domingo, 25 de outubro de 2026

QUANDO A EXTREMA-ESQUERDA PERDE AS URNAS, OCUPA AS PRAÇAS

Da insurreição francesa às tendas portuguesas: a luta pelo monopólio da questão social e o desarmamento intelectual da democracia.

França dita a moda. Portugal importa os figurinos.

Na França, onde tantas das modas ideológicas europeias começam, a esquerda radical parece ter redescoberto uma evidência que durante décadas procurou disfarçar sob a sucessão interminável de emergências climáticas, palestinianas, identitárias e de género: a questão social continua a ser o grande campo de batalha da política contemporânea. O problema, para essas esquerdas, é que as Novas Direitas começaram a ocupar precisamente o território que a esquerda considerava propriedade sua — o dos trabalhadores, dos salários insuficientes, da precariedade, da habitação inacessível, das classes médias em empobrecimento e da insegurança perante o futuro.

Perante essa concorrência, e incapaz de recuperar facilmente nas urnas o eleitorado que perdeu, parte da extrema-esquerda francesa parece regressar ao seu velho repertório revolucionário: a mobilização permanente, o confronto com o Estado e a transformação de reivindicações sociais em instrumentos de contestação política generalizada. Os recentes acontecimentos franceses, com protestos sociais acompanhados de confrontos violentos e acusações governamentais de instrumentalização pela ultra-esquerda, mostram como a questão social pode voltar a ser disputada fora das instituições representativas.

Portugal, naturalmente, não poderia ficar sem a sua versão doméstica. Faltam-nos a dimensão, a tradição insurreccional e as particulares tensões dos subúrbios franceses, mas não faltam organizações políticas suficientemente disponíveis para experimentar a receita. E, desta vez, o pretexto escolhido foi a habitação.

A CRISE QUE SÓ DESCOBRIRAM DEPOIS DE PERDEREM O PODER

A geringonça chegou ao poder em 2015. António Costa permaneceu primeiro-ministro até 2024. Durante quase nove anos, o Partido Socialista governou, primeiro com o apoio parlamentar do PCP e do Bloco de Esquerda e, posteriormente, dispondo de uma maioria absoluta que os eleitores lhe concederam em 2022.

Foram anos suficientes para perceber que a habitação estava a transformar-se numa emergência nacional. A construção revelava-se insuficiente, as rendas subiam, os jovens viam adiada a sua autonomia, as famílias enfrentavam crescentes dificuldades e uma política migratória sem correspondência adequada no planeamento habitacional acrescentava pressão à procura, particularmente nas grandes áreas urbanas.

Portugal chegou a 2024 com mais de milhão e meio de residentes estrangeiros e o Banco de Portugal identificou, em 2026, um défice estimado em 300 mil habitações. São realidades distintas, mas relacionadas. A procura aumentou, a oferta não acompanhou o crescimento e o poder político preferiu, durante demasiado tempo, administrar a escassez em vez de enfrentar as suas causas estruturais.

A responsabilidade não pertence exclusivamente a António Costa nem começou em 2015. Mas seria uma notável falsificação da história política portuguesa pretender que os governos socialistas e os partidos que lhes garantiram estabilidade parlamentar não tiveram qualquer responsabilidade no agravamento de uma crise que agora denunciam com extraordinário fervor.

A habitação já era um problema quando a esquerda influenciava o Governo. A diferença é que, nessa altura, montar tendas contra os responsáveis políticos não parecia constituir uma prioridade revolucionária.

E eis que os mesmos sectores políticos que durante anos contribuíram, por acção, omissão ou cumplicidade parlamentar, para a situação existente descobriram subitamente a necessidade de salvar o povo das consequências de políticas que ajudaram a sustentar.

UMA TENDA NÃO É UM VOTO

Rui Ramos, no artigo Uma tenda não é um voto, publicado no Observador em 23 de Outubro, tocou no ponto fundamental desta encenação: a tentativa de transformar a ocupação de praças públicas numa legitimidade política concorrente daquela que resulta do sufrágio universal.

A questão merece ser levada mais longe. Numa democracia representativa, os cidadãos manifestam-se, protestam, organizam-se e procuram influenciar decisões políticas. Tudo isso é legítimo e indispensável. O que não podem é reclamar, apenas porque ocuparam uma praça, uma autoridade equivalente ou superior à das instituições democraticamente eleitas.

Quando uma chamada «assembleia popular», constituída por algumas dezenas ou centenas de activistas, se apresenta como interlocutora necessária dos poderes públicos, sem mandato eleitoral e sem representação demonstrada da população que invoca, estamos perante uma confusão deliberada entre participação cívica e representação política.

É precisamente aqui que a memória do PREC se torna particularmente útil. Quem viveu os anos de 1974 e 1975 conhece demasiado bem a retórica segundo a qual assembleias improvisadas, comissões autoproclamadas e organizações revolucionárias se arrogavam o direito de representar um povo que ninguém se dera ao trabalho de consultar eleitoralmente.

Não estamos perante uma repetição do PREC, mas reconhecemos a tentação ideológica: substituir a legitimidade das urnas pela legitimidade autoproclamada da rua.

A FLUTUABILIDADE POLÍTICA DA EXTREMA-ESQUERDA

Os recentes acontecimentos permitem recuperar aquilo a que tenho chamado Princípio da Flutuabilidade Política: quanto menor é o poder institucional de uma força política, maior tende a ser o valor que atribui à mobilização extra-institucional, desde que disponha de organizações, causas mobilizadoras e capacidade para transformar queixas concretas em injustiças colectivas.

Em linguagem menos académica:

Quando a esquerda, nas urnas, é lançada para a oposição, a pressão que vai exercer nas ruas tende a ser proporcional ao peso do poder perdido.

Não se trata de uma lei universal, mas de uma hipótese política que merece ser aplicada aos comportamentos de determinados sectores revolucionários. Perdida a capacidade de condicionar directamente o poder, procuram conquistar pela mobilização aquilo que o eleitorado lhes recusou.

Os protestos pela habitação oferecem um campo particularmente favorável. Existe um problema real, existem vítimas sociais identificáveis, há uma indignação perfeitamente compreensível e abundam os símbolos capazes de produzir imagens televisivas emocionalmente eficazes.

Juntam-se-lhes outras causas, da Palestina à contestação do capitalismo, numa convergência ideológica que revela muito sobre as prioridades de algumas organizações presentes. Nada impede um cidadão de defender simultaneamente a habitação e a causa palestiniana; o problema surge quando a reivindicação habitacional passa a servir de plataforma para uma agenda política muito mais vasta, sem que essa distinção seja claramente apresentada ao público.

O problema da habitação é real. A instrumentalização política desse problema também pode sê-lo. Confundir deliberadamente as duas coisas é precisamente aquilo que interessa aos agitadores e prejudica os cidadãos verdadeiramente afectados.

O JORNALISTADO E A SANTIFICAÇÃO DO ACTIVISTA

Durante demasiado tempo, uma parte significativa do jornalistado e do comentariado português habituou-se a tratar a chamada extrema-direita como uma ameaça permanente, enquanto concedia aos movimentos da extrema-esquerda o benefício quase automático da pureza democrática.

A linguagem é reveladora. Certos activistas tornam-se «a voz do povo», determinadas concentrações passam a «assembleias populares» e a presença de algumas centenas de manifestantes ganha uma representatividade que nunca foi eleitoralmente demonstrada.

Em contrapartida, quando a polícia intervém, a discussão desloca-se imediatamente das regras aplicáveis à ocupação do espaço público para a suspeita de repressão. Isso não significa que as intervenções policiais devam ficar imunes ao escrutínio, sobretudo quando existem denúncias de feridos ou uso excessivo da força. Significa, simplesmente, que o Estado de direito exige simultaneamente respeito pelos direitos dos manifestantes e respeito pela legalidade, pela proporcionalidade e pelos direitos dos restantes cidadãos.

A função do jornalismo não é canonizar manifestantes nem absolver antecipadamente autoridades. É investigar, contextualizar e distinguir os factos das narrativas interessadas.

Quando essa distinção desaparece, a informação transforma-se numa extensão involuntária — ou politicamente conveniente — da propaganda.

E A DIREITA? CONTINUA COM MEDO DA PRÓPRIA SOMBRA

Talvez a observação mais perturbadora de Rui Ramos seja a que diz respeito ao comportamento das instituições e dos responsáveis políticos situados à direita.

Perante as tendas, as palavras de ordem e a pressão mediática, demasiados responsáveis parecem preocupar-se menos com a afirmação serena da autoridade democrática do que com a possibilidade de serem acusados de insensibilidade social, autoritarismo ou, naturalmente, do inevitável fascismo.

E assim surge a habitual coreografia portuguesa: declarações de solidariedade, elogios ao direito de manifestação, convites ao diálogo e um embaraço quase cerimonioso perante a necessidade de fazer cumprir regras.

A direita não tem de pedir desculpa por reconhecer a crise da habitação, nem necessita de pedir autorização à extrema-esquerda para defender a ordem pública.

Quanto ao CHEGA, importa distinguir duas realidades. A aproximação às Novas Direitas e a recuperação da questão social constituem uma evolução política que merece atenção e que tenho procurado analisar, sem que isso implique adesão partidária. Porém, recuperar a questão social não significa aceitar que as convulsões organizadas por sectores ideológicos adversários definam a sua orientação política.

O episódio da lei das rendas demonstra justamente a dificuldade desse equilíbrio: defender os inquilinos vulneráveis e os trabalhadores sem desproteger os proprietários, sem comprometer a oferta habitacional e, sobretudo, sem confundir a opinião pública com a pressão exercida por minorias especialmente ruidosas.

Uma Nova Direita que pretenda disputar a questão social à esquerda tem de possuir pensamento próprio, propostas próprias e coragem para as defender. Caso contrário, limitar-se-á a seguir a agenda de quem ocupa a praça com maior eficácia televisiva.

A DEMOCRACIA NÃO SE GOVERNA A PARTIR DE UMA TENDA

Há uma última questão, talvez a mais importante de todas, que ultrapassa a habitação, as manifestações e as habituais disputas partidárias.

Uma democracia não é apenas um conjunto de leis e instituições. É também um sistema de legitimidade, assente em ideias claras, responsabilidades identificáveis e vontades políticas suficientemente firmes para defender as decisões democraticamente tomadas.

É precisamente essa confiança que parece faltar a uma parte considerável do actual regime.

As instituições hesitam em afirmar a sua autoridade. Os governantes receiam exercer os poderes de que dispõem. A comunicação social confunde frequentemente mobilização com representatividade. E determinadas organizações políticas parecem convencidas de que, se não conseguem conquistar influência suficiente nas urnas, poderão recuperá-la através da ocupação permanente do espaço público.

A resposta democrática não pode consistir em proibir o protesto, mas também não pode ser a abdicação do Estado perante quem protesta.

A verdadeira questão é saber se as instituições portuguesas ainda possuem capacidade intelectual e política para distinguir uma reivindicação legítima de uma pretensão ilegítima de substituir a representação democrática.

A habitação resolve-se com construção, investimento (principalmente privado), planeamento, segurança jurídica e políticas sociais eficazes. Não se resolve pela multiplicação de tendas nem pela transformação das praças públicas em simulacros de parlamentos revolucionários.

E, enquanto os partidos que contribuíram para o problema se entretêm a representar o papel de seus salvadores, a ironia torna-se cruel: os portugueses continuam sem casas, mas os responsáveis políticos descobriram uma inesgotável reserva de indignação.

No fim de contas, a extrema-esquerda pode montar todas as tendas que entender. O que não pode é exigir que a democracia se ajoelhe para entrar nelas.

José Costa-Deitado

ReVisões — 23 de Outubro de 2026

Referências que sustentam o artigo

A investigação permite relacionar os textos apresentados com acontecimentos muito recentes:

Quem são e o que querem?

Da reivindicação de uma casa à ambição de deitar abaixo o regime

Há uma pergunta que o jornalistado deveria fazer antes de oferecer a uma tenda o estatuto de tribuna nacional: quem fala, em nome de quem e com que objectivo? A dificuldade em pagar uma renda merece respostas concretas; um programa de destruição das instituições merece perguntas igualmente concretas. Quando se confundem as duas coisas, a informação transforma-se em publicidade e a necessidade de uns passa a servir a ambição política de outros.

Pelo discurso atribuído a  um manifestante em vídeo que circula nas redes, a habitação seria apenas uma parcela de uma crise universal que incluiria o clima, a economia, o racismo e o machismo, tudo explicado por um culpado único: o capitalismo. A solução acompanharia a dimensão do diagnóstico: destruir o Estado, a polícia, o capital, os tribunais e os média, admitindo que o protesto desembocasse numa insurreição violenta. Se é este o programa, convém apresentá-lo ao público por inteiro, em vez de o embrulhar na expressão confortável de “luta pela habitação”.

Não sabemos que representação tem aquele interveniente, nem seria sério atribuir as suas palavras a todos os manifestantes. Mas também não seria sério ignorar o conteúdo político de um discurso apenas porque foi pronunciado à sombra de uma causa social legítima. Quem pede uma renda comportável e quem anuncia a destruição dos tribunais podem ocupar a mesma praça; não estão necessariamente a defender o mesmo projecto.

A biblioteca da revolução de bolso

Apetece perguntar se, entre tantas palavras de ordem, ainda sobra tempo para Camilo, Júlio Diniz ou Herculano — e se Marx, Engels e Lenine são lidos para além das frases que cabem num cartaz. A pergunta é irónica; o problema é sério: um vocabulário revolucionário não substitui o conhecimento da sociedade que se pretende reconstruir. Repetir “capitalismo”, “opressão” e “revolução” pode produzir uma intervenção televisiva; dificilmente produz uma política de habitação.

Circulam, entretanto, manuais de apoio legal e de desobediência civil. A sua existência não demonstra preparação terrorista: conhecer direitos, deveres e consequências legais faz parte da cidadania. A questão política começa quando se pretende converter a preparação para desobedecer numa licença moral para impor decisões aos outros. Conhecer as garantias do Estado de direito não concede o direito de as destruir para quem discorda.

Eis uma pergunta que mereceria tempo de antena: depois de abolidos os tribunais, quem protegeria o cidadão contra a arbitrariedade dos revolucionários? Uma assembleia de braço no ar? Uma comissão escolhida pelos mais persistentes? Ou o porta-voz que, tendo descoberto a causa de todos os males, se considerasse dispensado de prestar contas?

Três gerações e uma promessa quebrada

A minha geração, hoje septuagenária e octogenária, conheceu dificuldades que não precisam de ser inventadas para valorizar o passado. Muitos começaram com pouco e conseguiram melhorar de vida, sustentados pela convicção de que os filhos viveriam melhor. O trabalho, a poupança e o sacrifício tinham um horizonte reconhecível.

É esse horizonte que hoje parece fugir a muitos jovens. Estudar, trabalhar e cumprir as regras já não lhes garante, em condições razoáveis, a possibilidade de sair de casa dos pais ou constituir família. A gravidade desta situação não diminui por terem existido barracas, sobrelotação e pobreza habitacional noutras décadas. O progresso mede-se também pela distância entre aquilo que uma sociedade promete e aquilo que efectivamente permite alcançar.

A interrogação de Helena Matos, nos excertos apresentados, atinge precisamente este ponto: que sacrifícios esperam os jovens quando deixarem de o ser? Defender hoje uma medida porque tem um rótulo generoso pode significar pagar amanhã uma factura incomportável. As pensões precisam de financiamento, a dívida exige serviço e uma casa precisa de ser construída, conservada e disponibilizada. Nenhuma destas obrigações desaparece por aclamação.

Também seria absurdo reduzir uma geração inteira aos acampamentos. Há jovens que protestam, jovens que emigram, jovens que trabalham em silêncio e jovens que procuram nas Novas Direitas respostas que deixaram de encontrar nos partidos tradicionais. Uma praça ocupada não constitui uma amostra representativa da juventude portuguesa, por muito que a realização televisiva encontre nela os seus melhores enquadramentos.

A crise tem história; a propaganda prefere culpados

André Abrantes do Amaral recorda, no excerto citado, que a crise não surgiu do nada: houve escolhas, perda de empresas, empregos e capacidade no sector da construção. Essa perspectiva obriga a discutir decisões e consequências, tarefa bastante mais exigente do que encontrar um inimigo com nome sonante.

A crítica de João Adrião à fabricação de um estado permanente de emergência merece igualmente atenção. Quando tudo é apresentado como catástrofe sem precedente, o debate fica vulnerável à promessa de soluções excepcionais. Mas denunciar o alarmismo exige reconhecer a dificuldade real: quem entrega uma parte esmagadora do salário por um quarto não precisa de propaganda para perceber que tem um problema.

A resposta séria deve disputar as soluções e explicar os seus custos. Quantas casas se podem construir? Que obstáculos atrasam a oferta? Como se protege quem não consegue pagar? Que incentivos permitem recuperar imóveis? O revolucionário de serviço tem uma vantagem televisiva: responde a todas estas perguntas com a mesma palavra — capitalismo — e fica dispensado de apresentar contas.

O PREC com equipamento novo

Miguel Pinheiro questiona o encantamento perante uma suposta novidade política; Miguel Morgado chama a atenção para a facilidade com que o discurso revolucionário encontra acolhimento mediático. Os dois problemas encontram-se quando a ocupação da rua passa a ser apresentada como uma forma superior de representação.

Quem viveu o PREC reconhece o mecanismo: a vanguarda proclama-se intérprete do povo e procura transformar a sua capacidade de mobilização em autoridade sobre os restantes cidadãos. Mudaram os meios de comunicação e algumas bandeiras; permanece a tentação de substituir o voto pela pressão.

É aqui que ganha utilidade o princípio da flutuabilidade política: quando uma força perde influência institucional, pode procurar compensá-la através da mobilização extra-institucional. Trata-se de uma hipótese para interpretar comportamentos, não de uma lei automática; exige observar quem organiza, que objectivos declara e como procura converter descontentamento em poder.

Em França, Macron atribuiu a grupos de ultra-esquerda a intenção de fazer cair a República, distinguindo essa actuação da delinquência. A acusação do Presidente francês deve ser apreciada com os respectivos elementos; não pode ser transferida automaticamente para Portugal. Mas torna difícil continuar a tratar qualquer discussão sobre violência revolucionária como uma fantasia reaccionária.

A pergunta que falta fazer

A liberdade de manifestação merece protecção, incluindo quando incomoda o Governo. Essa liberdade também permite perguntar aos manifestantes o que pretendem fazer com o poder que reclamam. O dever jornalístico começa precisamente onde termina o encanto com o cenário.

Quem anuncia a destruição do Estado deve explicar que autoridade o substituirá; quem ameaça os tribunais deve explicar como assegurará justiça; quem admite a insurreição deve responder pelos meios que propõe. A indignação social não dispensa nenhuma destas perguntas.

Portugal precisa de casas, de salários que permitam pagá-las e de governantes capazes de enfrentar os obstáculos que ajudaram a acumular. Precisa também de perceber quando uma reivindicação está a ser usada para recrutar adeptos de um projecto que vai muito além dela.

Quem promete resolver a falta de casas destruindo os tribunais já revelou a sua prioridade: antes de alojar o povo, quer despejar a democracia.

sábado, 17 de outubro de 2026

os putos, as chavalas e o jornalistado

esqueceram que o Pacote laboral também foi rejeitado com chumbo do Chega 
(...e da Esquerda) 
Só PSD, CDS e IL votaram a favor

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

incancelável!

 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

o amigo de Ronaldo escreve-nos ...

O longo comunicado no qual Cristiano Ronaldo justifica o abandono do estágio da selecção é uma criação extraordinária.
É simultaneamente transparente e ínvio, alegadamente humilde e despudoradamente egocêntrico, supostamente conciliador e descaradamente assassino. (…)
Estará Ronaldo a querer regressar à selecção ou a empurrar Jorge Jesus para fora dela? (…)
Segundo a cartilha de CR7, Jorge Jesus deveria admitir que errou “ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo”.
Deveria dizer que deseja “muito o Cristiano na Seleção Nacional”, e depois agradecer-lhe profundamente por ter tido a sua confiança no Al-Nassr e na selecção. (…)
Teria ainda de declarar que Cristiano não recebe lições suas de “Amor a Portugal”.
E tudo isto com o tom certo e a devida contrição, matéria em que Jesus parece ter falhado clamorosamente, e que levou Ronaldo a chamar o seu aviãozinho privado.
Ainda mais espantoso: quando revemos a conferência de imprensa de JJ na Dinamarca, ele refere quase tudo o que CR7 lhe pediu. (…)
Mas nem isso satisfez o ego estratosférico de um jogador que hoje ocupa o lugar 1265º do mundo em valor de mercado, e o 51º em Portugal.
Dir-me-ão: isso é porque ele está muito velho.
Precisamente: está muito velho.
O corpo está nos 41, e Ronaldo agarra-se com unhas e dentes ao estatuto dos 31, quando levava seis anos consecutivos a marcar entre 50 a 60 golos por época. (…)
O comunicado de CR7 é o pedido de desculpas mais arrogante da História dos pedidos de desculpas.
Ele até pode continuar a ser um exemplo para a nossa juventude.
Mas só virado do avesso: um exemplo de tudo aquilo que os nossos filhos não devem fazer.”