sexta-feira, 2 de julho de 2021

Os Segredos do Costa!

Vimos recentemente uma série de 3 reportagens da SIC sobre o CHEGA a que chamaram de “A Grande Ilusão“. Quem viu este “trabalho jornalístico” pôde verificar o esforço hercúleo com que se tentou colar este partido a tudo quanto é radicalismos, racismos, xenofobias e nazismos, numa clara manipulação de factos usando meias verdades para criar (estes sim) a ilusão de que estamos num perigo eminente de regresso ao fascismo (que eles demonstraram não saberem sequer o que é e de onde nasceu). 

Quem foram buscar para fundamentar a teoria? Alguns dissidentes ressabiados e esquerdistas. 

Que narrativa utilizaram? A propaganda usada pelos marxistas de chamar aos adversários aquilo que eles são na realidade para colar um rótulo que, depois de repetido incessantemente, provoca a dúvida e o medo nos cidadãos pouco informados. 

Porque o fizeram durante a campanha às presidenciais? Porque esta reportagem serviu uma agenda de desacreditação de um partido que ameaça o sistema instituído. 

Adiantou alguma coisa? Tudo indica que não porque o CHEGA não pára de crescer o que significa que neste momento, grande parte dos portugueses já não come gelados com a testa e finalmente já percebem que tudo não passa de uma campanha abusiva de difamação.
 
Se estivéssemos perante um jornalismo de INVESTIGAÇÃO sério e sem agenda política, o PS teria sido o primeiro alvo (por antiguidade) logo seguido do BE e PCP muito muito antes de qualquer escrutínio ao CHEGA. E porquê? Simples: há uns anos um grande escândalo abalou o PS com um dos seus fundadores a denunciar num livro o que o PS realmente era na prática. Viu algum jornalista – além daquele corajoso Joaquim Vieira que ousou fazer uma reportagem sobre isto e foi demitido -, a fazer investigação? Não. Porque não há jornalismo. Só avençados. O livro vendeu 30 mil exemplares no dia em que saiu a público, esgotou mas o PS logo tratou de o retirar de circulação para logo de seguida perseguir o seu autor, Rui Mateus, obrigando-o a fugir do país. Hoje não se sabe do seu paradeiro. 

A VERDADEIRA Grande Ilusão nasceu e continua ( não são caves, são catacumbas) no PS de forma assombrosa e com ramificações perigosas. Se ainda não conhece os factos, eu mostro aqui alguns: 
O Livro de Rui Mateus “Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido” é o mapa que nos leva até às catacumbas de um partido que, de partido não tem nada, só a fachada. Aqui viajamos pela sua fundação, financiamentos obscuros, corrupção activa, nepotismo, maçonaria e tantas outras coisas que envergonham qualquer pessoa de bom senso. Eis algumas passagens retiradas dos resumos do Aventar: 
1.1 Sobre a fundação do partido 
«Corriam rumores entre os exilados de que Mário Soares só não aceitara o convite do director de campanha de Marcello Caetano, Guilherme de Mello e Castro, para integrar as listas da ANP, em 1969, porque pretendia a garantia de um lugar no governo. O fundador da ASP e primeiro líder do movimento, Mário Soares, reconhece para ele próprio a influência do socialismo humanista e cooperativista de António Sérgio e até o pensamento estalinista do seu antigo professor, Álvaro Cunhal. A verdade é que, contrariamente ao que acontecia pelo resto da Europa, e até na vizinha Espanha com o Partido Socialista Operário fundado por Pablo Iglésias, em Portugal, a Acção Socialista, primeiro, e o Partido Socialista, a partir de 1973, para além dos textos de Mário Soares que iriam sendo «oficializados», nada têm que ver com os grandes movimentos socialistas da classe operária do fim do século dezanove. A precursora do Partido Socialista não tinha qualquer passado histórico. Nascera na década de 60 um pouco como quem regista uma patente por iniciativa de um grupo de conspiradores de «operações», a sua maioria ligados à Maçonaria, e de alguns teóricos influenciados pelo PCP, como foi o caso de Salgado Zenha e do próprio Vitorino Magalhães Godinho. A evolução teórica do movimento, mais de três décadas após a sua constituição, é assim essencialmente caracterizada mais por razões empíricas de conveniência dos seus operacionais do que pelas teses dos seus «ideólogos» ou pelos princípios doutrinários que emanam do socialismo democrático. Esta caracterização, que viria a ficar célebre quando o líder da oposição, Francisco Sá Carneiro, acusou o então primeiro-ministro Mário Soares de «meter o socialismo na gaveta» com a finalidade de se manter no poder através de uma coligação com o partido democrata-cristão, CDS, verifica-se frequentemente na prática seguida desde 1964. Seria mesmo motivo de algum desdém por parte dos sociais-democratas norte-europeus que consideravam verdadeiramente ridícula a constante necessidade de demarcação dos socialistas portugueses em relação à social-democracia, a cuja família queriam pertencer embora afirmassem ser socialistas democratas e não sociais-democratas. Era um maneirismo influenciado por François Mitterrand, que a Internacional Socialista considerava uma expressão de retórica e pura hipocrisia, com o objectivo de parecerem mais progressistas aos olhos do mundo. Era aliás um sintoma típico do Sul da Europa, que um proeminente político norte-americano, anos mais tarde, comentaria com ironia, em termos semelhantes aos de Sá Carneiro. Mas não obstante a «subtil» distinção e a demarcação progressista dos seus principais dirigentes, a verdade é que a adesão dos socialistas portugueses à Internacional Socialista representa o ponto mais alto do movimento no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974. Na história do PS, a sua filiação internacional sobressai destacadamente da manifesta «pobreza» do seu passado. O PS, «sobrevivente apagado dos anos 30, que não resistiu, como organização autónoma, à repressão e clandestinidade, que no final da Segunda Grande Guerra era constituído apenas por um pequeno grupo de abencerragens, sem qualquer influência real no País». 
1.2 Sobre os financiamentos 
“No seguimento da Conferência de Estocolmo, aumentaram as delegações que vieram a Portugal exprimir o seu apoio ao PS, sendo os apoios financeiros normalmente canalizados através da já referida conta na Holanda. Por vezes, contudo, o dinheiro vinha das maneiras mais improvisadas, tendo eu assistido, em casa de Tito de Morais, a uma entrega por parte de uma delegação sueca que acabara de chegar e que, de repente, começou a triar maços de notas dos bolsos de cada um dos membros da delegação. Nessa altura ainda Carlos Carvalho era tesoureiro do Partido, mas era assessorado por José Manuel Duarte. A partir de certa altura, Carvalho, que fora fundador do PS em Bad Munstereifel, desapareceria para sempre da cena política, passando essa tarefa para Fernando Barroso, que acabara de chegar de Moçambique, onde vivera durante muitos anos. A partir de então Fernando Barroso ocupar-se-ia desse cargo, assim como da administração financeira das Fundações ligadas ao Partido, até ao IV Congresso em 1981. O secretário-geral tinha entretanto saído do Governo e ao ocupar-se do dia-a-dia do PS, compreendera a importância das finanças, que controlaria rigorosamente através do seu cunhado. Uma das medidas adoptadas nesta área seria a progressiva descapitalização da conta na Holanda, movimentada por José Neves e a abertura de uma conta pelo próprio secretário-geral no Bank fur Gemeinwirtschalf em Frankfurt. Esta conta a que Gunter Grunwald chamaria «contas especial do Mário» só seria encerrada anos mais tarde e, pelo que consegui apurar, movimentaria somas consideráveis. (…) 

Naquele período, a resistência ao PCP representava um verdadeiro sorvedouro de dinheiro, que Mário Soares ia mandando entregar por intermédio dos seus colaboradores. E bem melhor do que a minha memória, os meus registos mostram as seguintes entregas em dinheiro para acções de resistência ao PCP: a 23 de Setembro, 300 contos depositados na conta da Associação António Sérgio e, nesse mesmo dia, 1000 contos entregues a Gustavo Soromenho para o jornal «A Luta». No dia 27 de Setembro, 1000 contos entregues ao cunhado de Mário Soares, José Manuel Duarte. Depois, ao tesoureiro do PS entregaria 1000 contos a 30 de Setembro, 2000 contos a 28 de Outubro e 500 contos a 11 de Novembro. A 20 de Novembro, seriam entregues quinhentos mil escudos mais. No rescaldo do 25 de Novembro, certamente para pagar despesas pendentes, seriam entregues a 1 de Dezembro 1800 contos à Administração Financeira do PS e, a 4 de Dezembro, mais 500 contos ao tesoureiro Carlos Carvalho. 

Evidentemente que não conheço a totalidade do conteúdo das caixas de biscoitos, nem os movimentos das contas de Frankfurt e da Holanda, nem, tão-pouco, outras verbas relacionadas com este período, oriundas dos americanos ou as que o ex-presidente Carlos Andres Perez disse ter entregue a Mário Soares. Consegui, contudo, apurar que antes da reunião de Estocolmo Rolf Theorin mandaria transferir para a conta na Holanda mais meio milhão de coroas suecas. Também o PSD da Dinamarca enviaria mais 304 690$00 em Março e 29 734 coroas em Setembro.” 
1.3 sobre transparência 
«Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos «pilares morais» do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo grave, de algo subversivo.» 
1.4 sobre corrupção e tráfico de influências 
“O chamado caso do «fax de Macau» ou caso «Emaudio» dar-me-ia o último argumento de peso para escrever este livro. A propósito de um conflito, em nada diferente dos conflitos que devassam o interior dos partidos políticos portugueses e que se prendem com situações de poder; a propósito de um financiamento político relativamente «insignificante» e em nada, a não ser no montante, diferente dos que têm sido feitos ao longo dos últimos vinte anos a partidos políticos e organizações afins, confundiu-se a árvore com a floresta e iniciou-se a investigação à corrupção em Portugal de tal forma que, ao contrário do que tem acontecido noutros países europeus, se inviabilizaria o conhecimento da verdade e, como tal, o combate à corrupção. Em vez de se optar por um esclarecimento idóneo e completo, a que os Portugueses têm direito, sobre o estado da Nação em matéria de tráfico de influências e de corrupção, cortando o mal pela raiz ou, caso se verificasse que a verdade poderia ser fatal, a Assembleia da República em acto público entendesse fazer um acto de contrição para bem da democracia, criando moratórias e regras novas, o Ministério Público parece ter assumido a responsabilidade de definir o interesse nacional. Produzindo uma acusação sem provas numa total inversão de valores e, mesmo admitindo a convicção do investigador em relação a um crime que não existiu, ignorando a máxima de Séneca: «quem, podendo, não manda que o delito se não faça, manda que se faça». 
1.5 Sobre ignorância financeira, nepotismo e outras coisas… 
“No dia em que chegara ao governo, Soares «não percebia nada de economia, podia ser um ás na política mas na economia era um zero» e dada «a forma displicente com que [tratava] dos números que traduzem a realidade económica, trocando os milhões e os milhares», muitos se perguntavam se «deveria ter sido [ele] o primeiro-ministro do I Governo Constitucional, apesar de o Partido Socialista ter ganho as eleições» 
“O embevecimento com que Soares tratava algumas dessas pessoas demonstrava a sua própria ignorância em relação às áreas que ele não dominava. Particularmente acintosos eram os frequentes elogios a Vítor Constâncio que, vindos de um homem que admitia que «na economia era um zero», feririam o orgulho de Salgado Zenha que tinha sido ele próprio ministro das Finanças.” 
“Com algumas excepções, as suas escolhas para formar o I Governo seriam verdadeiramente desastrosas e aquele governo, no seu conjunto, nunca chegaria a ter uma esperança de popularidade. Sempre obcecado com o poder, «aquilo que ele, efectivamente, nunca descentralizará», começa então a por à prova a sua própria receita. Assegura o controlo pessoal das finanças do partido através do seu cunhado, que tem ordens absolutas de não permitir o acesso a pessoas estranhas ao serviço. O que equivale a dizer que ninguém na direcção do partido tinha acesso àquele pelouro, dirigido, simbolicamente, no Secretariado Nacional, pelo fundador e fiel amigo Joaquim Catanho de Menezes. E, de um modo geral, divide para reinar, promove poderes paralelos entre dirigentes partidários e ministros. Desconfiado como é, entrincheira-se num bunker de intrigas e de contra-informação na sua residência, que transforma num santuário de bajulação dos seus «fiéis». Despromove e demite todos os que se atrevam a dar muito nas vistas ou que acabem por ser imolados naquelas intermináveis sessões de esconjuração, fazendo depois circular razões de incompetência, ambição desmedida ou, até, megalomania para justificar os seus actos! Zenha seria uma das primeiras vítimas” 
“A Manuel Tito de Morais foi dada a pasta de secretário de Estado da População e Emprego. Não porque Tito representasse qualquer ameaça à liderança, mas porque a segunda mulher do Tito de Morais, a Maria Emília, não era bem aceite na «corte» e ambas as famílias, a Barroso-Soares e a Tito de Morais, se gladiavam pela ocupação de lugares no aparelho do partido. Sobre Tito de Morais confidenciar-me-ia uma vez, quando lhe perguntei a razão de nunca o ter promovido além de secretário de Estado, que «o Tito nunca tinha lido um livro na vida»! Mas é sintomático que uma das características que melhor lhe assentariam e pela qual, aliás, ficaria sobejamente conhecido fosse a sua grande incapacidade para escolher colaboradores. Deslumbrava-se frequentemente, por insuficiência própria, com qualidades de pessoas que na realidade não conhecia ou que pareciam dominar áreas que ele próprio desconhecia.” 
Quando a Secretaria de Estado da Comunicação Social, para comemorar um ano de governo, publicou por ordem do primeiro-ministro um inacreditável livro intitulado Vencer a Crise, Preparar o Futuro, já todo o país exigia uma mudança de Governo, tal era a impopularidade em que caíra. É um livro revelador das tendências absolutistas de que Zenha falava e tinha mais semelhanças com as publicações dos regimes despóticos que primam pelos elogios ao chefe, do que com as de governos democráticos ocidentais, lembrando as inúmeras fotos do primeiro-ministro a sua avassaladora e imodesta omnipresença. Dos cinquenta mil exemplares distribuídos, pagos pelo erário público, transparecia um governo fútil e esbanjador. Anunciava, em tons propagandísticos, a obra feita e as tarefas desempenhadas por alguns membros do governo, ao longo de um ano, como as do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro para os assuntos políticos, Manuel Alegre, que em menos de uma página declarava ter tido como actividades «numerosas representações ou petições de trabalhadores e organismos sócio-profissionais ou simples cidadãos, canalizando os seus problemas para os departamentos a que dizem respeito». 
2- Outros factos: 
casos de corrupção: galambagate; Galpgate; Golasgate; Tancosgate; Sirespgate; CGD 
casos de nepotismo: familygate 
casos de financiamento no BES (Banco Novo) que não cobrem garantias; BES principal financiador da Fundação Mário Soares ; o contributo de Soares na compra do BES 
Sócrates 
Ivo Rosa: seleccionado à quarta tentativa; iliba Sócrates de 25 crimes 
substituição de Joana Marques Vidal 
nomeação de boys em cargos de chefias 
desinvestimento na PJ 
as ligações do PS ao BES: com Mário Soares negociatas do hidrogénio verde
introdução da censura 
falência técnica do país 
controlo dos media 
moradas falsas e currículos falsos 
envio de dados para embaixadas e tantos outros casos… 
Nesta “pequena” amostra fica claro que o PS é tudo menos um partido. Mas isso não parece preocupar os “Pedros Coelhos” das televisões (in)dependentes, certo?

segunda-feira, 28 de junho de 2021

1984

Depois da guerra atómica, o mundo foi dividido em três estados e Londres é a capital da Oceania, dominada por um partido que tem total controle sobre todos os cidadãos. Winston Smith é um humilde funcionário do partido e comete o atrevimento de se apaixonar por Julia, numa sociedade totalitária onde as emoções são consideradas ilegais. Eles tentam escapar dos olhos e dos ouvidos do Grande Irmão, sabendo das dificuldades que teriam que enfrentar.

terça-feira, 8 de junho de 2021

entrevista com Nuno Palma

Nuno Palma foi um dos intervenientes na Convenção do MEL.
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O professor de economia e historiador caiu em “desgraça” depois de ter dito, entre outras coisas, que a esquerda não fala verdade quanto a certos números do Estado Novo: Educação, PIB e Saúde. 
Nesta entrevista Nuno Palma mantém o que disse e critica a forma como a esquerda manipula a verdade para vender a sua cartilha

comemorações dos 50 anos do 25A

 


segunda-feira, 7 de junho de 2021

PAN é ambientalista ou animalista? Gato ou lebre?

Foi o primeiro Congresso do PAN aberto à imprensa. Lidas as moções percebe-se que este Pessoas, Animais e Natureza no fundo, no fundo, 
mobiliza-se é pelos animais: 
as pessoas e a natureza contam pouco.

sábado, 1 de maio de 2021

Calçada Portuguesa

Um quando lhe perguntarem porque é que a Calçada Portuguesa não foi aceite como
PATRIMÓNIO MUNDIAL
Lembrem-se que começou em 2010 e a destruição destas obras de arte em pedra ainda continua!

Cinco anos depois os portugueses premiaram o António Costa como Primeiro Ministro e o seu “pupilo”, o portuense Fernando Almeida Correia, que usa como denominação comercial o nome de Fernando de Medina que, como seu herdeiro na Presidencia da Camara Municipal de Lisboa, fez avançar o desmantelamento da Calçada para outras zonas nobres da Capital Mundial da Calçada Portuguesa.



terça-feira, 13 de abril de 2021

28 anos depois, ninguém se lembra?


A primeira declaração de intenção para aquisição de novos submarinos é de 1993. O concurso para renovação da capacidade submarina foi lançado em 1998, era Primeiro-Ministro António Guterres. O concurso lançado pelo governo socialista em 1998 previa a aquisição de 3 a 4 submarinos.
O valor estimado, no concurso lançado em 1998, para a aquisição de 3 submarinos aproximava-se dos 2.000 milhões de euros; a Lei de Programação Militar previa recurso ao leasing em cerca de 70% dos valores das várias aquisições.
O Governo PSD/CDS herdou o concurso já na sua fase final (2002). A decisão tomada foi a de reduzir a aquisição para 2 submarinos, baixando o custo de 2.000 M€ para 1.000M€; foi também tomada a decisão de reduzir para 50% o valor da Lei de Programação Militar previsto em leasing, de modo a evitar maiores custos financeiros;
Quando, em 2004, a decisão final é tomada, a dívida pública portuguesa era de 58% do PIB, ou seja, dentro dos limites do Tratado; hoje, depois de 5 anos de governo socialista, essa dívida pública aproxima-se dos 90% do PIB, muito acima do aceitável.
Todos os ministros da Defesa - Veiga Simão, Jaime Gama, Castro Caldas, Rui Pena, Luís Amado e Severiano Teixeira - foram favoráveis à aquisição de submarinos, e inscreveram-na em sucessivas Leis de Programação Militar. O consenso em torno desta capacidade sempre foi estendido ao PS, PSD e CDS (os partidos pró-atlantistas). Na Assembleia da República, a decisão de reduzir para 2 os submarinos a adquirir, foi criticada pelo PS, argumentando que isso colocaria a capacidade submarina de Portugal ao nível da Argélia.
Se Portugal abandonasse a capacidade submarina, seria o único país oceânico da Europa a demitir-se da soberania marítima. Se Portugal o fizesse, todas as responsabilidades marítimas de Portugal seriam imediatamente ocupadas por países vizinhos, em especial pela Espanha (cujo plano de renovação da esquadra, em 1993, entrava em linha de conta com a possibilidade de Portugal perder essa capacidade). jdefesa

28 Anos depois, uns não eram nascidos, outros estão velhos, senão senis. Claro que os “uns”, que sabem ler mas não interpretar, poderiam aprender pesquisando numa internet que “não havia” em 93 e os “outros”, infoexcluidos, regressar aos velhos arquivos em papel…  
De facto há razões para não perceberem!

sábado, 13 de março de 2021

Reynaldo Frederico Gugunhana

A 13 de Março de 1896 chega a Lisboa, Gungunhana (1839-1906), último imperador do Império de Gaza, no território que actualmente é Moçambique, após ter sido aprisionado a 28 de Dezembro de 1895 na aldeia fortificada de Chaimite, por Mouzinho de Albuquerque (1855-1902). Foi primeiramente encarcerado em Monsanto, de onde mais tarde, a 23 de Junho de 1896, foi transferido para Angra do Heroísmo. Aí aprendeu a ler e a escrever e foi convertido ao cristianismo e baptizado com o nome de Reynaldo Frederico Gugunhana. A 23 de Dezembro de 1906, Gungunhana morreu no hospital militar de Angra do Heroísmo, vítima de hemorragia cerebral. Deixou descendência  (por Hernâni Matos ler AQUI e ainda melhor AQUI)
(Um outro bom estudo de Henrique Salles da Fonseca também em AS MULHERES DE GUNGUNHANA )

sábado, 23 de janeiro de 2021

condenados?


Será que a falta de maioria política, a ausência de uma clara legitimidade democrática e a obsessão com a habilidade nos vão condenar a deixar passar os arguidos da Operação Marquês, os responsáveis visados pela Operação Monte Branco, os trafulhas dos Vistos Gold e os culpados citados pelas operações do BES, do GES, do Banif, do BPN, do BPP, da PT e da EDP?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

NEM TUDO O QUE 2020 MUDOU VAI VOLTAR A SER COMO ERA.

DO DINHEIRO AO TRABALHO, UM SPOILER ALERT PARA OS PRÓXIMOS ANOS

Durante meses sonhámos com um "regresso ao normal", mas depois de um ano como 2020 dificilmente se volta à casa de partida. A pandemia mudou a nossa forma de viver — a forma como trabalhamos, fazemos compras ou estudamos. Mas nem tudo o que o anuns horribilis precipitou é mau. Várias mudanças já estavam em curso e viram-se aceleradas, abrindo a porta a novas possibilidades. Estas são oito áreas onde não há volta a dar (e ainda bem)
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O ano de 2020 não foi um acontecimento cósmico que daqui a 50 anos recordaremos em histórias contadas aos mais novos sobre como ninguém podia sair de casa sem máscara, como não se podia abraçar ou beijar os outros ou como fomos obrigados a ficar em casa para controlar a propagação de um vírus. Se o ano em que a pandemia provocada pelo novo coronavírus chegou à Europa já terminou, o mesmo não se pode dizer das transformações na nossa forma básica de viver, enquanto indivíduos e enquanto sociedade.

Não há exemplo melhor para demonstrar que o annus horribilis, que se findou no passo dia 31 de dezembro, continua a ter um impacto tremendo nas nossas vidas como este exato momento em que o Governo português - como outros do continente europeu - anuncia um novo confinamento geral, idêntico aquele que vivemos nos meses seguintes à identificação do primeiro caso de covid-19 em território nacional. Já existem vacinas eficazes na proteção contra o vírus, já temos quase um ano de aprendizagem, mas à exceção do verão, parece que que não saímos do mesmo sítio - ou como quem diz, de 2020.

Este longos meses, ora em confinamento, ora com elevadas restrições, alteraram profundamente a nossa forma de viver. Os postos de trabalho mudaram radicalmente, desde os que ficaram praticamente vazios aos que tiveram de se reorganizar para poder funcionar durante uma pandemia; a nossa forma de socializar mudou, acabaram os grandes convívios, os beijos, os abraços, passámos a tentar estar com o menor número de pessoas possíveis, pelo menos de uma só vez, e, mesmo assim, ir jantar com um amigo que não vemos há dois meses para meter a conversa em dia continua a ser um risco assumido. Ir às compras passou a ser um exercício, umas vezes de paciência, com as filas a estenderem-se à porta dos supermercados ou centros comerciais, outras de atenção, no toque, na distância, na capacidade de sermos mais rápidos a puxar do desinfetante de bolso do que o Lucky Luke a disparar sobre a sua sombra. Por isso passámos também a fazer mais compras online, impedidos de sair para o mundo procurámos trazer o mundo até nós, encomendámos roupa, comida, refeições, eletrodomésticos, móveis. Enfim, tudo aquilo que precisávamos. Tudo isto sem dinheiro nos bolsos, com os MB Way’s desta vida e os cartões contacless em punho.

As mudanças foram substanciais e é praticamente impossível dizer que vamos voltar atrás, a uma realidade pré-pandemia. Muitas das alterações estavam já em curso e foram simplesmente aceleradas ao longo do ano de 2020 devido às restrições e imposições de distanciamento de pessoas e tudo o que pudesse ser uma possível fator de transmissão do vírus. Já no ponto sem viragem, o SAPO24 foi falar com quem de direito em algumas das áreas mais impactadas pela pandemia para perceber melhor aquilo que nunca mais voltar a ser como antes.
Um futuro em que vai ser mais caro comer em casa do que no restaurante (e um chega para lá à fast food)

Dias houve em que as ruas completamente desertas das grandes cidades eram apenas habitadas por homens e mulheres que, com uma grande mala verde ou amarela às costas, serpenteavam as estradas e ciclovias da cidade, ora em motociclos, ora em bicicletas ou trotinetes. As pessoas estavam confinadas em casa e chamavam até elas os restaurantes.

Mas nem depois do desconfinamento, a que se seguiram, no último terço do ano uma série de proibições mais restritas, nos concelhos mais afetados, estas mochilas coloridas deixaram de vaguear pelas ruas. Afinal, sair de casa para ir a um restaurante não era um exercício simples como antigamente: o horário era mais reduzido, assim como o número de lugares ou o número de pessoas que poderia estar sentadas, juntas, na mesma mesa.

As entregas ao domicílio e o take away tornaram-se centrais no serviço dos restaurantes, altamente condicionados. A pergunta impõe-se, agora que os restaurantes passaram a vir deixar a sua comida às nossas casas, vamos voltar a ir almoçar ou jantar fora como antes?

Para responder à questão conversámos com o Chef Vitor Sobral, uma das maiores referências da gastronomia nacional.

“Acho que no futuro o mercado vai-se equilibrar. As pessoas vão pedir para casa mais do que aquilo que pediam, porque perceberam que era possível ter uma qualidade boa, mas acho que comer em casa é uma coisa e comer e conviver num restaurante é outra”, diz o Chef da Tasca da Esquina, em Lisboa.

“Imaginemos um almoço ou um jantar de negócios. Não é a mesma coisa fazê-lo em casa ou no restaurante. Um primeiro encontro em casa pode causar algumas situações mais complicadas, agora quando já tivermos a namorar a sério acho que já é melhor pedir delivery [ri]. A experiência do restaurante vai-se continuar a manter como o principal atrativo de se ir comer fora. Eu falo até por mim. Não sou uma pessoa que goste de cozinhar em casa, por incrível que pareça. Gosto de ocupar o meu espaço de lazer com uma ida ao restaurante”, confessa.

Para Vítor Sobral uma coisa é certa: as entregas ao domicílio e take away vão representar uma dimensão maior do que representavam antes da pandemia, embora não no volume de hoje em que as pessoas estão mais condicionadas devido às restrições.

“Quando, na primeira fase, fui dos primeiros a definir que íamos estar abertos e a fazer take away, fui criticado, de alguma forma, porque à partida a comida que eu fazia não era uma comida que se adequava ao take away. E isso não é verdade. É possível termos em casa um produto take away bom desde que escolhemos o restaurante certo”, explica, sublinhando que “havia uma má imagem do take away”, por este estar associado sobretudo à fast food, um preconceito que a pandemia mudou.

Para o futuro fica ainda um obstáculo para ser ultrapassado: as elevadas taxas cobradas por empresas como a Uber Eats.

“As coisas vão ter de mudar de alguma forma porque não é preciso ser um génio para perceber que nós estamos a passar uma fase extremamente complicada a nível de sobrevivência. Quando num negócio que anda normalmente, sem problema nenhum, se há um pedido ou dois de Uber Eats, tudo bem, não é uma coisa grave. A partir do momento em que isso passa a ter um peso extremamente grande naquilo que está a vender, já complica. Taxas de 30%, mais uma taxa cobrada ao cliente é de um exagero. E o que é que vai acontecer? O que vai acontecer é que o cliente vai pagar mais caro para comer em casa do que para comer no restaurante porque nós vamos ter que inflacionar os preços. Vai ser mais caro comer em casa do que no restaurante…”, remata.
O que é que anda dentro das malas amarelas - e como é que as apps podem vir a ser “uma espécie de mordomo 360º”

As malas amarelas que percorrem as ruas de 90 localidades portuguesas, às cavalitas de ciclistas e motociclistas, pertencem à Glovo, um serviço de entregas diversas em casa, disponível através de uma aplicação.

Desde janeiro de 2020, o número de parceiros da app aumentou 170% e o número de estafetas mais de 800 - atualmente são mais de dois mil estafetas de mala amarela em Portugal.

Aqui, ao contrário do que podíamos esperar e também tendo em conta o carácter mais diverso deste serviço de delivery, a área com maior crescimento não foi a alimentação. “A Parafarmácia está entre as categorias com maior dinamismo, com um crescimento de 375% desde que arrancámos. Os produtos mais requisitados são as compressas TNT, os testes de gravidez, o álcool sanitário, máscaras descartáveis e álcool gel (para mãos)”, revela ao SAPO24 Ricardo Batista, Country Manager da Glovo em Portugal.

“Em sintonia com o que aconteceu em outros países, a Glovo também permite aos utilizadores em Portugal obterem medicamentos não sujeitos a receita médica na categoria de parafarmácia, como forma de ajudar a população a ultrapassar esta situação excecional. A empresa investiu mais do que nunca para oferecer medicamentos não sujeitos a receita médica aos utilizadores em Portugal, com uma taxa de entrega reduzida e aumentando o número de parcerias com farmácias portuguesas e parafarmácias, como a Well's, e respetivos produtos que oferecem na aplicação”, acrescenta, sublinhando que quatro dos cinco produtos mais vendidos durante o período de confinamento foram mesmo este tipo de medicamentos, "principalmente paracetamol, descongestionantes, aspirina, analgésicos e antipiréticos”.

Para Ricardo Batista, as restrições mostraram a importância e a solução que pode ser recorrer a um serviço de entregas como a Glovo: “As plataformas podem passar a ser um facilitador de todo o tipo de entregas, incluindo experiências, serviços, uma espécie de mordomo 360º em versão aplicação que torna acessível tudo aquilo que as pessoas necessitam, seja alugar um automóvel, pedir uma refeição ou tratar de um documento, por exemplo. Esse será o futuro das plataformas, não apenas entregas de bens físicos, mas também uma plataforma para resolver uma grande variedade de assuntos do dia-a-dia”.
A arte de comprar um frigorífico (ou encher um frigorífico) sentado no sofá

Com as pessoas fechadas em casa, os portugueses entregaram-se ao e-commerce. Comprar online, numa altura em que manter a distância e reduzir o risco é fundamental, tornou-se extremamente atrativo e fácil. Aliás, não é à toa que passou a representar cerca de 50% das vendas, quando antes a percentagem estava nos 12%.

Situemo-nos e recuemos até março, altura em que as filas e as prateleiras vazias eram uma realidade nos supermercados e comprar através dos espaços online das várias cadeias passou a tornar-se numa solução. “Até ao aparecimento da covid-19, as vendas puramente online estavam a crescer de forma consistente a dois dígitos. Com a chegada da covid-19 a Portugal, os acessos e as encomendas multiplicaram-se, numa altura em que mais famílias recorreram aos canais digitais, várias delas pela primeira vez”, conta Pedro Santos, diretor de E-Commerce da Sonae.

E se podemos dizer, de alguma forma, que tudo começou com os bens de primeira necessidade, alimentares e não só, ninguém se esquecerá do período em que um rolo de papel higiénico era equiparável a um oásis no deserto, o modo de comprar online, perante as restrições evidentes, rapidamente se alastrou para todo o tipo de comércio. A FNAC, por exemplo, viu-se obrigada a ajustar o negócio, “não só ao nível operativo como, também, ao nível de gama disponível”.

“Analisando o peso das vendas do online no negócio, este manteve-se acima da média com um valor acumulado de 23% no período de confinamento. Reforçámos, nesse seguimento, os nossos canais digitais, tanto em fnac.pt como com a nova APP FNAC, quer do ponto de vista logístico, para garantir os níveis de serviço a que os nossos clientes estavam habituados, bem como a nível de gama e disponibilidade de stocks neste canal. Disponibilizámos, ainda, o serviço Liga e Encomenda, que disponibiliza a ajuda de um expert FNAC para aconselhar os nossos clientes e acompanhar a compra de forma segura”, explicou Inês Condeço, diretora de Marketing e Comunicação da FNAC Portugal ao SAPO24.

Já no caso da Worten, que manteve as lojas abertas, mesmo durante o período de confinamento, uma vez que os produtos e serviços que disponibiliza foram considerados bens de primeira necessidade pelas autoridades competentes, registou “um enorme aumento de procura em worten.pt, cujas vendas triplicaram de janeiro a agosto de 2020, face a igual período de 2019, resultando na duplicação da quota de mercado online no primeiro semestre".

“É certo que já havia muitos portugueses a comprar online, mas a pandemia veio, de facto, acelerar essa tendência, trazendo para o online clientes que nunca, até então, tinham feito uma compra num site e aumentando a frequência de compra online dos que já o faziam. Para suportar estes crescimentos, multiplicámos por quatro a capacidade da operação logística que suporta a nossa loja online, o que nos permitiu entregar 85% das encomendas antes do prazo previsto”, revela Inês Drummond Borges, diretora de Marketing da Worten.

Inês Drummond Borges explica que a operação do canal online foi assim reforçada ao longo de todo o ano, garantindo que, desde o início da pandemia, que conseguiam “responder, de forma ágil e eficiente, às necessidades e expectativas dos clientes, adaptando a oferta ao contexto atual”. “É claro que o pico de compras do final do ano, desde a Black Friday até ao Natal, se fez também neste contexto, em que a opção pelo online voltou a ser a mais conveniente para muitos consumidores, de modo a evitar aglomerações de pessoas e respeitar as restrições à circulação”, completa.

A mudança descrita nos parágrafos anteriores foi forçada pela pandemia, mas reforça a crença nesta ideia de que o recurso às compras online será maior, ”especialmente para situações que privilegiem a conveniência em vez da experiência mais sensorial de loja”, diz a diretora de Marketing e Comunicação da FNAC Portugal. Em simultâneo, as lojas “vão continuar a ser locais preferenciais de experimentação, aconselhamento e encontro”, acrescenta Inês Condeço.

“Em concreto, em fnac.pt, queremos garantir que os clientes têm uma ampla oferta de produtos à sua disposição, cumprindo o tempo de entrega, e assegurando também o mesmo aconselhamento por experts FNAC que teriam nas lojas físicas. Efetuámos um reforço quer no número de recursos alocados à equipa dedicada à logística web, quer no reforço das medidas e equipamentos de segurança individual dos colaboradores", explica.

Também no Continente, por exemplo, o online é visto como um canal adicional que não será substituto das lojas no futuro. “É normal que os clientes hoje em dia pesquisem online, comprem alguns produtos numa loja, outros online, devolvam ou troquem algum produto offline, contactem o contact center… Para o retalho alimentar em particular, na nossa perspetiva, é fundamental a interligação dos negócios online e offline”, explicam.

Na Worten, por exemplo, o online levou à implementação de serviços como o Worten Drive Thru ou de atendimento telefónico especializado para tentar dar à distância um serviço tão personalizado como aquele que é possível em loja. “Não se trata tanto do que se ganha ou se perde comprando online ou nas lojas, mas sim da forma como tiramos partido das mais valias das lojas físicas para complementarem as compras online e vice-versa. A comodidade do online veio para ficar, mas há aspetos da experiência de compra em que a loja física continua e continuará, no futuro, a apresentar vantagens sobre o digital, nomeadamente o contacto com o produto, aliado ao 'toque humano' no aconselhamento especializado".

Teletrabalho não é só isto, também é outra coisa

Desde que a pandemia causada pelo novo coronavírus obrigou o Governo a impôr medidas para travar a aceleração do número de contágios que grande parte da população deixou de trabalhar para passar a teletrabalhar, ou seja, deixou de se levantar para se sentar no carro ou nos transportes para passar a sair diretamente da cama para o computador.

Nos casos em que é possível, o teletrabalho passou a ser obrigatório, fazendo com que os trabalhadores fizessem da sua própria casa o seu local de trabalho, evidenciando, em vários casos, que talvez não fosse necessário uma empresa ter todos os funcionários a trabalhar no mesmo local e colocando uma grande questão: quando nos aproximarmos daquilo que definíamos como sendo normal, vamos voltar a trabalhar onde trabalhávamos e como trabalhávamos?

Primeiro, uma explicação que se impõe, através das palavras de Gonçalo Hall, da Remote Portugal, uma plataforma de educação e conexão no mundo do trabalho remoto: “Existe muita confusão do que é o trabalho remoto e o que é o trabalho a partir de casa durante a pandemia. É verdade que durante a pandemia está toda a gente a trabalhar a partir de casa, mas o trabalho remoto não é necessariamente trabalhar a partir de casa. O trabalho remoto é trabalhar num espaço de cowork, num café, de Las Palmas ou de Bali”.

Estabelecido que aquilo a que hoje chamamos de trabalho remoto ou teletrabalho, e que este é feito a partir de casa e não do sítio que preferimos estar por imposições legais, prossigamos para a primeira questão, desta feita para o segundo convidado a debruçar-se sobre o tema, Fernando Neves de Almeida, partner da Boyden, com uma experiência de mais de 20 anos na gestão e consultoria da área de Recursos Humanos, na sua forma mais extremada: alguma vez voltaremos aos nossos locais de trabalho?

“Eu não acredito que o teletrabalho, da maneira que agora foi implementado por obrigação jurídica, vá continuar nestes modos. Agora, se me perguntar se vai ser exatamente como era, se calhar não. Se calhar vai haver mais liberdade para uma pessoa trabalhar de casa mais vezes, mas por ventura vão existir dias específicos em que as pessoas se juntam num espaço físico para comemorações, eventos, socialização. Acho que não vai mudar assim tanto no futuro. Até porque as pessoas em termos de trabalho de grupo, criatividade, etc., estão melhor quando estão fisicamente”, explica.

Para Fernando de Almeida, a componente social é um dos pontos a que as empresas deverão estar mais atentas e não descurar num futuro. “O trabalho em si encerra sempre uma componente social que esta pandemia está um bocadinho a fazer desvanecer. A parte mais processual do trabalho, das pessoas que trabalham em serviços e não tenham de fazer atendimento, etc., é verdade que pode ser feita remotamente. Mas o trabalho não é só a parte laboral, tem a ver também com a satisfação das necessidades sociais das pessoas, do trabalho, o estar com os colegas, o criar espírito de corpo... uma pessoa que nunca na vida vai à empresa não tem um sentimento de pertença”, afirma.

Gonçalo Hall vai inclusive mais longe: “acho que aquilo que acontece é, como muitas pessoas tiveram de sair dos seus locais de conforto, das suas cidades, vilas ou aldeias para ir para Lisboa trabalhar, por exemplo, isso levou a que muitas pessoas acabassem por perder relações sociais que substituíram em parte por relações laborais - o que acaba também por não ser muito saudável. Com a possibilidade de teletrabalho, as pessoas podem voltar a viver dentro das suas comunidades e não depender tanto das suas empresas para construir vínculos sociais, e isso é  grande medo das empresas”.

Para o cofundador da Remote Portugal, é evidente que o futuro passará por “um sistema híbrido”. “Vão existir trabalhadores 100% remotos, vão-se reduzir os escritórios em 50% e com isto o escritório não só vai ser reduzido, como se vai alterar. Vai deixar de ser um sítio onde as pessoas vão por norma trabalhar e vai passar a ser um sítio muito mais de colaboração, muito mais de brainstorming, de conexão”.

Neste processo híbrido os espaços de cowork surgem como candidatos ao Óscar de melhor cenário. Um desses exemplos é a LACS, um cluster criativo com três espaços em Lisboa.

“Os escritórios flexíveis serão o futuro seguramente. A ideia de que estes espaços de trabalho eram fundamentalmente para freelancers e startups está a mudar e as grandes empresas, de diferentes áreas, olham para os seus espaços de trabalho, reforçando o posicionamento dos escritórios flexíveis como opção. Começam agora a perceber os benefícios quer económicos quer de networking de um espaço de trabalho partilhado e flexível”, explica Miguel Chito Rodrigues, Sócio Fundador LACS.

Para Miguel, as vantagens de uma mudança de uma empresa para um local flexível são evidentes: “primeiro, porque cumprem as medidas de segurança e higiene exigidas durante a pandemia; em segundo lugar, porque existe uma maior otimização dos custos operacionais e logísticos em comparação com os escritórios convencionais, já que estes espaços já incluem na mensalidade o mobiliário, internet, água, eletricidade, limpeza, segurança ou manutenção; por último, porque através deste tipo de soluções mantém-se a aposta na presença física dos colaboradores, importante para motivar e criar espírito de equipa, o que é essencial para cada negócio. Além de tudo isto, este tipo de espaços permite ainda o acesso a uma nova rede de contactos, tornando o ambiente dinâmico, criativo e motivador”.

Tudo o que é acima descrito, colocado numa tigela e misturado daria a seguinte analogia para Fernando Almeida: “É um bocadinho o conceito da dialética. A dialética é tese, a antítese e depois a síntese. A tese era o modelo que nós tínhamos anteriormente, a antítese é isto que o estado de emergência obrigou e depois há-de haver uma coisa que há-de emergir destas duas coisas que é a síntese. É o processo dialético de mudança”.

A mudança parece certa, até porque a Internet já inscreveu nos seus anais, ou nos memes, uma frase que é sumária sobre todo o processo de transformação a que assistimos: “o teletrabalho mostrou que aquela reunião podia ter sido um e-mail”.

A pergunta final a que se obriga é mesmo essas: as empresas portuguesas estão preparadas para transformar as reuniões em e-mails?
Para Gonçalo a resposta é não, o que não quer dizer que não estejam a tentar o melhor de si.
“Não [as empresas em Portugal, não estão preparadas para dar este salto], mas muitas estão a procurar ajuda. A maioria das empresas são Pequenas e Médias empresas e não estão prontas para dar o salto, mas acho que cada vez mais temos excelentes casos de estudo de empresas que estão a fazer bem”, diz.
Uma "nova escola"

A primeira vaga da pandemia tirou os alunos da sala de aula e ligou-os à escola fazendo recurso das tecnologias. Através das mais diversas plataformas de ensino, de uma chamada de videoconferência ou da telescola, que voltou à televisão pública e que continua a ser transmitida na RTP Memória, o ensino à distância passou a ser uma solução para uma aprendizagem covid free e uma solução que ficou para os tempos de hoje, sempre que um aluno ou turma tem de ficar em casa devido ao contacto com um caso suspeito de covid-19.

“As tecnologias com a pandemia entraram em força na educação e, por mais que se diga, a educação não vai mais ficar igual. Com a pandemia verificamos que a única coisa que nos resta mesmo nesta altura é reimaginar uma situação nova de escola, mas com a certeza de todos de que terá de ser sempre presencial, com o olhar do professor nos alunos, dos alunos e alunas nos professores e mantemos uma escola de toque, de afetos, uma escola para todas e para todos”, explica Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores ao SAPO24.

Para a dirigente há uma nova escola que já começou a ser construída, que se encontra entre as mais valias do digital e do ensino presencial. Aliás, o modelo a que a pandemia obrigou trouxe, inclusive, uma série de soluções para o futuro: “Muitas vezes aquilo que acontecia era que os alunos ficavam doentes, o professor ficava doente e naquele espaço de tempo havia um vazio entre o período em que o aluno ficava em casa e o professor. E agora sabemos perfeitamente que isso pode ser resolvido através da utilização destas novas ferramentas”.

Nesta “nova escola” o “ensino presencial continuará a ser a base porque só com essa interação há uma maior apreensão dos conhecimentos e ao mesmo tempo tanto há da parte do aluno como do próprio professor que através do olhar, da postura, do comportamento global do aluno consegue perceber aquilo que a própria criança está a interiorizar”.

Para Paula Carqueja o próximo grande desafio “será diminuir as desigualdades das nossas crianças”.

“A nossa escola é uma escola massificada, de todos e para todos, mas para se manter de todos e para todos, temos que abrir também a esses todos um maior número de recursos. E não é só dar [recursos] é também explicar, para que quando forem utilizadas todas as ferramentas, utilizados todos esses recursos físicos, as pessoas percebam o que estão a fazer e como estão a fazer. Equipamos uma família, entregamos o equipamento, mas se não dermos uma formação, a família não pode acompanhar o seu filho e o filho também, se não tiver conhecimento, não pode dizer aos pais 'ajudem-me'. Aqui é importante ninguém ficar desamparado e quando os recursos estiverem todos já dados ou todas as crianças estejam numa linha horizontal”.

Outro recurso que é fundamental que se mantenha é a telescola, que pode funcionar como “uma alternativa aos outros programas em que no fundo só se houve rir e não leva a lado nenhum. Aqui promove-se o conhecimento diário". "Até deveria ser aconselhado às famílias a estarem a ouvir e a ver”, sublinha.

E os professores, estão preparados para ‘assumir as rédeas’ desta “nova escola”? Não, mas vão estar, afirma a dirigente.

"Não tínhamos de todo um grupo de professores preparados para esta nova escola digital. Tivemos professores que nos disseram que estavam com muito receio da utilização dessas novas ferramentas, curiosamente muitos despertaram também para elas. Existe uma classe de professores muito envelhecida, em que os seus interesses são muitas vezes mais de leitura e não de explorar as ferramentas e as tecnologias. E de certeza absoluta que pediram muitas vezes ajuda para perceberem como é que as ferramentas funcionavam através de tutoriais, exploração, links com recursos... Houve uma colaboração e uma maior partilha desses recursos utilizados entre professores, independentemente de muitas vezes eles estarem confinados como aconteceu da primeira vez”, explica.
Na Saúde, não deixaremos cair a máscara: queremos mais e melhor antecipação
O que é que vai restar desta pandemia? Da luta contra a Gripe A pouco prevaleceu para além dos doseadores de álcool gel vazios nas paredes das escolas, empresas e instituições. É incomparável o impacto que a H1N1 teve nas nossas vidas em relação à Covid-19, mas a questão é importante para o nosso futuro, primeiro enquanto indivíduos, no que diz respeito aos nossos comportamentos, e depois em relação ao Estado e sobre a curva de aprendizagem que os ministérios e organizações farão para lidar com um problema semelhante no futuro.

“Infelizmente, apesar de ser ano novo, não é vida nova. Temos todos a expectativa que isso venha a acontecer, mas ainda estamos longe de, alguma forma, conseguir regressar aquilo que é o nosso quotidiano. O ritmo de chegada das vacinas é lento e por isso até termos um verdadeiro impacto na população ainda vai demorar algum tempo. Aquelas medidas que já se tornaram para nós muito familiares, infelizmente, ainda vão ter de se manter durante algum tempo e obviamente que isso é uma situação que muda muito a nossa vida”, explica ao SAPO24 o especialista em Saúde Pública, Ricardo Mexia.

Para o epidemiologista e também presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, há várias coisas que poderão vir a permanecer deste período, “as máscaras talvez venham a ser uma delas, na medida em que nós todos os invernos tínhamos uma mortalidade importante associada à gripe e este ano o que constatámos é que esse impacto é passível de ser eliminado, praticamente. Já temos a experiência hemisfério sul em que praticamente não houve gripe e aqui em Portugal e na Europa o que se está a verificar é também uma baixíssima circulação do vírus. Portanto, eventualmente, em futuras épocas de gripe podemos ter que pensar que aquilo que de alguma forma sabíamos era mortalidade evitável e que efetivamente é possível evitar. Provavelmente a questão de também não irmos trabalhar doentes, também é uma das situações que contribui para a disseminação da doença, enfim, esta questão do teletrabalho que agora também se enraizou também é algo que, de uma forma ou de outra, espero que verifique durante os próximos tempos”.

No entanto, a grande expectativa de Ricardo Mexia é que “a eternamente adiada reforma da saúde pública possa finalmente ver avanços importantes” para que não voltemos a ser apanhados desprevenidos.

“Se há de facto uma realidade que se tornou cristalina para todos, e não é só em Portugal, é que nos temos de preparar melhor. Já havia alguma preocupação com as insuficiências que tínhamos nesta área, mas verdadeiramente nunca houve um grande investimento nisto. Já tivemos os últimos 10 anos, digamos assim, com maior dimensão, a quarta ameaça. Tivemos a gripe aviária, tivemos o Ébola, tivémos o Zica e agora esta situação. Eu espero que a mensagem se tenha tornado muito clara e que haja efetivamente uma aposta importante na preparação de uma futura ameaça deste género porque infelizmente, atendendo à globalização, atendendo a um conjunto de fenómenos que se foram verificando, é muito provável que tenhamos situações parecidas num horizonte relativamente breve. Nesse sentido tenho, como digo, expectativa e esperança que finalmente possa haver aqui um investimento importante na saúde pública e que possamos efetivamente a passar a estar dotados de meios para responder de forma mais eficaz a uma crise deste género, não só a nível da prevenção, evitando estas situações, na deteção destes problemas, portanto, melhorar os nossos sistemas de vigilância e também obviamente depois também na resposta e na mobilização de recursos que é necessária para fazer face a este tipo de ameaça”, sublinha.

A sequela do “para fora cá dentro”

O slogan ficou no ouvido. No verão passado, o Governo convidou os portugueses a irem “para fora cá dentro”, convidando-os a redescobrir o país no período de férias de verão em vez de atravessar fronteiras numa altura em que as situações eram muito voláteis de país para país.

É este o simples prefácio para um verão em que as redes sociais foram inundadas por o verde dos Açores, do Gerês e do Centro de Portugal e pela calma do Alentejo, tudo numa tentativa de fintar as multidões que, em menor número, também se concentraram nos destinos balneares mais famosos do país.

Mas será que conseguimos cativar as pessoas ao ponto de continuarem a ter todo o país como opção de férias para o verão? Pedro Castro, presidente do Turismo do Centro de Portugal acredita que sim.

“2021 vai ser muito caracterizado, sobretudo nos [primeiros] seis, sete meses deste ano com dificuldades de caráter operacional ou operativo das empresas associadas ao setor do turismo e pelas limitações que os fluxos turísticos, sobretudo os internacionais. Vamos ter fortíssimas restrições nos fluxos turísticos internacionais”, antecipa.

Para Pedro Castro, “teremos os mercados essencialmente focados naquilo que é mais valia dos seus mercados domésticos”.

“Estaremos a disputar o Centro com o Norte, o Alentejo, o Algarve. Teremos seguramente também — e este será o caráter diferenciador — destinos regionais cujo foco na natureza é maior, com mais aptidão para os circuitos pedestres, para o cicloturismo, para o turismo de montanha, para o turismo de natureza". Uma oferta que no presente contexto poderá ter maior adesão, "em detrimento dos [destinos] city break, que foram durante muitos anos a marca de Portugal."

Pedro Castro estima assim "uma inversão daquilo que eram os fluxos tradicionais muito alavancados nas duas principais cidades [Lisboa e Porto] e na cultura, para um turismo muito focado na natureza, no ar livre, no desportivo, na segurança”, diz.

Mas há outras tendências que para o Presidente do Turismo do Centro irão marcar os próximos anos.

A primeira é a opção pela mobilidade suave, mais segura do ponto de vista sanitário, e que priveligia aas deslocações de carro em pequenos grupos, em vez de viagens de longo curso de avião ou autocarro.

A segunda será “o alojamento horizontal versus o vertical”, que permite um menor encontro entre pessoas em espaços de pequena dimensão, como elevadores ou longas escadarias.

A terceira será “um reforço daquilo que é já uma matriz das gerações jota, das gerações x, dos nómadas digitais" e que "não é entendidos como um estilo de turismo, mas mais como um modo de vida”. "Vamos ter estas camadas a querer viajar para sítios mais recônditos, que lhes oferecem segurança" e isso irá potenciar um novo paradigma para os operadores, que vão ter de se adaptar à ideia de um cidadão que chega para “fazer uma reserva não para uma ou para duas noites, como era habitual, mas para um mês ou para dois meses”.

O verão de 2020 é o ponto de partida para toda esta previsão, até porque ofereceu desde logo bons indicadores para a oferta turística de turismo de natureza. Dando como exemplo a zona Centro, Pedro Castro garante que houve “muitos relatos [no mês de agosto e setembro] de muitos estabelecimentos, de alojamento e de restauração que tiveram um volume de negócio superior ao período homólogo de 2019", ainda que longe da média pretendia".

“Há muitos exemplos que aqui poderíamos apontar, sobretudo ligados às barragens de Castelo de Bode ou da Aguieira, às praias fluviais, restaurantes que se reinventaram e que para além do take away criaram o delivery e conseguiram chegar a casa das pessoas através de cabazes completos, desde a entrada à sobremesa. Foi e é uma estratégia que muitos vão continuar a seguir em 2021, os que resistirem, e que pode muito bem ficar para 2022 e para os anos seguintes”, aponta.

Segundo Pedro Castro, “aquilo que até aqui não eram destinos que estavam na primeira linha, o caso do Interior, o Alentejo, o Centro de Portugal, o Norte, os Açores, que estavam fora daquele campeonato que normalmente é responsável por mais de 75% do turismo em Portugal, aquele triângulo, Lisboa - Algarve - Madeira, que agora são as áreas mais atingidas, são precisamente as áreas que mais crescimento e atratividade tiveram”, diz, sublinhando que considera que esta “é uma tendência que veio para aqueles portugueses que este ano experimentaram e gostaram e que em 2021 vão repetir e vão aconselhar os amigos”.
Rumo a uma sociedade cashless
O dinheiro é cada vez mais só um número. Deixámos de o carregar nos bolsos e nas carteiras ou até de fazer a parte de baixo do nosso colchão o nosso porquinho mealheiro. Os cartões de multibanco, as aplicações afetas aos mais diversos bancos e os métodos de pagamento integrados nos smartphones fizeram com que as notas e moedas passassem a ser meros números num ecrã, sem formatos, cores ou pesos diferentes. Aquilo que estava a ser uma transação lenta, ganhou um ritmo tremendo, impulsionado pela pandemia.

"2020 acelerou muito ritmo rumo a uma sociedade cashless, ou seja, uma sociedade cada vez com menos dinheiro. Não acredito que o dinheiro físico desapareça, agora, tendencialmente o ritmo a que está a crescer a economia versus o ritmo a que estão a crescer os meios de pagamento eletrónicos... é quase duas vezes o que cresce a economia. Os meios eletrónicos crescem exponencialmente todos os anos e este ano notou-se uma coisa perfeitamente única", explica ao SAPO24 Tiago Oom, diretor da REDUNIQ.

Para justificar o parágrafo anterior, bastaria dizer que em 47 anos de atividade em Portugal, durante o período de confinamento, em 2020, a Unicre teve o melhor ano de sempre no que diz respeito à colocação de terminais. Mas falta o porquê, para deixar tudo em pratos limpos. A resposta é simples, a pandemia, pois claro.

Regra número um da pandemia: menor contacto possível entre pessoas. O que é que circula entre pessoas, de mão para mão? O dinheiro. Esta é a forma mais breve de resumir como é que num entendimento geral enquanto sociedade, de um momento para o outro, largámos o dinheiro para passar a usar maioritariamente os cartões e aplicações para fazer pagamentos — ou não estivessem também na moda os cartões contacless, aqueles em que, até uma transação de 50 euros, basta encostar ao terminal para fazer a compra, qual pin qual quê. Nem de propósito: as transações contacless, que antigamente representavam 7% do total de pagamentos em multibanco, tiveram um crescimento de 350% durante o ano de 2020 e atualmente dizem respeito a 40% do total das transações realizadas.

"Havia uma sapataria, onde eu trabalho, na Avenida António Augusto Aguiar, que antes do confinamento só aceitava dinheiro. Após estarmos em casa, tive de ir arranjar os sapatos que usei durante o confinamento, que estavam todos destruídos e o senhor diz-me, "não se importa de pagar em contacless?", conta Tiago entre sorrisos.

"No mercado, em termos de levantamento de dinheiro nas redes multibanco, a diferença foi brutal. Acho que vai haver uma tendência que é ter dinheiro na reserva e fazer o dia à dia com cartão. Eu hoje em dia já não tenho vergonha, que era uma coisa que existia, de pagar um café com cartão. Antigamente era capaz de ir levantar dinheiro e pagar um café com uma nota de 20 euros porque tinha vergonha de pagar com multibanco. E o comerciante não se importa nada. Já o dinheiro desaparecer completamente, não acredito. É uma segurança, mas está cada vez a ser mais residual e caminhamos a passos largos para uma sociedade cashless", assume. (Tomás Albino GomesTexto 15 jan 2021)

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Condenados ?

Será que estamos condenados a deixar passar os processos que mais prejudicaram o país e que mais honra destruíram? 
Será que a falta de maioria política, a ausência de uma clara legitimidade democrática e a obsessão com a habilidade nos vão condenar a deixar passar os arguidos da Operação Marquês, os responsáveis visados pela Operação Monte Branco, os trafulhas dos Vistos Gold e os culpados citados pelas operações do BES, do GES, do Banif, do BPN, do BPP, da PT e da EDP? 
Será que estamos mesmo condenados a ter os mais ilustres corruptos e bandidos da Europa, em cujo elenco se incluem primeiro-ministro, ministros, secretários de Estado, deputados, presidentes de câmara e vereadores, directores-gerais, secretário-geral de ministério, presidente de Instituto, chefe de polícia, magistrados de primeira instância e da Relação, alguns dos mais importantes banqueiros, gestores e administradores de algumas das mais importantes empresas privadas e públicas, oficiais das Forças Armadas e dirigentes de polícia militar? (António Barreto no Jacarandá)

sábado, 14 de novembro de 2020

objecção de consciencia? Barra-se-lhes entrada no Ensino Superior público...


Barrar ensino superior público a quem recuse aulas de Cidadania pode ser solução, diz a magistrada. 
Dulce Rocha defende que a “solução para alunos de Famalicão não deve ser o chumbo”. E sugere alternativa: se irmãos chegarem aos 16 anos e decidirem que não querem que lhes sejam ministrados conteúdos de Cidadania e Desenvolvimento que estão a falhar agora barrar-lhes entrada no ensino superior público pode ser a opção.(d’AQUI)

Os nacional-socialistas consideravam as crianças o futuro do Reich, e o futuro que essas crianças construiriam era o que estava escrito no Mein Kampf, os professores eram instruídos a ensinar as crianças de modo que elas estivessem de acordo com os princípios educacionais, culturais e morais socialistas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A revolta dos republicanos contra Trump começou...

Derrotados em 2016, os republicanos que estão contra Trump voltaram em 2020. Entre os vários grupos, destaca-se o Lincoln Project — que já irritou o Presidente. Mas chegará para derrotá-lo? 
( um Texto de João de Almeida Dias para conferir )

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

aleluia!

Leonard Norman Cohen

(Westmount, 21 de setembro de 1934 — Los Angeles, 7 de novembro de 2016)