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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Profissão: "boy"


É uma história de proveito e exemplo e todos os pais a deveriam ler à noite aos filhos para que eles possam aprender que, ao contrário do que professores antiquados ainda ensinam na escola, não é com estudo e trabalho, ou com mérito, que se vai longe na vida.
Pedro era um petiz de palmo e meio e frequentava o ensino secundário. Vivia com o pai, funcionário do PS, numa casa da Câmara de Lisboa pagando 48 euros de renda.
Cedo percebeu que, se tirasse um curso superior, decerto acabaria como caixa de supermercado e, miúdo esperto, rapidamente deixou as aulas e se tornou, como o pai, funcionário partidário. Estava lançado na vida.
Algum tempo depois rescindiu o contrato e, assim desempregado "por motivo de reestruturação, viabilização ou recuperação da empresa [o PS], quer por a empresa se encontrar em situação económica difícil", obteve do IEFP 40 mil euros de subsídios para a criação da sua própria empresa - que nem precisou de ter actividade - e do seu próprio posto de trabalho. Meteu os subsídios ao bolso e arranjou "o seu próprio posto de trabalho" na Câmara de Lisboa a ganhar 3950 euros por mês como assessor político (o que quer que isso seja) de uma vereadora do PS.
O "Público", que traz a história do jovem Pedro, hoje com 26 anos e um grande futuro político pela frente, sugere que ela é ilegal e imoral. Deixará de ser quando quem faz as leis fizer também a moral. Não tardará muito. Manuel António Pina no
JN

sábado, 26 de junho de 2010

Entregues à bicharada


Em 1998, era Guterres primeiro-ministro, Portugal tinha o mais baixo poder de compra da Europa a 15 calculado em termos de PIB por habitante, honroso lugar que perdemos em 2004 e 2007 com o alargamento da UE aos países "pobres" do centro e leste europeus. De acordo com dados do Eurostat, o poder de compra dos portugueses andava então pelos 79% da média europeia. Guterres foi entretanto desta para melhor (muito melhor), veio Durão, que igualmente se foi para (muitíssimo) melhor, depois Santana, depois Sócrates e, 12 anos mais tarde, o poder de compra dos portugueses, em vez de aumentar... diminuiu, sendo em 2009 já só de 78% da média europeia. Como Groucho diria, partimos do nada e, numa dúzia de anos, conseguimos chegar à mais extrema miséria. Isto enquanto, tirando Malta, todos os países que em 1998 tinham, como Portugal, poder de compra inferior à média europeia convergiram com essa média ou a ultrapassaram. Durante esses gloriosos anos, fomos governados ora pelo PS (de 1998 a 2002 e de 2005 a 2009) ora pelo PSD e CDS coligados (de 2002 a 2005). Não há dúvida de que estivemos bem entregues. manuel antónio pina no jn