quinta-feira, 24 de novembro de 2022

thanksgiving

para lembrar o que o politicamente correcto nos quer fazer esquecer!

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Quem são os nomeados de Medina? (por Mariana Espírito Santo)

O ministro das Finanças já avançou com algumas nomeações polémicas para instituições do Estado. Escolhas para reguladores trouxeram continuidade.

Quando o ministro das Finanças assumiu o cargo, tinha à sua espera uma lista de nomeações para fazer. Fernando Medina tem vindo a preencher os postos em instituições relevantes para o funcionamento de setores como a banca, os mercados e os seguros e algumas das nomeações têm gerado polémica, nomeadamente pelas ligações que tinham com o governante, quando este era presidente da Câmara de Lisboa. Quem são as pessoas escolhidas por Medina para as instituições sob a tutela das Finanças?

Entre as primeiras nomeações do ministro encontra-se o novo presidente da Estamo, a empresa gestora do património do Estado. Medina escolheu, em julho, o antigo diretor de Gestão Patrimonial da Câmara Municipal de Lisboa, António Furtado, para o cargo, um dos seus “homens de confiança”.

Esta foi logo uma nomeação bastante questionada, já que António Furtado estará a ser investigado num inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) por alegado envolvimento em atos de corrupção e tráfico de influências, segundo noticiou o Nascer do Sol. António Furtado terá sido alvo de escutas da PJ, mas assegurou ao jornal que não é arguido nem nunca foi ouvido neste processo.

A nova administração da Estamo inclui ainda José Realinho de Matos, vice-presidente da Parpública e ex-vice-presidente da Carris, Metropolitano de Lisboa, Transtejo e Soflusa.

Entretanto, surgiu uma nova nomeação polémica para a Estamo, como avançou o ECO em agosto. Fátima Madureira, atual presidente da Agência para a Modernização Administrativa (AMA) e ex-chefe de gabinete de Fernando Medina quando este era presidente da Câmara de Lisboa, foi escolhida para vice-presidente da Estamo.


Isto mesmo depois de a antiga chefe de gabinete de Medina ter assumido o cargo de presidente da AMA sem ter sido escolhida pela Cresap, a comissão independente que avalia os candidatos a altos dirigentes do Estado. Fátima Madureira foi nomeada para o cargo em regime de substituição em 2020 e quando o concurso foi aberto, em janeiro de 2021, candidatou-se, mas não foi uma das escolhidas pela Cresap para a shortlist de três candidatos depois apresentada ao Governo.

Medina preenche administrações dos reguladores financeiros com quadros do BdP

As grandes nomeações seguintes prenderam-se com os supervisores e reguladores. As escolhas recaíram sobre a academia, bem como profissionais que estavam já nas instituições ou provenientes de outros reguladores. Muitos dos nomes escolhidos para os supervisores têm em comum a passagem pelo Banco de Portugal (BdP), sob a alçada de Mário Centeno.

Para administração do Banco de Portugal, que vai passar a ter sete elementos, Medina escolheu Clara Raposo, atual presidente do ISEG, como vice-governadora. A professora, que segundo o Observador é próxima de Mário Centeno, estava indicada para o conselho de administração do BCP, como não executiva, no entanto o seu nome não chegou a ser proposto ao BCE (a indicação para o BdP terá sido o motivo para tal). Era também presidente do conselho de administração da Greenvolt, mas vai interromper para assumir o lugar na administração do banco central.

Luís Máximo dos Santos é reconduzido no cargo de vice-governador, enquanto o administrador Hélder Rosalino já tinha visto renovado o mandato de administrador. Quanto aos restantes administradores que compõem a equipa do governador do BdP, Mário Centeno, são eles Francisca Guedes de Oliveira, Helena Adegas e Rui Miguel Pinto.


Clara Raposo, presidente do ISEG, foi nomeada para vice-governadora do Banco de Portugal. Chegou a ser falada para a administração do BCP, como não executiva, mas acabou por não se realizar.

Luís Laginha de Sousa era administrador do Banco de Portugal e foi o escolhido para substituir Gabriel Bernardino na liderança da CMVMHugo Amaral/ECO

Diogo Alarcão era CEO da Mercer e passou para a frente da ASF



Hélder Rosalino viu renovado o mandato de administrador do BdPHugo Amaral/ECO



Francisca Guedes de Oliveira era docente na Católica Porto Business School e membro da direção da AICEP. Já colaborou com o PS, mas rejeita que isso afete a sua “idoneidade e independência”: “É certo que colaborei com o Partido Socialista, publicamente, no cenário macroeconómico, e não escondo que já participei em outros fóruns de discussão, sempre na qualidade de técnica, não foi nunca numa qualidade política”, disse, durante a audição no Parlamento.

Por sua vez, Helena Adegas sobe na hierarquia do banco, visto que, até agora, era diretora do departamento de mercados, enquanto Rui Pinto, que pertencia à administração da CMVM, regressa à casa de origem, onde atuou como diretor adjunto do Departamento de Supervisão Prudencial entre 2014 e 2016, devendo agora assumir o mesmo pelouro no conselho de administração.



Já pela CMVM, Luís Laginha de Sousa, que até aqui atuava como administrador do supervisor financeiro, foi o escolhido para substituir Gabriel Bernardino na liderança da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Entre 2005 e 2016 esteve ligado à Euronext Lisbon, primeiro como administrador e depois como presidente. Em 2017 foi nomeado administrador do Banco de Portugal para um mandato que terminou em setembro. Tinha os pelouros da estabilidade financeira e dos recursos humanos.

Caminho inverso fez Inês Drumond, que deixa a direção do Departamento de Estabilidade Financeira do BdP e passa a vice-presidente do supervisor dos mercados. A CMVM terá ainda como administradores, além de José Miguel Almeida, Juliano Ferreira, atual diretor do Departamento de Emitentes da CMVM, e Teresa Maria Gil, vinda da Autoridade Tributária e Aduaneira.

Às escolhas presidiram critérios de competência e conhecimento, tendo presentes objetivos de renovação dos conselhos de administração, e de garantia de equilíbrios entre géneros, idades e áreas de especialização. Fernando Medina Ministro das Finanças

Medina avançou também com nomeações para a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), mas eram nomes que já eram falados anteriormente: Diogo Alarcão e Adelaide Cavaleiro, ambos já aprovados pela Cresap.

Alarcão era CEO da Mercer Portugal, sendo que antes disso foi assessor do Presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (2003-2006) e diretor da Direção de Investimento Internacional do ICEP (1996-2003). É licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa e concluiu um mestrado em Administração Comunitária no Colégio da Europa, Bélgica. Foi na Comissão Europeia onde iniciou a sua carreira profissional.

Já Adelaide Cavaleiro era diretora do BBVA Asset Management, a gestora de ativos do banco espanhol em Lisboa. Licenciada em Matemática pela Universidade de Lisboa e com um MBA pela Universidade Católica, trabalha em Fundos de Pensões e sua gestão desde 1992, já na sociedade especializada do BBVA.

Quando finalizou as nomeações, em setembro, o ministro das Finanças salientou em comunicado que “o Governo atribuiu elevada prioridade ao provimento dos lugares vagos nos conselhos de administração dos três reguladores do sistema financeiro português, um processo que ficou concluído em menos de seis meses após a tomada de posse”.

“Às escolhas presidiram critérios de competência e conhecimento, tendo presentes objetivos de renovação dos conselhos de administração, e de garantia de equilíbrios entre géneros, idades e áreas de especialização”, assegurou Medina, acrescentando que “com este passo, ficam garantidas as condições de funcionamento regular dos supervisores, o que constitui mais um fator de confiança para a economia e para o sistema financeiro português”.

Entretanto, os escolhidos para o BdP e ASF já foram ouvidos na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, que tem de elaborar um parecer sobre as nomeações. Já as audições aos nomeados para a CMVM realizam-se esta quarta-feira no Parlamento, ocorrendo mais tarde porque tiveram de passar pelo crivo da Cresap.

O ministro das Finanças já escolheu também o sucessor de Cristina Casalinho à frente do IGCP, a entidade que gere a dívida pública nacional. É Miguel Martin, que estava na concessionária de autoestradas Ascendi e foi administrador financeiro da Águas de Portugal entre 2016 e 2019, período em que coincidiu com o secretário de Estado João Nuno Mendes quando era presidente daquela empresa pública.

Novo presidente do IGCP, Miguel Martín, era gestor na Ascendi

O novo líder do IGCP entrou a 1 de setembro, a receber o mesmo salário que auferia enquanto gestor da Ascendi, graças a uma autorização do ministro das Finanças. O Estatuto do Gestor Público prevê que os gestores “podem optar pela remuneração do lugar de origem, mantendo as regalias ou benefícios remuneratórios que aí detinham” quando “ocorrer autorização expressa do membro do Governo responsável pela área das Finanças”.

Além disso, novo conselho de administração do IGCP conta com mais dois elementos: Rita Granger manteve-se como vogal, posição que ocupa desde 2019 e Rui Amaral transitou da unidade de investimento da Caixa Geral de Depósitos (Caixa BI).

A nomeação que não chegou a ser

Neste rol de escolhas de Medina existiu ainda uma nomeação muito polémica que acabou por não se concretizar, a de Sérgio Figueiredo, para consultor na área da avaliação das políticas públicas. Foi Sérgio Figueiredo quem contratou o atual ministro para comentador quando era diretor da TVI.

Figueiredo teria um salário de 140 mil euros por dois anos de contrato, o que corresponderia a 5.800 euros por mês, um valor superior ao salário base do próprio ministro das Finanças, segundo foi noticiado na altura.

Além da questão salarial, as funções que o antigo presidente da Fundação EDP iria desempenhar já eram realizadas por um outro organismo do Estado, o centro de competências de planeamento do Estado (PlanAPP).


O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, durante uma entrevista à Agência Lusa, na TVI, Queluz, Sintra.José Sena Goulão / LUSA 12 Março, 2019

As reações políticas não se fizeram esperar, tanto por causa do salário como do perfil para a função anunciada, que era de certo modo “repetida” dentro do Estado, e Sérgio Figueiredo acabou por renunciar ao cargo. O ministro das Finanças reagiu à decisão dizendo que lamentava “não poder contar com o valioso contributo de Sérgio Figueiredo ao serviço do interesse público”.

Fernando Medina começou por dizer que não iria procurar um nome para desemprenhar as funções que seriam atribuídas a Sérgio Figueiredo, apesar de defender a necessidade de alguém para este papel. Mas depois acabou por reverter essa posição e disse, em entrevista à RTP1, que a vaga continuava em aberto.

domingo, 23 de outubro de 2022

Capas

Eram assim há um ano as Capas dos Jornais quando havia/não havia crise politica por via do OE2022!
Pareceu-me que a esquerda e, especialmente, a extrema-esquerda estavam, "à francesa", a começar  a cavar as suas sepulturas...



quinta-feira, 20 de outubro de 2022

a "madrugada sangrenta" e a "Camioneta Fantasma"

teoricamente faz parte do programa do 9º ou do 12º anos de escolaridade. Nos "manuais" e no "guião para os professores" do chamado Ministerio da Educação não merece mais que meia dúzia de linhas...
mas
Há 100 anos a I República vivia a “noite sangrenta” e a sua morte moral. Não é possível compreender o Estado Novo sem conhecer essa violência infame, mas nas nossas escolas pouco se fala desses dias.
Se considerarmos que todos os assassinados eram antigos "sidonistas e opositores dos democráticos do Partido, com esse nome, do Afonso Costa podemos inferir quem foram os mandantes...

quarta-feira, 29 de junho de 2022

PRP/BR: finalmente a história nua e crua de roubos e homicídios

Manuel Castelo-Branco é o autor de um artigo extenso no Observador acerca do grupelho de extrema-esquerda PRP/BR que nos anos setenta do século que passou espalhou morte, destruição e roubou milhões ao erário público, em nome de uma utópica revolução socialista.

Os seus responsáveis mais directos foram um tal Carlos Antunes, já falecido e uma certa Isabel do Carmo, por aqui já mencionada várias vezes e que ainda anda por aí, até nas televisões a contar a versão dela que tem muito que se lhe diga e este artigo diz. Muito e arrasador.


O artigo tem esta conclusão:
O autor compilou um quadro que resume as acções deste grupelho de extrema-esquerda e que em poucos anos, no final dos setenta, amealhou uma maquia superior a sete milhões de euros, em roubos. O destino desse dinheiro não é claro, como o autor refere, mas a tal Isabel do Carmo sabe muito bem o que lhe fizeram.












sábado, 23 de abril de 2022

Ventura "eleito" líder da Oposição

Parlamento renovado, a mesma conclusão de sempre: nota negativa para a Oposição. Mas há uma novidade: André Ventura é, nesta altura, quem tem mais "votos" como líder da Oposição ao Governo. 
O vazio de Poder no PSD ajuda a explicar a situação. Rui Rio está de saída, mas ainda não tem substituto nos sociais-democratas. E ainda falta mais de um mês para que os militantes sejam chamados a fazer a sua escolha. Ventura vence em quase todos os segmentos geográficos, de género, de idade e de classe social. A única excepção é a Região Norte, onde o mais apontado é Rio. No caso dos segmentos por voto partidário, a situação é diferente. Sendo que os eleitores do PSD apontam, também eles, Ventura como líder da Oposição, enquanto os do PS ainda percepcionam Rui Rio como o principal rival. Cotrim de Figueiredo (liberais), Catarina Martins (BE) e Jerónimo de Sousa (PCP) vencem entre os seus eleitores (os dois primeiros por escassa margem).

FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM
A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, JN e TSF, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade política.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 12 e 18 de abril de 2022 e foram recolhidas 807 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal.
Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 807 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 3,45%).

terça-feira, 19 de abril de 2022

Eu Lembro-me !

Há coisas que não se esquecem. E uma delas é a forma como o PS toma conta do Estado. O senhor engenheiro José Sócrates é apenas um produto dessa forma de exercício do poder.
[por isso “eu também me lembro”
“de e 2007 o então ministro da Administração Interna, António Costa, e o secretário de Estado, José Magalhães, terem iniciado um blogue na própria página do ministério da Administração Interna para responderem aos comentadores que estavam a quebrar o unanimismo sobre a infalibilidade governamental” e que, no meu caso responderam com arrogancia às largas centenas de entradas com a etiqueta “pintodesousa” no meu blog ReVisões. O pedido de resgate de 6 de Abril de 2011 veio dar-me razão!.
Mas o que mais me chateia é agora tentarem convencer-me que toda aquela gajada que esteve no governo com o corrupto Pinto de Sousa não “deu por nada!”. A estes também lhes junto os “inomináveis” que ainda os continuam a apoiar nas urnas e na imprensa a que temos direito.  história não lhes perdoará!.

Eu lembro-me desses dias em que a mentira passou a inverdade.
Eu lembro-me de em 2007, algumas semanas após a publicação pela imprensa das notícias sobre as irregularidades da licenciatura de José Sócrates, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros e então ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva, denunciar o que classificava como “jornalismo de sarjeta”. Foi José Sócrates quem o obrigou?
Eu lembro-me de quando aqueles que questionavam os procedimentos do primeiro-ministro José Sócrates eram automaticamente tratados pelo PS como reaccionários, antipatriotas, bota-abaixistas e tremendistas. Em 2021 o PS continua a praticar esses exercício.
Eu lembro-me de em 2007 o então ministro da Administração Interna, António Costa, e o secretário de Estado, José Magalhães, terem iniciado um blogue na própria página do ministério da Administração Interna para responderem aos comentadores que estavam a quebrar o unanimismo sobre a infalibilidade governamental. Foi José Sócrates quem os forçou a isso?
Eu lembro-me de o PS não se ter indignado com a suspensão de um funcionário da Direcção Regional de Educação do Norte por este ter feito um comentário jocoso sobre a licenciatura do primeiro-ministro. Estaria o PS com medo de Sócrates para não reagir?
Eu lembro-me de em 2007 terem passado quase dois meses para que os jornais quebrassem a cerca sanitária dessa época: aquela que mantinha restrita à blogosfera a informação sobre o processo académico de Sócrates. O PS ainda se lembra do que os seus históricos disseram sobre essas notícias?
Eu lembro-me de António Costa, enquanto ministro da Administração Interna do governo de Sócrates, defender a criação de um Conselho Superior de Investigação Criminal a ser presidido pelo primeiro-ministro,José Sócrates. O modo de funcionamento desse conselho colocaria numa posição subalterna o Procurador-Geral da República. O PS esqueceu-se deste episódio?
Eu lembro-me dos argumentos criados pelos socialistas para justificarem aqueles telefonemas de assessores do governo furibundos a quem assinava artigos críticos para com o Governo. Vão agora dizer que Sócrates os hipnotizava para produzirem esses argumentários?
Eu lembro-me de em 2007, após as notícias sobre a licenciatura de José Sócrates, Arons de Carvalho, no semanário Expresso, concluir que “a violação das regras deontológicas não pode continuar impune” e Vital Moreira falar em “décadas de impunidade deontológica”. O PS já esqueceu?
Eu lembro-me de o PS não mostrar o mínimo interesse pelas denúncias de corrupção que surgiam desde 1997 sobre o licenciamento da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Cova da Beira assinado por José Sócrates, então secretário de Estado do Ambiente. Já era José Sócrates quem os impedia de perguntar?
Eu lembro-me de o director da PJ, Santos Cabral, ter sido afastado e enxovalhado em 2006 pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, e pelo primeiro-ministro, José Sócrates. O PS não teve um pequeno sobressalto ao conhecer os contornos desse afastamento e as referências de Santos Cabral à intervenção do executivo na PJ? (Ah já me esquecia esse era o tempo em que o PS vivia indignado com o classificava como abuso das escutas telefónicas por parte da PJ!)
Eu lembro-me do mutismo com que o PS reagiu em 2009 quando se soube que tinha sido ilegalmente destruído o processo da adjudicação e concessão da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Cova da Beira. Vai o PS dizer que foi enganado?
Eu lembro-me de o ex-inspector da PJ que denunciou o caso Freeport ser condenado a oito meses de prisão e ao pagamento de uma multa. O PS estou certa que também se lembra.
Eu lembro-me de a Procuradoria Geral da República arquivar o inquérito à licenciatura de José Sócrates, embora não conseguisse explicar como um certificado com data de 1996 podia estar redigido num impresso só possível de existir depois de 1998. O PS já esqueceu o que disseram várias das suas mais destacadas figuras na altura? Foi Sócrates quem lhes pôs as palavras na boca?
Eu lembro-me de, no último dia de Junho de 2008, Dias Loureiro e António Vitorino terem apresentado a biografia de Sócrates, escrita pela jornalista Eduarda Maio. “O menino de ouro do PS”, título do livro, reproduz a expressão por que Sócrates era tratado por muitos socialistas, indiferentes a tudo o que já se sabia sobre José Sócrates desde o final dos anos 90. O PS continua a querer que acreditemos que havia um governo que nada sabia daquilo que José Sócrates fazia?
Eu lembro-me de o PS, na campanha eleitoral de 2009, apresentar como uma mentira nascida de motivações ocultas tudo o que questionasse José Sócrates. O PS ainda se lembra disto ou sofre de amnésia?
Eu lembro-me de a PT ser usada para entrar no capital da TVI de modo a alterar-se a linha editorial daquela estação e torná-la mais amigável para o Governo. E lembro-me de o PS achar isso normal.
Eu lembro-me de a administração da TVI dar ordens para ser cancelado o Jornal Nacional de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes. E lembro-me muito bem de ouvir e ler socialistas e compagnons a declararem o seu apoio a este afastamento.
Eu lembro-me de em 2010 apenas o Correio da Manhã ter avisado os seus leitores de que o primeiro-ministro impusera como condição não ser confrontado com o caso Freeport no âmbito das entrevistas que ia dar a propósito da iniciativa “Governo Presente”. O PS sempre solidário com José Sócrates passou a usar depreciativamente a expressão “jornalismo à Correio da Manhã“.
Eu lembro-me de a PT ser usada para entrar no capital da TVI de modo a alterar-se a linha editorial daquela estação e torná-la mais amigável para o Governo. E lembro-me de o PS achar isso normal.
Eu lembro-me de a administração da TVI dar ordens para ser cancelado o Jornal Nacional de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes. E lembro-me muito bem de ouvir e ler socialistas e compagnons a declararem o seu apoio a este afastamento.
Eu lembro-me de em 2010 apenas o Correio da Manhã ter avisado os seus leitores de que o primeiro-ministro impusera como condição não ser confrontado com o caso Freeport no âmbito das entrevistas que ia dar a propósito da iniciativa “Governo Presente”. O PS sempre solidário com José Sócrates passou a usar depreciativamente a expressão “jornalismo à Correio da Manhã“.
Eu lembro-me de ouvir os socialistas classificarem como aleivosias as notícias sobre as casas cujos projectos Sócrates terá assinado, embora os donos das mesmas casas não o confirmassem. O PS pretenderá agora que foi José Sócrates quem os convenceu a fazer tal figura?
Eu lembro-me de José Sócrates, na qualidade de primeiro-ministro (demissionário) ter contactado formalmente a troika, composta pelo FMI, BCE e Comissão Europeia, a 6 de Abril de 2011, a solicitar um empréstimo no valor de 78 mil milhões de euros. E lembro-me como pouco depois o PS começou a criticar não só a troika como o programa que negociara com ela e que o governo seguinte teve de aplicar.
Eu lembro-me de ver os socialistas acotovelando-se em torno de Sócrates em cada sessão de anúncio de mais um plano revolucionário para o país: o MIT, os PIN, TGV, os Magalhães, as Novas Oportunidades, o choque tecnológico… O PS também não esqueceu porque continua a apostar no anúncio do anúncio e na inauguração do inaugurado, sem perguntar sobre o como nem o porquê.
… Há coisas que não se esquecem. E uma delas é a forma como o PS toma conta do Estado. José Sócrates é um produto dessa forma de exercício do poder.(in “Eu lembro-me” por Helena Matos)

quarta-feira, 6 de abril de 2022

uma Cruz de Cristo (evocativa da presença portuguesa na Primeira Grande Guerra)

Em Ambleteuse foi ainda efetuada uma homenagem à memória dos soldados portugueses caídos em combate entre 1916 e 1918, junto do monumento existente naquela cidade.


terça-feira, 29 de março de 2022

E o comentador do regime está de Ministro da Cultura!

Pedro Adão e Silva usa o apelido materno em vez do paterno. O seu avô foi um reconhecido maçon republicano que deixou bem carimbado o apelido ‘Adão e Silva’. Pedro surfa a onda.

Cardoso Pereira são os apelidos do comentador político e desportivo, na televisão, na rádio e nos jornais, indicado por António Costa para comissário executivo das comemorações do 50º aniversário da revolução do 25 de Abril. Mas ninguém o conhece pelos apelidos herdados do pai, porque Pedro optou por se fazer conhecer publicamente pelos de sua mãe, Adão e Silva, cujo pai foi um influente republicano e maçon, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano.
O casamento entre a família Adão e Silva e o poder não é coisa deste século. O avô materno de Pedro – Armando Adão e Silva – foi figura proeminente no combate ao salazarismo e um destacado membros das elites burguesas de esquerda da segunda metade do século XX.
Já Pedro Adão e Silva, pertencente à mesma elite, é um conhecido comentador da nossa praça. Associado à defesa intransigente do PS, tem plataforma pública nacional há vários anos em sítios como o RTP, TSF, Expresso, Sport TV e Record.
É possível que o seu apelido lhe tenha facilitado a vida. A verdade é que, devido à importância que o seu avô teve nos meios revolucionários, carregar o apelido Adão e Silva em círculos de esquerda é bastante diferente do que, por exemplo, carregar o apelido Cardoso Pereira, do pai. Para a esquerda portuguesa, ‘Adão e Silva’ significa status, como reconhece ao Nascer do SOL_um histórico militante socialista e maçon.

Grão-mestre, do PS à AD
Armando Adão e Silva não foi apenas um destacado anti-salazarista. Foi, sobretudo, um proeminente maçon. Nasce em Lisboa em 1909 e em 1931 forma-se em Direito pela Universidade de Lisboa. Passados quatro anos é iniciado na maçonaria pela Loja da Liberdade nº 197,com o nome Mestre de Avis, mantendo-se na clandestinidade até 1974. Em 1968, juntamente com Luís Dias Amado, forma os Pentágonos – células paramaçónicas cujo objetivo era o de difundir o espírito da maçonaria junto da juventude. Após o 25 de Abril teve um papel importante na reorganização do Grande Oriente Lusitano, tendo sido também importante no processo de devolução do Palácio Maçónico (conquistando-o ao PPD, que quase logrou ter ali a sua sede). Em 1981 viria a suceder a Dias Amado como grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, cargo em que se manterá até 1984.

Também comemorou um centenário: o da República
Em 1943, Armando Adão e Silva e um conjunto de intelectuais de esquerda fundam a União Democrato-Socialista, núcleo antifascista que mais tarde viria a fundir-se com o Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista e formar a União Socialista. Ainda nesse século, foi uma das principais vozes a favor da entrada de Portugal na NATO.
Em 1959 é preso – uma situação que, dois anos mais tarde e devido a ter sido um dos 62 signatários do ‘Programa para a Democratização da República’, voltaria a repetir-se. A sua calcorreada republicana acabaria por juntá-lo a um grupo de influentes opositores do regime, composto por advogados, médicos, maçons e republicanos, onde constavam figuras como Mário Soares, Nuno Rodrigues dos Santos,Mayer Garção, Mário de Azevedo Gomes, Joaquim Bastos, Carlos Pereira, Piteira Santos, Armando Castanheira ou Acácio Gouveia. E é com este grupo que, em 1960, viria a assinalar o cinquentenário da República, através de um almoço comemorativo que decorreu no restaurante Colombo, como exposto numa das fotografias que acompanha este texto (Adão e Silva é o segundo em pé da esquerda para a direita). O mesmo «grupo de republicanos» deslocar-se-ia ainda aos Jerónimos para depositar «ramos de flores nos túmulos de Teófilo Braga, Herculano, Garrett e Junqueiro», tal como o Diário de Lisboa noticia a 4 de Outubro de 1960.
Dá-se, portanto, a coincidência de, em 1960, Armando Adão e Silva ter integrou as comemorações do cinquentenário da República e Pedro Adão e Silva, em 2024, ser o comissário oficial das comemorações do cinquentenário do 25 de Abril.
Armando Adão e Silva, em 1976, integrou, com Adelino Palma Carlos, o extinto Partido Social-Democrata Português (a razão para a confusão entre os nomes PPD/PSD), de onde sairia diretamente para o Partido Socialista. Contudo, a sua passagem pelo PS foi sol de pouca dura: em 1978 sai e, juntamente com António Barreto, Medeiros Ferreira, Francisco Sousa Tavares e outros, integra o ‘Grupo dos Reformadores’ – grupo que juntar-se-ia à Aliança Democrática nas eleições intercalares de 1979, acabando por eleger Armando Adão e Silva como deputado por Aveiro.
De notar ainda que Armando Adão e Silva foi Presidente da Associação de Futebol de Lisboa e membro do Conselho Jurisdicional do Sport Lisboa e Benfica. Um ‘benfiquismo’ que Pedro Adão e Silva perfilha, tendo sido candidato a vice-presidente do clube pela lista de Noronha Lopes em 2020.
Após receber a Comenda da Ordem da Liberdade em 1980 e ser agraciado como Grande-Oficial da Ordem de Mérito em 1989, viria a morrer, em Lisboa, em 1993.

O menino de ouro de Ferro Rodrigues
E Pedro Adão e Silva? Quem é e como se tornou alguém tão acarinhado dentro do PS? Um histórico socialista explicou-nos qual foi o seu percurso no partido, garantindo-nos que «todos têm pena» de que ele se tenha ido embora tão novo. Explicou-nos, por exemplo, que a ala que o apadrinhara politicamente foi a ala divergente da de Mário Soares, camarada do avô Adão e Silva. Trata-se da ala do «sótão do Guterres»: composta pelo próprio, Ferro Rodrigues, Jorge Sampaio e Vitor Constâncio, que «em nada tem a ver com a ala maçónica republicana do Armando» e que conspirou contra Soares até 1985, tomando conta do partido após a sua saída.
Explica a mesma fonte que Pedro Adão e Silva «tem uma ascensão meteórica mais por causa de Ferro Rodrigues» do que pelo nome de família: «Quando Ferro chega a secretário-geral do PS vai buscar dois jovens que vêm do ‘grupo do ISCTE’: Adão e Silva e Paulo Pedroso». Adão e Silva era apontado como o mais «equilibrado e ponderado», começando, por isso, a «brilhar» no partido. Contudo, quando Sampaio decide não antecipar eleições e Ferro se demite, Adão e Silva «desilude-se, sai do PS e desiste da política».
Mas a mesma fonte acredita que esta sua nomeação, por escolha direta de António Costa, vai de encontro à ideia de Adão e Silva estar próximo do poder e, contudo, nunca o representar. E considera a defesa «acérrima» e «com erros» de Marcelo «estranha», ironizando que isso talvez seja um sinal de uma aproximação ao PSD – fazendo, então, assim o mesmo percurso político de seu avô.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Uma outra visão de Portugal

Portugal é dos poucos países no mundo que poderia fechar as suas fronteiras e viver bem, possivelmente até melhor do que vivemos agora, pois a natureza dá-lhe uma grande riqueza, que contém tudo o que é necessário para que a sua população pudesse viver feliz e em paz!

A maior parte dos portugueses desconhece que o seu “pobre” país possuí:
A maior Zona Económica Exclusiva da UE, que é tão grande como todo o continente europeu. É muito mar com muito peixe onde outros pescam.
80% de solo arável, mas está quase em completo abandono.
Invejável rede hidrográfica a nível mundial.
Grandes reservas de água doce, em aquíferos subterrâneos, quase inesgotáveis.
As maiores reservas de ferro, da UE, de excelente qualidade.
As maiores reservas de cobre da Europa (segundas do mundo).
As maiores reservas de tungsténio (volfrâmio) da Europa.
As maiores reservas de lítio da Europa.
As maiores reservas de terras raras.
As segundas maiores reservas de urânio da Europa.
Grandes reservas mineiras de ouro, prata e platina.
Grandes reservas de carvão mineral de excelente qualidade.
E as incomensuráveis riquezas que as águas do Atlântico escondem.
Uma das maiores reservas de petróleo da Europa ,que ja vão ser exploradas na costa do Algarve, por companhias alemãs e espanholas. Vão pagar a Portugal apenas 20 cêntimos de dólar por barril, (imagine-se, cêntimos), quanto o mesmo barril de crude já passou há muito tempo os 100 dólares, é mesmo negócio à político português.
Reservas de gás natural, que para o consumo de Portugal, dão pelo menos para 100 anos sem precisar de ninguém.
Isto é apenas a ponta do Iceberg que circula pela Internet, somando todos os recursos naturais, Portugal, na sua “dimensão vs potencial”, é possivelmente um dos países mais ricos da UE e é levado à ruína pelos seus governantes, que em vez de explorarem todos esses recursos de forma ordeira e sem interesses pessoais dos executores, ou nada fazem, ou praticamente os oferecem.

quarta-feira, 16 de março de 2022

16 de Março de1974: Golpe das Caldas

Houve má camaradagem no 16 de Março, ditada pelo “salve-se quem puder” quando o quartel das Caldas estava cercado e os oficiais se deram conta que estava tudo perdido. Alguns não disfarçaram o medo, muitos sentiram-se desorientados e poucos se mantiveram firmes. Mas a ética castrense impede, mesmo 40 anos depois, que se aponte o dedo aos que tiveram um comportamento menos digno, apesar de alguns deles se mostrarem hoje vaidosos por terem participado num golpe que visava derrubar a ditadura.
É certo que não era fácil para um grupo de jovens oficiais afrontar um regime repressivo que acabaria – nesse dia – por levar a melhor. Consta que na messe de oficiais do RI5, pouco antes da rendição, as bebidas já se tinham esgotado. O dia acabara mal e o ambiente, na hora da rendição, era bem diferente do entusiasmo febril que ali se vivera durante a madrugada.
A história começa no dia anterior, 15 de Março, às 21 horas, quando a mulher de um dos oficiais do regimento vem à porta de armas do quartel entregar uma mensagem para o marido. No envelope vem a Ordem de Operações enviada por telefone por um major do Movimento das Forças Armadas o qual, vindo de Lisboa já se encontra a caminho das Caldas para o confirmar presencialmente. A mensagem diz que unidades do Norte se sublevaram e marcham sobre a capital e que o Regimento de Infantaria 5 deverá dirigir-se também para Lisboa para ocupar o aeroporto.
Um grupo restrito de oficiais mais comprometidos com o movimento reúne-se na 4.ª companhia e decide aderir à revolução. Dois deles, apesar do quartel estar de prevenção, saem à cidade e vão chamar oficiais amigos às suas casas. Passa pouco da meia-noite quando dois tenentes e um capitão, protegidos por camaradas que montam segurança nos corredores e nas escadas, entram no comando do quartel. Um deles leva uma pistola na mão, mas nota que o segundo-comandante também o recebe de pistola em punho.
“Tenha calma, Varela. Vamos conversar”. É assim que reage o segundo-comandante, que baixa a pistola. Um dos tenentes vai acordar o comandante da unidade, que estava num quarto ao lado. Os dois coronéis revezavam-se no comando da unidade porque sabiam dos ventos de rebelião. O comandante do RI5 é detido em pijama. A pistola que tinha na mesa de cabeceira é prudentemente retirada por um dos jovens oficiais, que mais tarde contará que o coronel, estupefacto, nem fez perguntas. Juntam-se, rebeldes e comandantes, numa sala numa conversa que se prolonga durante quase duas horas. Os sublevados ainda tentam convencer os comandantes a aderir à causa, mas sem êxito.
Cá fora há uma quase euforia. A maioria dos oficiais adere entusiasticamente e os que não estão de acordo também não se opõem nem boicotam a acção dos seus camaradas. Um major reúne os soldados e faz-lhes um discurso inflamado. Dezanove anos depois dirá: “Quando eu acabei o discurso a dificuldade foi em conseguir que ficasse alguém no quartel. Até tivemos que tirar gajos das viaturas pois todos queriam ir”.
O Regimento de Infantaria 5 (hoje Escola de Sargentos do Exército) tinha uma companhia operacional, pronta para combate, mas que naquele dia estava reduzida a um terço. A força entretanto criada acaba por ser constituída, em grande parte, por instruendos do curso de sargento miliciano, sem grande experiência. Um factor que não foi muito valorizado pelos cabecilhas do movimento porque uma das características do quartel das Caldas era possuir nas suas fileiras oficiais com experiência de combate no Ultramar e grande capacidade de liderança.
Viagem de ida e volta
A coluna parte para Lisboa pelas 4 horas da manhã. É composta por 14 Berliets e alguns Unimogues e GMCs, num total de 24 viaturas. Está convencida que os quartéis de Lamego, Santarém e Mafra também se sublevaram e vão a caminho de Lisboa, mas a poucos quilómetros da capital, pouco antes das portagens (que na altura eram em Sacavém) constata que marcha sozinha. São dois majores do Movimento das Forças Armadas que vão ao seu encontro para os informar que o golpe falhara e, corajosamente, se lhes juntam no regresso às Caldas da Rainha, onde chegam pelas 10 horas das manhã. Pelo caminho avistam na auto-estrada (que só ia até Vila Franca de Xira) uma coluna da GNR que passa por eles em grande velocidade, supostamente em sua perseguição, mal se dando conta que afinal estavam a cruzar-se com os seus perseguidos. Próxima das Caldas da Rainha, a coluna é sobrevoada por um avião que, após algumas voltas, se retira.
Pouco depois de terem entrado no quartel, este é cercado por forças de Leiria e de Tomar, da Escola Prática de Cavalaria de Santarém (a mesma que iria ter um papel decisivo no 25 de Abril), e também da Policia Móvel e GNR, para além, claro, de elementos da PIDE. Em inferioridade numérica, os militares cercados procuram capitalizar o tempo a seu favor, na esperança de que esta tentativa de golpe tivesse repercussão nacional e internacional. Na verdade viria a tê-la nos dias seguintes, sobretudo na imprensa estrangeira que referiu o golpe como um prenúncio de algo que estaria para acontecer. Alguns jornais, para irritação do regime, contextualizavam a situação portuguesa: militares sublevados num país que vivia sob ditadura e mantinha em África uma guerra contra movimentos de libertação.
Um episódio pouco conhecido durante o cerco foi um contacto de um oficial da Força Aérea que terá dito aos seus camaradas: “Aguentem aí que eu vou para Monte Real e ponho os aviões no ar”. Uma promessa não cumprida, mas que levou os militares cercados a prolongar a rendição, apesar de já lhes ter sido cortada água, luz e telefone. Do lado de fora do quartel, o comandante das forças de cerco, um brigadeiro com 76 anos fiel ao regime, ameaçava bombardeá-lo. As horas passam, para espanto da população caldense que, com o receio próprio de quem vive numa ditadura, circunda o quartel na expectativa de notícias.
A maioria dos oficiais estava segura que jamais os seus camaradas disparariam contra eles (a maioria das tropas que os cercavam acabaria por fazer o 25 de Abril 40 dias depois). Um tenente contou que, através de uma das guaritas do quartel das Caldas chegou à fala com outro oficial conhecido das tropas de cerco e que este lhe garantira: “Fica descansado que não vai haver tiros”. Mas os militares do RI5 compreendem que a situação lhes era desfavorável e que não havia mais nada a fazer.
Pelas 17h00 rendem-se e as forças de cerco entram na unidade. Os oficiais com a patente de tenente (inclusive) para cima são reunidos na biblioteca do quartel, onde ouvem um sermão do brigadeiro: “Congratulo-me pela maneira como se renderam pois se assim não tem acontecido não teria qualquer hesitação em bombardear o quartel. Lamento que numa unidade pela qual tenho um apreço especial, se tenha passado um caso destes. Espero que os senhores reflictam na insensatez do acto e saibam suportar as consequências”.
Entretanto, na messe de oficiais são detidos os alferes e aspirantes. E no refeitório dos praças, os sargentos, cabos e soldados. Estes serão todos recambiados para Santa Margarida, onde serão mal recebidos e maltratados após uma noite de viagem em camiões militares e depois de praticamente duas noites sem dormir.
Para os oficiais aguardava-os um autocarro que os levaria para Lisboa. Os mais comprometidos com a tentativa de revolução assumem as responsabilidades e procuram ilibar os camaradas, dizendo que estes apenas cumpriram ordens. Mas de pouco lhes serve. A maioria é enviada para o RALIS, em Lisboa e os mais envolvidos com a tentativa de golpe de Estado seguem para o presídio da Trafaria.
“Curso intensivo” na prisão
O autocarro é escoltado por viaturas militares e pela PIDE. Lá dentro, junto ao condutor, um tenente-coronel, armado com uma pistola com munição na câmara, faz toda a viagem de pé e até muda um oficial mais corpulento que ia no banco da frente por outro mais franzino, receando algum ataque.
Nos dias passados na Trafaria os oficiais mais implicados no 16 de Março vivem entre dúvidas e certezas. Só podem ver a família uma hora por semana. Ocupam o edifício mais isolado do complexo, onde podem circular livremente, mas nunca em contacto com os restantes presos. A maior parte do tempo era passado a conversar, a discutir, a situação deles e do país, a imaginar o que iria ser o futuro, a ler e a jogar damas e xadrez. “A prisão une os homens. Tínhamos discussões, trocávamos ideias, foi um autêntico curso intensivo. Todos saímos de lá com mais maturidade”, diria um dos oficiais anos mais tarde.
Todos, porém, tinham uma profunda convicção de que o Movimento das Forças Armadas não os iria abandonar e que a revolução teria de acontecer. Na verdade, o golpe das Caldas acabaria por servir de ensaio para as operações militares do 25 de Abril. E acabaria também por acelerar os seus preparativos, dado que havia camaradas do movimento que urgia libertar.
A libertação aconteceria no próprio dia 25, confirmando uma dica que alguém tinha soprado a um dos oficiais durante uma visita – “Tem calma pá, não vais passar o teu aniversário [27 de Abril] na prisão”.
Foi a tropa de Vendas Novas (e não os fuzileiros nem o esquadrão de Estremoz, conforme chegou a estar previsto) que na tarde do dia 25 de Abril ocupou a Trafaria e libertou os oficiais que, a partir desse momento, passaram a ocupar importantes cargos operacionais no MFA.
Do ponto de vista militar, o “golpe das Caldas” teve importância na preparação das operações do 25 de Abril. Do ponto de vista político, há leituras diversas, sendo a mais corrente a de que se tentou de um golpe spinolista destinado a abafar a revolução em marcha. Uma tese que, no entanto, é rejeitada pela maioria dos oficiais que nele participaram. O certo é que o general Spínola manda dizer aos oficiais detidos na Trafaria que se a tropa lhes cortasse os vencimentos, os direitos de autor do seu livro Portugal e o Futuro ser-lhes-iam oferecidos.
Medeiros Ferreira diz que o 16 de Março esteve para o 25 de Abril como o 31 de Janeiro esteve para o 5 de Outubro, mas que a história por vezes é impiedosa e que o 16 de Março foi injustamente esquecido.
Não é o caso hoje, 40 anos depois, com um primeiro-ministro a assinalar a efeméride, ainda que nas comemorações oficiais do seu partido. E com uma conferência de um historiador conotado com a direita que deverá trazer uma nova abordagem à intentona das Caldas da Rainha.
http://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2022/03/16-de-marco-de1974-golpe-das-caldas.html


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domingo, 13 de março de 2022

Putin, as jogadas até à invasão da Ucrânia

Em mais de 20 anos de poder, Putin geriu a relação com o Ocidente com minúcia, perpetuando a ideia de uma ameaça externa constante.

sábado, 22 de janeiro de 2022

os bufos

Há quem só veja nestes episódios recentes o zelo de impor o cumprimento rigoroso das regras sanitárias. 
Para nós mais velhos e com memória, voltaram os informadores: Serão os filhos ou os netos dos “bufos” da PIDE/DGS revertidos em informadores da PSP/DGS para em breve passarem a avençados de uma qualquer PVDE… 
Seis amigos estão a ver pela televisão um jogo de futebol em casa de um deles quando, subitamente, alguém lhes bate à porta — era a polícia, que veio dispersar o grupo, alertada para uma “festa ilegal” por um dos vizinhos. Um professor universitário dá aula com transmissão online, numa sala-de-aula ampla e a grande distância dos poucos alunos presentes, tirando por momentos a máscara — e, passado algum tempo, a polícia interrompe a aula para o multar, tendo esta sido alertada do gesto por denúncia anónima. Três jovens encontram-se para conversar e beber uma cerveja, depois de jantar, numa praceta lisboeta — e rapidamente aparece a polícia para os dali expulsar, após queixa de um transeunte que os avistou. [...] 
Mas entrelinhas de cada episódio emerge um padrão muitíssimo mais inquietante: a emergência da delação, a proliferação de denúncias anónimas, a instauração da vigilância social e o enfraquecimento da comunidade por via da desconfiança partilhada entre concidadãos. (in “ Os Bufos“ por Alexandre Homem Cristo) 
A proliferação de delatores e bufos assinala uma ameaça latente à nossa vida democrática. 
Primeiro, lembra-nos que o tecido social com que se cose uma sociedade democrática é muito mais frágil do que gostaríamos de imaginar. [...] 
Segundo, recorda-nos como damos por certo um amor à liberdade que demasiadas vezes não existe [e onde] a lógica dominante é simples e nada tem de liberal: a minha vida ninguém controla, mesmo que eu controle a vida dos outros. [...] 
Terceira, a proliferação de bufos deve alertar as instituições democráticas para o seu dever de resistência a todas as formas de violação da liberdade. 
[...] é forçoso criticar, por exemplo, a Universidade de Lisboa, que optou por não se pronunciar após um incidente em que teve a polícia a entrar numa faculdade, interromper uma aula e multar um professor. Num caso tão grave quanto este, o silêncio institucional legitima que um espaço privilegiado de liberdade fique sujeito a controlo social e a denúncias anónimas — algo que, escusado será recordar, traz más memórias.
(publicado no Observador em 22 de Outubro de 2020)

domingo, 9 de janeiro de 2022

sábado, 8 de janeiro de 2022

BAIZUO, o GRAND RESET ...

Nascido em 2020, talvez devido ao surto pandémico, pouco se tem falado ou escrito sobre este tema. Dele não formulo qualquer opinião mas registo o aparecimento de uma teoria que aparentemente não faz sentido, mas…

Segundo o BAIZUO, o GRAND RESET seria usado para introduzir mudanças políticas de carácter totalitário, dentro da chamada Nova Ordem Mundial, após a eleição de Joe Biden.
Em Novembro de 2020, o documentário negacionista francês Hold-up, de Pierre Barnérias, que teve uma difusão viral, lançou a hipótese segundo a qual o Great Reset constituiria um plano mundial de controle, manipulação e destruição da população, com base na pandemia de Covid-19 e no 5G.
Segundo essa teoria, “elites financeiras” e os dirigentes mundiais planearam uma pandemia, deixando deliberadamente o coronavírus se espalhar a fim de criar as condições necessárias a uma reestruturação política do mundo. Tal alegação se baseia nas palavras do director do Fórum Económico Mundial, Klaus Schwab : “a crise do Covid-19 representa uma grande oportunidade para reformar o sistema”, que ele explica também em seu livro A Quarta Revolução Industrial.[10] Segundo a teoria da conspiração, o principal objetivo da Grande Reinicialização seria assumir o controle político e económico mundial, instaurando um regime totalitário marxista e, por extensão, a Nova Ordem Mundial
Ainda de acordo com a “teoria”, tal regime aboliria a propriedade privada e os direitos de propriedade, mandaria os militares ocuparem as cidades, impondo a vacinação obrigatória, e criaria campos de isolamento para as pessoas que se opusessem a isso. 
Entre os exemplos que, segundo os partidários dessa “teoria”, provam a existência de um complô, são citados: um artigo do WEF, de 2016, que descreve a vida em 2030; o slogan da campanha de Joe Biden, Build Back Better ('Reconstruir melhor'), e o discurso do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, em 20 de setembro de 2020. De acordo com The Daily Dot, trata-se apenas de um discurso ilustrativo de como criar um mundo mais justo e sustentável 
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

"Costa, Ferro e a Casa Pia" O branqueamento!

Grande foi o escândalo porque Ventura tocou numa tecla à qual eu sou sensível, 
se houvesse exigência cívica em Portugal, Costa e Ferro Rodrigues, apanhados a procurar interferir na investigação de um caso de alegada pedofilia, não teriam condições para continuar na vida política. 
(Miguel Alçada Baptista no feicebuque)