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terça-feira, 19 de maio de 2009

«A Democracia passa por um dos seus piores momentos»

O presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados voltou a referir a demissão de Alberto Costa por pressões a um juiz em Macau há 21 anos, e alertou para a ameaça de «governamentalização» da ordem, criticando Marinho Pinto.
No dia em que o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, voltou a causar polémica no seio da classe ao declarar que há advogados que presto auxílio ao crime, o presidente do Conselho Superior da Ordem foi entrevistado na SIC Notícias, onde criticou o discurso de «indeterminação» do bastonário, instando-o a concretizar acusações.
«Isto abre a porta a uma suspeita sobre um grande número de pessoas e lança a ideia de uma classe desprestigiada e degradada», criticou José António Barreiros.
«Insistir nesta ideia de que 'há advogados', 'há jornalistas', nunca passar deste registo verbal indeterminado, não é vantajoso e não resolve as questões», afirmou o advogado.
José António Barreiros fez ainda um balanço negativo do mandato de Marinho Pinto à frente da ordem, criticando a elaboração de uma proposta de estatuto dos advogados que não foi discutida pela classe.
«Ter nas mãos do governo um projecto que altera as competências da ordem, sem ter passado pelas mãos dos colegas? Isto é insólito e não pode ser aceite», declarou, referindo um risco de «governamentalização» da classe.
«Não quero acreditar que o doutor Marinho Pinto tenha uma agenda política. (...) No dia em acreditar, é porque a ordem está posta em causa», afirmou, denunciando uma «estratégia de ataque ás corporações» por parte do Governo.
Questionado sobre o papel do ministro da Justiça Alberto Costa no caso das supostas pressões de Lopes da Costa sobre os investigadores do caso Freeport, José António Barreiros recusou traçar um paralelo entre o episódio e o caso que levou à demissão de Costa em Macau, há 21 anos, mas recordou-o.
Em 1988, Alberto Costa foi demitido de director da Justiça de Macau por tentativa de pressão sobre o juiz José Manuel Celeiro no caso do escândalo da televisão de Macau, TDM.
A demissão foi assinada por José António Barreiros, na altura secretário de Estado da tutela.
«Os factos demonstraram houve pressões junto de um juiz para arquivar um caso e libertar dois presos caso da televisão de Macau, e entendi demiti-lo», recordou o ex-secretário de Estado, que desmente ainda que a demissão de Costa tenha mais tarde sido declarada ilegal, tendo apenas o despacho sido revogado pelo governador Carlos Melancia.
Sem aceder a comentar directamente o actual caso das pressões sobre magistrados, José António Barreiros declarou no entanto que «a Democracia está a passar por um dos seus piores momentos».
«O cidadão comum já não tem capacidade de conviver com tudo o que diariamente é divulgado pela comunicação social», afirmou o advogado à SIC, alertando contra o perigo do «virus da descrença e da desilusão».
«Ou as novas gerações trazem algo de novo ou este sistema está esgotado», declarou José António Barreiros.
Sol

sábado, 16 de maio de 2009

O presidente do Eurojust admitiu ter usado os nomes de José Sócrates e de Alberto Costa no Parlamento (actual.) - TSF

Partidos querem ouvir Lopes da Mota no Parlamento
O procurador Lopes da Mota admitiu ter usado os nomes do primeiro-ministro e do ministro da Justiça nas conversas que manteve com os procuradores responsáveis pela investigação do processo Freeport.
Estas declarações feitas pelo presidente do Eurojust ao jornal Sol já levaram o CDS-PP a requerer a presença de Lopes da Mota no Parlamento, uma vez que o partido considera que as alusões aos nomes de José Sócrates e Alberto Costa são «graves».
Para o deputado Nuno Melo, estas declarações têm de ser explicadas a nível político e não apenas no âmbito do processo disciplinar que foi imposto a Lopes da Mota por parte do Procurador-geral da República, Pinto Monteiro.
«Não pode ficar tudo na mesma. As pessoas não podem esperar apenas que o tempo decorra e que nada aconteça. Por isso, no que de nós dependa, o senhor ministro da Justiça e o procurador Lopes da Mota vão ser ouvidos no Parlamento», sublinhou o parlamentar à TSF.
Nuno Melo quer que Alberto Costa e Lopes da Mota dêem «explicações ao país» assumam as responsabilidades e garantiu que se a maioria PS quiser inviabilizar estas audições, o CDS-PP irá requerê-las potestativamente.
Nuno Melo disse ainda não compreender como Lopes da Mota continua por Eurojust, ainda para mais depois de ter admitido que «usou indevidamente o nome do ministro da Justiça para pressionar investigadores criminais».
«Não se compreende que o senhor ministro da Justiça saiba que o seu nome foi indevidamente utilizado e não se indigne e permita que tudo fique na mesma e não reaja. Faz algum sentido?», perguntou o parlamentar do CDS-PP.
Confrontado pela TSF, o deputado do BE, Miguel Portas, disse apoiar a proposta do CDS-PP. O mesmo aconteceu com Aguiar-Branco, do PSD, e António Flipe.