e Antonio Gramsci. Manteve-se na ala esquerda do Partido, escrevendo trabalhos sobre Lenine e Bukharine, mas as suas teses não mereceram a aprovação da hierarquia soviética e foi condenado pelos órgãos responsáveis da ortodoxia cultural estalinista. Nos anos trinta e quarenta passou alguns maus bocados na “pátria dos trabalhadores”.
Lukács foi talvez o primeiro pensador marxista a pôr em questão a mecânica socioeconómica como motor da História, e até a tese “catastrófica” de Marx
Com o fim da guerra, em 1945, voltou à Hungria comunista e foi um intelectual influente e particularmente activo nas depurações de intelectuais não-alinhados. Mas, surpreendentemente, em mais um dos seus volte-face, integrou o governo revolucionário anti-soviético de Imre Nagy durante a revolta de 1956, sendo depois deportado para a Roménia. Regressou à Hungria, onde viria a morrer com tranquilidade, ao contrário de Nagy, que seria fuzilado.
Lukács foi talvez o primeiro pensador marxista a pôr em questão a mecânica socioeconómica como motor da História, e até a tese “catastrófica” de Marx – isto é, a ideia de que, no conflito de classes nascido da industrialização europeia, o capitalismo, com a sua impiedosa concentração de riqueza, levaria a um desequilíbrio social conducente a um levantamento maciço dos proletários contra os burgueses. Deste levantamento resultaria a queda dos governos burgueses e a ditadura do proletariado. Passada esta fase, viria a utopia libertadora, o tempo em que “o lobo viveria com o cordeiro” e que nem Governo, nem Estado, nem Estados seriam necessários.
Mas esta escatologia materialista, cópia de algumas utopias milenaristas religiosas, fracassou: na Grande Guerra, em 1914, os operários e os partidos socialistas alinharam com os governos nacionais. E, entretanto, tinham surgido as classes médias, que punham em causa o dualismo Burguesia-Proletariado, Ricos e Pobres. Afinal, havia coisas para além das estruturas económicas e suas consequências sociais e Lukács é um dos primeiros que o entende. Também se dá conta da persistência de uma “cultura ocidental” impregnada pelo Cristianismo, mesmo nas suas versões mais laicas e republicanas, e indissociável da moral sexual, do patriotismo, do conceito de família e de certos códigos relacionais. Por isso, quando foi Ministro da Cultura do efémero governo de Bela Kuhn, criou uma disciplina de educação sexual, destinada a desconstruir as versões tradicionais das relações entre homens e mulheres.
Apesar das críticas e condenações de que Lukács foi objecto na Internacional Comunista, a União Soviética estalinista também iniciou uma campanha de “Correcção Política”, entendida como o encorajamento de uma série de palavras, expressões e comportamentos que estivesse de acordo com a teoria do Partido Comunista e com a sua visão da História e da sociedade, e a interdicção de palavras, actos ou omissões que pecassem contra o Partido ou contra a ortodoxia comunista. O pendor eufemístico e de temerosa auto e hetero censura da actual Correcção Política perante um corpo doutrinário intocável é também tributário deste mundo de “camaradas”, em que, na expressão, reinavam a igualdade (ainda que, na realidade, alguns camaradas “fossem mais iguais do que outros”) e a liberdade (ainda que toda a liberdade que não fosse “ao encontro do que o Partido queria” tivesse de enfrentar um persuasivo processo “disciplinador”).
Gramsci: um comunista heterodoxo
António Gramsci foi também um revisionista crítico da ortodoxia marxista que, não deixando nunca de admirar Marx, privilegiou o voluntarismo leninista e o papel da vontade humana dos líderes e dos militantes. Em “La rivoluzione contro Il Capitale”, um texto que publicou no Avanti em 1917, é a capacidade de saltar etapas perante uma janela de oportunidade, galgando os “factores objectivos” da ortodoxia dialéctica marxista, que admira em Lenine, concluindo que a vontade dos homens é mais importante que os “factos económicos brutos”. Para ele, as estruturas económicas estão sujeitas à acção transformadora e dinamizadora de homens que valem especialmente “enquanto são espírito, enquanto sofrem, compreendem, disfrutam, querem, afirmam ou negam.”
Esta visão idealista, voluntarista e heterodoxa do marxismo, leva Gramsci a apoiar a revolução soviética e a ver em Lenine “o maior teórico moderno da filosofia da praxis”.
Mas a crítica gramsciana ao marxismo ortodoxo nasce também do fracasso do assalto ao Estado em Itália – que acabaria por ser feito com sucesso, não pelos comunistas, mas pelos fascistas de Mussolini.
Para Gramsci, os factores que na “civilização ocidental” impediam uma revolução comunista eram: o Cristianismo; a Autoridade; a Responsabilidade Pessoal; a Hereditariedade; a Lei; a Verdade; a Família; o Patriotismo; a Unidade Nacional; a Comunidade; o Conservadorismo; a Linguagem; a Tradição.
É a partir daqui que Gramsci revê a importância da cultura dominante na sociedade e na determinação do êxito da revolução. Enquanto no Oriente europeu – na Rússia – o Estado era tudo, no Ocidente a chave do sucesso da revolução era a sociedade, a sociedade civil, e a hegemonia cultural nessa sociedade civil de um conjunto de organismos ditos privados (sindicatos, partidos políticos, igrejas, editoras, jornais) comandados por uma “direcção intelectual e moral” dominante. Continuando a rever criticamente Marx, Gramsci acrescenta que a “superestrutura” ideológica da sociedade civil e os seus intérpretes, os “intelectuais orgânicos”, eram decisivos para mudar e comandar a vontade colectiva. Assim, não seria a mudança na infra-estrutura económica das relações de produção que comandaria a superestrutura moral ou ideológica da sociedade mas a mudança das mentalidades, dos conceitos, dos valores.
Para Gramsci, os factores que na “civilização ocidental” impediam uma revolução comunista eram: o Cristianismo; a Autoridade; a Responsabilidade Pessoal; a Hereditariedade; a Lei; a Verdade; a Família; o Patriotismo; a Unidade Nacional; a Comunidade; o Conservadorismo; a Linguagem; a Tradição. Com um espírito agudo, sempre crítico, Gramsci via no fenómeno do fascismo um modelo de idealismo voluntarista semelhante ao socialista mas que se diferenciava dele por procurar enquadrar esses valores tradicionais.
As “heresias” de Gramsci, que o Secretário-Geral do PCI, Togliatti, haveria de condenar, foram um importante contributo para a legitimação e valorização da revolução das mentalidades como factor decisivo para mudar a realidade; um factor talvez até mais decisivo do que a conquista do Estado e dos seus poderes materiais de coacção e repressão.
Esta linha crítica ia evoluir e tornar-se mais consciente depois da queda dos socialismos reais, com o fim da União Soviética em 1991 e com a revolução pro-capitalista de Deng Xiao Ping na República Popular da China. Foi quando ganharam força decisiva as várias teorias dos chamados “marxismos imaginários”, que, na sequência da mensagem libertária do Maio de 68, pretendiam libertar a utopia do autor de O Capital dos “socialismos reais” estalinista e maoista.
As teses da hegemonia cultural de Gramsci voltaram então à ordem do dia; e Gramsci tornou-se leitura obrigatória, com a proposta da Correcção Política, então já definida pelos seus opositores como “intolerância disfarçada de tolerância” ou como “um totalitarismo que elimina qualquer possibilidade de resistência cultural ao progressismo.”
Estes marxistas heréticos eram heréticos não tanto quanto aos fins mas mais quanto aos meios de converter as sociedades existentes em sociedades conformes com as utopias do Progresso, que já vinham da ala esquerda do iluminismo francês, dos chamados “profetas de Paris” e do próprio Karl Marx. A Razão, a Ciência, a História, todas com letra maiúscula, estavam do lado dessa marcha para o Progresso, para o Socialismo, para o que antes fora só a Utopia. E para acelerar o passo, tinha de se domar e transformar a realidade; e, por fim, a própria natureza humana, através da mudança cultural.
Mas se na ortodoxia soviética, leninista ou jadnovista, as relações materiais de produção ditavam a estrutura social das classes e marcavam as bases do pensamento e das instituições; e se nos “socialismos reais”, onde o terror e a repressão física e intelectual eram a regra, os intelectuais funcionavam como intelectuais orgânicos, como sacerdotes e guardiães de uma ortodoxia ditada pela retórica dos chefes ou guias políticos, na crítica gramsciana Maquiavel parecia vir substituir Marx e Lenine.
E Maquiavel, com a sua finesse florentina, entendia que dominar o pensamento, a cabeça e a linguagem era o modo mais eficaz e duradouro de transformação social; talvez mais lento e mais indirecto do que a força, mas mais eficaz e duradouro. É também disso que nos falam as reflexões do autor de O Príncipe sobre “os leões e as raposas”, as alternativas da força e da astúcia.
A transição teórico-prática: Marcuse
Um dos marxistas da Escola de Frankfurt que emigrou para os Estados Unidos depois da subida de Hitler ao poder, em 1933, foi Herbert Marcuse. O Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt tinha-se instalado em Nova Iorque, apoiado pela Universidade de Columbia, e ao contrário da maioria dos seus colegas emigrados, que regressaria à Alemanha depois da guerra, Marcuse acabaria por ficar nos EUA. Ele que nos anos 30 insistira já na necessidade de “libertação sexual”, nos anos 50 reformularia a teoria da revolução: esta não viria da classe operária (a classe operária americana, além de estar a passar a classe média era patriota, tinha valores conservadores e era impermeável ao comunismo) mas de uma coligação de minorias perseguidas, marginalizadas e esclarecidas: “os negros, as mulheres feministas, os homossexuais e os estudantes”.
Para Erich Fromm, um dos progenitores da ideologia de género, o “operário americano”, sendo “um dos mais conservadores ou até reaccionários elementos da sociedade americana”, tendia a “parar o progresso”.
Nesta linha de pensamento, é elucidativa a opinião de um outro marxista de Frankfurt, Erich Fromm, um dos progenitores da ideologia de género, para quem o “operário americano”, sendo “um dos mais conservadores ou até reaccionários elementos da sociedade americana”, tendia a “parar o progresso”. Daqui e da oposição destes grupos minoritários, nos anos 60, à guerra do Vietname, nasceria a Nova Esquerda, aberta a todas as correntes de esquerda radical, mas recomendando intolerância absoluta em relação às forças de direita. Contra a direita, e dada a dificuldade de a reprimir por via democrática, tudo era válido.
Foi destes pensadores que derivou a moderna Correcção Política que, fundamentalmente, propõe a substituição da versão “económica” do marxismo por uma versão “cultural”. Perante o fracasso, nas sociedades ocidentais, de uma revolta do tipo bolchevique – que, na reacção e pelos mesmos métodos violentos, levara às vitórias do fascismo em Itália (1922) e do nacional-socialismo na Alemanha (1933), bem como à derrota das forças de esquerda na Guerra Civil de Espanha – surgiu uma teoria inteiramente nova da sociedade e da transformação social. 
A América e a nova Correcção Política
A Correcção Política segue velhos temas da esquerda radical, como a superioridade (se não o monopólio) moral e intelectual das esquerdas e o internacionalismo, que agora encontra na globalização económica e no grande capital mundialista aliados tácitos e tácticos. É a partir desta suposta superioridade moral e intelectual que os adeptos da Correcção Política definem os pensadores e os políticos conservadores ou meramente independentes como “personalidades autoritárias”, “fascistas” ou mesmo “nazis”, enquanto escalpelizam injustiças ou situações históricas (geralmente banidas ou ultrapassadas, até por iniciativa e força de personalidades conservadoras) para identificar e culpabilizar agressores, que responsabilizam retroactiva e transgeracionalmente.
Embora o movimento tenha surgido do desejo de eliminar os restos do racismo, sexismo e ódio, está a substituir velhos preconceitos por novos. E a declarar certos temas proibidos, certas expressões proibidas, até certos comportamentos e gestos proibidos.
Foi há trinta anos, no rescaldo da Administração Reagan e do fim da União Soviética, que os Correctores iniciaram a sua luta nos Estados Unidos e, mais timidamente, na Europa. Dando-se conta do fenómeno, já em 1991, o sucessor de Reagan, George H. Bush, declarava na Universidade de Michigan:
A ideia de correcção política desencadeou a controvérsia no país. E embora o movimento tenha surgido do desejo de eliminar os restos do racismo, sexismo e ódio, está a substituir velhos preconceitos por novos. E a declarar certos temas proibidos, certas expressões proibidas, até certos comportamentos e gestos proibidos.
A maioria das grandes universidades aceitou acriticamente a ofensiva, fez o mea-culpa e pediu perdão. Deixou de haver debate livre sobre as questões fracturantes e houve uma progressiva rendição em toda a linha aos novos padrões de afirmação e de controlo. Símbolos, conceitos, opiniões, até estátuas foram removidos, numa purga iconoclástica e numa contrita confissão de culpa perante a nova inquisição.
Daqui resultou uma ausência de confrontação, um clima de medo, suspeição, denúncia e perseguição aos professores e alunos que não se conformassem ou não se integrassem nos códigos e no mundo a preto e branco da Correcção Política. A identificação de macro e micro agressões a minorias vitimizadas e a acusação subsequente contra prevaricadores e renitentes passou a ser um trabalho a tempo inteiro. Perante a reparação e a rescrita do passado – um tema central de George Orwell em 1984 – e as apertadas malhas da censura presente, o próprio Barack Obama não pode deixar de comentar, a propósito da academia norte-americana, que “a cultura de esquerda nas universidades se tinha tornado profundamente intolerante em relação a pontos de vista contrários”.
Entre as palavras banidas nos Estados Unidos está, por exemplo, a palavra “black”, ainda que Martin Luther King a tenha usado com orgulho; e “oriental”, ainda que o académico de esquerda Edward Said, no seu livro Orientalism, a tenha usado para denunciar a orientalização dos orientais pelos ocidentais.
A lógica da Correcção Política é uma lógica maniqueísta de vítimas e agressores, imposta por orientações e grupos ditos perseguidos, marginalizados ou desconsiderados ou pelos seus autoproclamados representantes ou “comissários políticos”. Reporta-se, não só ao presente, mas ao passado, numa espécie de conta-corrente sem limite de início e de termo. O capital de vitimização e culpabilização é potencialmente infindável e infinitamente elástico e a victimologia, capitalizada politicamente, tornou-se uma ciência e gerou uma ética. O “activismo” passou também a ser urgente: todo o cidadão é um potencial “informador”, instigado a documentar, a gravar e a reportar agressões a “minorias” por parte da “autoridade” (polícias ou professores), da “extrema-direita” (a não esquerda), ou da “sociedade racista, sexista e não-animalista” (o povo tradicional, os “populistas” ou o incauto cidadão).
Entre as palavras banidas nos Estados Unidos está, por exemplo, a palavra “black”, ainda que Martin Luther King a tenha usado com orgulho; e “oriental”, ainda que o académico de esquerda Edward Said, no seu livro Orientalism, a tenha usado para denunciar a orientalização dos orientais pelos ocidentais. Não podem usar-se pronomes num só género, e até pelas praias lusófonas há já algumas soluções inovadoras, como as da brasileira Marcia Tiburi que no livro Feminismo em comum para todas, todes e todos  (Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 2018) propõe que se junte um novo não-género mais inclusivo aos dois limitativos géneros do costume.
A Correcção Política tomou conta de tudo, das críticas literárias de revistas, como a New York Times Book Review ou a London Review of Books, aos prémios literários, às temáticas dos colóquios ou aos discursos dos prémios cinematográficos.
E a indoutrinação das novas gerações está já em marcha: à semelhança do que a Warner Brothers tem vindo a fazer, no canal Disney Plus alguns clássicos foram banidos e os que não o foram apresentam-se com o aviso de que contêm preconceitos étnicos, raciais ou sexuais explícitos, preconceitos esses que só se reproduzem no original para que se não diga que nunca existiram. Quanto às novas produções, seguem na letra e no espírito a agenda Correcta, que, infalivelmente, molda a história e as personagens. Note-se o “empoderamento feminino” das novas princesas ensimesmadas e vingativas da Disney, cujo sofrimento passado e o “conflito interior” justificam quaisquer acções malévolas. Numa progressiva cedência à pressão dos media progressistas e da comunidade LGBT, o filme Onward, que estreou este mês, oferece, e aqui sem aviso, homossexualidade explícita (“finalmente” ao alcance dos pequenitos). E quem tenta levantar reservas a esta vitimização ou à sua manipulação é encaminhado para a fogueira dos homofóbicos, dos racistas, dos nazis.
Na libérrima América, cuja Constituição garante numa das suas principais emendas a liberdade de expressão; nessa mesma América, que, afinal, é também a América do puritanismo e da caça às bruxas, a linguagem é hoje mais controlada do que na Espanha da Santa Inquisição (basta ler, para o efeito, Quevedo ou Cervantes). A divulgação da cultura da “ofensa” leva a acusações cruzadas e a uma autocensura doentia que isola, cala e guetiza tudo e todos – até o humor.
Mas a utopia e a bondade do “ideal” de uma humanidade livre, igual e fraterna – e agora ainda mais inclusiva, até inter-espécies – mantém-se e dilata-se. Os animais humanizam-se e o planeta, o planeta que sofre, é agora, também ele, dotado de emoções, sentimentos e afectos. Explorando a veneração e a submissão dos media e dos políticos às chantagens da “juventude”, do ambiente e das grandes comoções, a jovem Greta Thunberg tornou-se símbolo e líder da luta contra um catastrofismo climatológico apresentado como um dogma mas de polémica cientificidade.
No entanto, e mais uma vez, como o melhor e o pior da natureza humana acaba sempre por resistir e persistir, há pessoas, instituições e valores “menos iguais que os outros” e que se podem e devem ofender à vontade: precisamente as pessoas, instituições ou valores que, para a velha ortodoxia marxista, eram as pedras na engrenagem: a Religião, sobretudo a religião cristã e entre as religiões cristãs, a católica (O Islão é tratado com mais cuidado, até porque exerce represálias em espécie); a família tradicional; os burgueses; o mundo rural reaccionário, herdeiro dos velhos camponeses refractários ou por doutrinar.
E a Europa?
A Europa é menos ou mais politicamente correcta que os Estados Unidos? Digamos que é tão correcta como os Estados Unidos mas de outra maneira. No Parlamento Europeu, a revolução semântica, uma etapa crucial da estratégia, está já em marcha com a mudança de expressões como “mankind” ou “manpower” para “humanity” e “staff”.
Em França há resistências, ou há pelo menos uma forte polémica em volta do “politiquement correct”, com pensadores como Michel Onfray e Alain Finkielkraut, Éric Zemour ou o escritor Michel Houellebecq a denunciar em livros, artigos e entrevistas a ditadura intelectual bem-pensante que faz o controlo do pensamento e da palavra. Houellebecq é particularmente provocador nos seus romances, traçando um retrato distópico da França pós-moderna, decadente e submissa às novas tiranias da gauche caviar ou do Islão activista.
São muitos os autores europeus que consideram a Correcção Política um fenómeno tipicamente americano e pouco susceptível de se instalar nas sociedades europeias, pelo menos de forma igualmente moralista e populista. Mas há factos que vão revelando que tem vindo a alastrar e a instalar-se na Europa, por moda e importação, sobretudo, como previra Marcuse, através dos chamados “mandarins” dos media ou intelectuais sistémicos, que os políticos (quase todos, mas não todos) têm medo de enfrentar.
Por cá as causas fracturantes da Correcção Política, e causas de vida ou de morte, são negociadas para passar orçamentos, como se de ninharias se tratassem. E as denúncias de racismo, directamente importadas dos Estados Unidos sem qualquer adaptação à nossa realidade, são mais um sinal das trágicas e mortíferas cópias servis que nos vão caracterizando.
Se a linguagem é indissociável do poder, como já defendiam Michel Foucault e Roland Barthes nos anos 60, é elucidativa e sintomática a evolução dos termos ou a sua progressiva purga com vista a uma maior pureza ideológica,
A Europa mostra também diferenças em termos de penetração da Correcção Política, sobretudo entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental. Afinal, é de “marxismo cultural” que se trata, e os povos do Leste, que viveram com o domínio oficial do marxismo, estão especialmente habilitados para o detectarem e são naturalmente mais sensíveis e refractários à nova táctica de agressão e domínio.
E se a linguagem é indissociável do poder, como já defendiam Michel Foucault e Roland Barthes nos anos 60, é elucidativa e sintomática a evolução dos termos ou a sua progressiva purga com vista a uma maior pureza ideológica, por exemplo, quanto à deficiência física: o invalid passou primeiro a handicapped e depois a disabled; e de disabled, que ainda implicava um qualquer padrão de normalidade em falta, passou ao mais tolerante diferently abled ou phisically challenged. Assim, espera-se que, pelo poder da palavra, o “cidadão portador de deficiência” aceite a sua diferença como uma carga exterior, um desafio ou um “salvo-conduto” de que é “portador”.
Mas os grandes progressos da Correcção Política foram na área da chamada Ideologia de Género. A tendência em ascensão, sobretudo nos países nórdicos, propõe que se reavalie o que “era” uma determinante natural e biológica – o sexo masculino ou feminino –, depois “encorajado e condicionado pela sociedade patriarcal”, e se reconsidere o “género” ou os “géneros” como uma “opção livre”, tomada a partir da idade da razão. Até lá, as crianças deverão ser educadas na indefinição e “sem condicionalismos”.
Esta libertação da biologia é claramente inspirada no “subjectivismo sexual” de alguns mentores da escola de Frankfurt. É também uma decorrência da sartriana “precedência da existência sobre a essência” ou uma radicalização da famosa expressão de Simone de Beauvoir de que “não nascemos mulheres, mas tornamo-nos mulheres”. Na escalada desta indeterminação natural e determinação cultural, sem bases científicas mas avançada em nome da Ciência e do Progresso, legitimam-se todas as opções patológicas, até as mutilações operadas cirúrgica e irremediavelmente, independentemente das suas causas e consequências traumáticas.
O que começou por ser parte de uma contra-cultura marginal é hoje uma quase ortodoxia institucional; pelo menos na simplista retórica dominante, apresentada populisticamente como percepção do futuro e sancionada ou em vias de sancionamento como doutrina oficial em vários países europeus e na ambiguidade de grandes organizações.
Termino com as palavras de um grande pensador, talvez o mais interessante e articulado pensador politicamente incorrecto do nosso tempo, e que nos deixou recentemente – Roger Scruton:
Uma vez identificados como de direita, passamos a estar fora do admissível: as nossas opiniões são irrelevantes, a nossa personalidade é desacreditada, a nossa presença no mundo passa a ser um erro. Não somos oponentes numa discussão, mas uma doença a erradicar. Esta tem sido a minha experiência.
Penso que esta terá sido também já a experiência de muitos os que me lêem. Mas não nos deixemos impressionar ou intimidar, não nos sintamos obrigados a apresentar desculpas ou a desistir. Até porque a Correcção mata o pensamento e o tempo de pensar crítica, criativa e livremente chegou para os incorrectos.
Nota: Este texto foi apresentado no dia 10 de Março na 2ª Convenção da Europa e da Liberdade, organizado pelo Movimento Europa e Liberdade, no painel “A ditadura do politicamente correcto e o domínio cultural da esquerda radical”.
Um dos painéis seguintes, que teve como titulo “A manipulação da esfera pública e o papel da comunicação social”, poderia ter partido da reportagem da  no Público de 11 de Março sobre a sessão em que participei.  Um excelente exemplo.