Os números do desemprego estão a aumentar por várias razões. A mais importante é, sem dúvida, o fim da hegemonia da construção civil. Como já não é possível construir mais nada (mais estradas?, mais prédios?, mais heliportos?) e como o pouco dinheiro disponível não deve ser canalizado para PPP, o desemprego vai continuar a aumentar. É triste, mas a alternativa era ainda pior, era o mesmo que brincar com o futuro dos nossos filhos. Ora, depois das causas óbvias, como esta desaceleração da construção, encontramos causas menos óbvias para o aumento do desemprego. Por exemplo, era importante olhar para os 60 mil indivíduos que recusavam procurar emprego apesar de pertencerem a famílias que recebem o rendimento social de inserção (RSI). Pedro Mota Soares, ministro da Segurança Social, fez muito bem em recambiar estes valorosos jovens para os centros de emprego. Num ápice, a nação recebeu assim 60 mil novos desempregados que, ora essa, não estavam para se maçar com essa coisa de procurar trabalho. Repare-se que estes 60 mil indivíduos têm idade e capacidade para trabalhar, mas tinham como modo de vida a recolha do RSI. Estamos a falar de 60 mil pessoas. É um Estádio da Luz cheio de gente que mentia à sociedade, fingindo incapacidades e recusando uma procura activa de emprego. Para estes ditosos cidadãos, o RSI era uma espécie de PPP dos pequeninos. Também tinham direito ao saque, não é verdade? Entretanto, são constantes as queixas de empresas sobre a falta de mão-de-obra em muitos sectores. Outro pormenor sem importância. por Henrique Raposo no Expresso online via Clube das Republicas Mortas
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terça-feira, 4 de setembro de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Álvaro Cunhal não era um democrata
(...) A partir do seu trono
parisiense, Álvaro Cunhal deu ordens para o partido ter cuidado com o movimento
do MFA . Sucede que a liderança
interna (Carlos Brito) resistiu a esta relutância cunhalista. A resistência foi
tanta que Álvaro Cunhal, em Março de 74, tentou pôr ordem na casa através da
convocação de um plenário do Comité Central a ter lugar na URSS em Setembro. Ou
seja, Cunhal queria travar o 25 de Abril ou, pelo menos, queria retirar o apoio
do PCP ao dito golpe (...)
(...) Em vários colóquios
internacionais, Carrillo dizia que Franco cairia pacificamente e que esse
dominó de transição democrática acabaria por atingir o Estado Novo. Cunhal
respondia a isto com irritação, dado que encarava Carrillo como um totó. O Generalíssimo
do PCP só reconhecia a linguagem
da violência, só acreditava na via armada controlada pelo PCP . A ideia
de uma transição pacífica e aberta a todos (e não apenas ao PCP )
implicava encarar as outras forças com respeito (...)
para ler na coluna
de hoje do Expresso On Line
por Henrique Raposo no Clube das Republicas
Mortas
Henrique Raposo tem 30 anos. Ainda não era
nascido aquando do 25 de Abril e dificilmente poderá imaginar que, sem o 25 de
Novembro, poderia ter escrito e publicado este texto...
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José Costa-Deitado
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O principal problema das escolas? Os paizinhos
O governo tem mais do que razão para dar esta guinada conservadora na sociedade: os pais dos alunos com problemas disciplinares sistemáticos têm de ser punidos. Porque o principal problema das escolas não está no próprio sistema educativo, mas sim em casa. Digo e repito: se uma criança é ensinada no facilitismo pelos próprios pais, como é que um estranho - o professor - pode pedir exigência à dita criança? É impossível.
Não por acaso, o Sol (p. 38) trazia uma peça elucidativa a este respeito. Numa reportagem sobre um projecto da Associação dos Empresários pela Inclusão Social, ficámos a saber que muitos miúdos da zona de Sesimbra foram recuperados para a actividade escolar. Miúdos da "boa vida" e com registo criminal pensam agora em carreiras tão diferentes como a Marinha e cursos de cozinha. Mas o mais curioso nesta história é a ausência dos pais. Um dos miúdos diz assim: "estive cinco meses fora da escola, mas a minha mãe não sabia". Uma mãe atenciosa, portanto. E este é o tipo de mãe que gosta de intimidar os professores quando, por acaso, resolve ir à escola. Não é preciso passar muito tempo com professores para ouvirmos histórias de bullying destas mães e destes pais sobre os professores. "Como se atreve a chumbar a minha filha, que até sabe quando é 2 x 2, como?", "como se atreve a levantar a voz para o meu filhinho, coitadinho, que é tão bom, um anjo, como?". Em vez de ralharem com os filhos, estes progenitores insultam e agridem os professores, desautorizando por completo a autoridade da escola. O abandono escolar começa aqui.
Ora, como o governo já percebeu, há formas de punir estes pais extremosos que oscilam entre o 8 (não querem saber) e o 80 (quando querem saber é para dar pancada nos professores). Se as pessoas querem ajuda da sociedade, então, têm de se comportar como criaturas responsáveis. Essa responsabilidade, para início de conversa, começa no acompanhamento da vida escolar dos filhos numa lógica de respeito pelos professores. Sem a imposição deste mínimo olímpico, pouca coisa pode ser feita na escola. por Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas
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José Costa-Deitado
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
e os “jornalistas” falam com estes senhores...
Mas quem é o Presidente da comissão de utentes da saúde?
Aliás, o que é a comissão dos utentes da saúde?
2. E os jornalistas falam com este senhor como se ele representasse mesmo os utentes da saúde. por Henrique Raposo no http://Clube das Republicas Mortas
Liberdade para João Vasconcelos
Liberdade para João Vasconcelos
Francisco Louçã foi ontem a um jantar reclamar com as portagens na via do infante. Tinha ao seu lado o presidente da comissão de utentes, João Vasconcelos. Aquele que apelou à desobediência civil. Louçã conhece bem João Vasconcelos. Vasconcelos é do Bloco de Esquerda e foi candidato pelo partido à câmara municipal de Portimão. Duas vezes. O jantar de ontem foi em Portimão. Para o Vasconcelos poupar nas portagens. Imagino. publicado por Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada
liberdade para Francisco Almeida
liberdade para Francisco Almeida
É tempo de dizer basta. É tempo de acabar com a vergonhosa exploração da mão-de-obra que o PCP sistematicamente promove. É tempo de estarmos solidários com os funcionários do PCP que são vítimas inocentes desta política. É tempo de denunciar para proteger o proletariado do Partido.
Francisco Almeida é disto bom exemplo. 52 anos. Natural de Viseu. Professor por vocação. Militante comunista. Foi obrigado a tornar-se porta-voz da comissão de utentes da A25. E da A24. E da A23. Três autoestradas. Três comissões. O mesmo militante para todas. Passa horas a falar para as televisões. E nem sempre dentro do horário de trabalho. Horas extraordinárias que o partido não recompensa. Como nunca recompensou.
Pobre Francisco. E como se não bastasse ainda é obrigado a acumular toda esta trabalheira com a participação noutra comissão de utentes: dos utentes dos serviços públicos de Viseu. Mais. Francisco, o mesmo Francisco, é da direcção do sindicato dos professores da região centro. E membro do secretariado nacional da FENPROF. E promotor de petições públicas em nome da sociedade civil. Um abuso.
A vida de Francisco Almeida noPCP nunca foi fácil. Impuseram-lhe uma candidatura à CM de Viseu em 2001. Foi mandatário autárquico em 2005, e forçado a pedir a repetição das eleições, no mesmo ano foi cabeça de lista nas legislativas. Em 2009 repetiram a maldade para depois ser mandatário em 2011.
Francisco Almeida é disto bom exemplo. 52 anos. Natural de Viseu. Professor por vocação. Militante comunista. Foi obrigado a tornar-se porta-voz da comissão de utentes da A25. E da A24. E da A23. Três autoestradas. Três comissões. O mesmo militante para todas. Passa horas a falar para as televisões. E nem sempre dentro do horário de trabalho. Horas extraordinárias que o partido não recompensa. Como nunca recompensou.
Pobre Francisco. E como se não bastasse ainda é obrigado a acumular toda esta trabalheira com a participação noutra comissão de utentes: dos utentes dos serviços públicos de Viseu. Mais. Francisco, o mesmo Francisco, é da direcção do sindicato dos professores da região centro. E membro do secretariado nacional da FENPROF. E promotor de petições públicas em nome da sociedade civil. Um abuso.
A vida de Francisco Almeida no
Francisco é professor do ensino básico. Tem a paixão do ensino. Mas o partido não o deixa realizar a sua vocação. Como membro da direção do sindicato foi compulsivamente destacado como delegado sindical. É verdade que os contribuintes (todos nós) continuam a pagar-lhe o ordenado. É verdade que continua a ser útil à sociedade na luta contra as portagens, na defesa dos serviços públicos ou como cabeça de lista do PCP . Mas também é verdade que há anos que não entra numa sala de aula.
É tempo de dizer basta à flexibilidade e polivalência que o Partido Comunista impõe aos seus funcionários. É tempo de dizer basta.
Libertem Francisco Almeida! publicado por Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada
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José Costa-Deitado
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domingo, 11 de dezembro de 2011
Iliteracia aplicada à segurança social
Em geral, os reformados portugueses têm um sério problema, que revela uma espécie de iliteracia aplicada à segurança social. Os nossos reformados acham que o dinheiro que descontaram está lá num PPR ou assim, só para eles. Não, não está. A SS devia estar baseada num sistema de PPR, sim senhora, mas a realidade é bem diferente. Lamento. O vosso dinheiro caiu num pote geral, e deixou de ser o vosso dinheiro. O vosso dinheiro serviu para pagar as reformas de quem já estava reformado. O vosso dinheiro não está lá numa conta com o vosso nome. O que está lá é outra coisa: uma promessa, e só uma promessa. Devia estar um PPR, isto é, uma conta individual com todo o dinheiro descontado por x. Devia estar, mas não está. por Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
As PPP, o roubo de uma geração
Entre 2014 e 2026, nós, portugueses, iremos pagar todos os anos mais de 1.500 milhões de euros em PPP . 1500 milhões é o mínimo, porque a conta pode chegar aos 2500 milhões (entre 2014 e 2018). Até 2038, iremos pagar - no mínimo - 1000 milhões por ano. A conta das PPP só baixará dos 500 milhões por ano em 2040. Ou seja, os meus netos ainda vão ter de pagar a conta deixada por Sócrates. Como já afirmei, a questão não é a reestruturação da dívida (até porque isso nem depende só de nós; estamos numa moeda partilhada). A grande questão passa por reestruturar esta conta com os construtores e concessionárias. por Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas
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domingo, 14 de agosto de 2011
Orçamento para 2012
1. Passaram dois meses, mas já começo a ficar farto deste governo. Não, não vi cortes na despesa a sério. Bem sei que não está fácil, que a casa parecia um bordel socialista. Sei isso tudo, mas há limites. Não estou a ver cojones, tomates, coragem. Na apresentação do OE 2012, este governo tem de mostrar uma coragem histórica no corte da despesa. Há 14 mil instituições atreladas ao Orçamento. 14 mil. Querem um desenho? O país vai perceber esses cortes e o encerramento de milhares dessas instituições. Não vai é perceber mais impostos e taxas e o caraças (isto sou eu na minha versão mais educada).
2. Dr. Passos, não se atreva a pagar tudo ao dr. Jorge Coelho e afins. Aquelas PPP têm de ser renegociadas a sério. Em nome do "interesse nacional". Se pagar tudo ao dr. Coelho, V. Exa. passará a ser igual ao indivíduo que ocupou o seu lugar até Junho passado. Sabe o que isso significa? Que a malta vai deixar de ser bem educada.
3. Dr. Passos, das duas uma: ou mete a Madeira na ordem, ou alguma coisa feia vai acontecer ao seu partido. Já chega. Portugal Continental já não tem saco para as manias da Madeira. Ai, coitadinhos, que já vivem acima da média nacional. O meu Alentejo é que precisava da ajuda que é enviada para a Madeira. Já chega, porra (isto já sou eu a ficar menos bem educado). por Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas
sexta-feira, 6 de maio de 2011
um problema dos média...
Para ver se nos entendemos: o documento e as declarações da troika são um atestado de incompetência para o governo. A troika criticou os adiamentos de Sócrates ao nível do pedido de ajuda. Ou seja, a troika colocou em causa o teatrinho de Sócrates dos últimos meses. Um teatrinho que nos vai custar milhões e que nos colocou numa posição mais frágil para esta negociação. Não, não se pensou em cortar no 13.º, 14.º (foi esta a base da declaração de Sócrates). A troika diz que o PEC IV não era suficiente, tal como Passos sempre disse. O PEC IV mexia nas pensões mais baixas; este acordo evita isso, seguindo assim Portas e Passos. Para evitar mexer nas pensões mais baixas, a troika aumenta o IVA, tal como Passos deu a entender que seria necessário. A troika diz que é preciso fazer uma auditoria clara, tal como o PSD pedia. A troika bloqueia o TGV e o aeroporto, tal como Portas, Passos (e Ferreira Leite) pediam. A troika dá mais um ano para a correcção do défice, tal como Passos pedia há uns meses. A troika mexe na lei laboral, tal como CDS e PSD (cada um à sua maneira) têm defendido. A troika mexe a gordura da CGD (os seguros), tal como Passos defende. Etc, etc, etc. Seja qual for o lado da análise, o governo perde em toda a linha. Agora, os reis do spin e os jornalistas amigos vão encontrar ângulos impossíveis para dizer "não, senhor, o PS é genial". Problema deles. E um problema dos média que se prestam a esse serviço. por Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas
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quarta-feira, 30 de março de 2011
Ir à Segurança Social
Acabo de vir da Segurança Social. Toda a gente devia passar por ali. É para ver como é uma parte do país. Uma parte do país que não vai deixar de votar em José Sócrates. É, sinceramente, um país que apetece abandonar. O país é cada vez mais isto e a vontade de emigrar cresce.
Havia ali uns senhores, vá, patuscos que estavam a falar de um carregamento de DVDs que tinham para vender; mas, calma, tinham a senha de RSI na mão.
Havia ali uns jovens com ar de quem passa 4 horas no ginásio; mas, calma, com senha do RSI na mão. Podem levantar halteres no ginásio no meio das babes, mas já têm distensão muscular congénita quando é para levantar móveis ou assim?
Havia ali meninas, nos seus 20 e 30, a dizer que não recebiam o suficiente da SS.
E um sujeito olha para aquilo e pensa "mas não vais trabalhar porquê? É que aqui mesmo nesta rua há lojas a precisar de pessoas? Não?".
Entretanto, o meu padrinho vai ter de começar a pagar os seus medicamentos. Entretanto, os meus primos que precisam do subsídio de família (porque faz mesmo falta) estão à nora. Desculpem lá, pardon my french, mas o meu pai não me educou para esta merda. por Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas (sublinhados meus)
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