O longo comunicado no qual Cristiano Ronaldo justifica o abandono do estágio da selecção é uma criação extraordinária.
É simultaneamente transparente e ínvio, alegadamente humilde e despudoradamente egocêntrico, supostamente conciliador e descaradamente assassino. (…)
Estará Ronaldo a querer regressar à selecção ou a empurrar Jorge Jesus para fora dela? (…)
Segundo a cartilha de CR7, Jorge Jesus deveria admitir que errou “ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo”.
Deveria dizer que deseja “muito o Cristiano na Seleção Nacional”, e depois agradecer-lhe profundamente por ter tido a sua confiança no Al-Nassr e na selecção. (…)
Teria ainda de declarar que Cristiano não recebe lições suas de “Amor a Portugal”.
E tudo isto com o tom certo e a devida contrição, matéria em que Jesus parece ter falhado clamorosamente, e que levou Ronaldo a chamar o seu aviãozinho privado.
Ainda mais espantoso: quando revemos a conferência de imprensa de JJ na Dinamarca, ele refere quase tudo o que CR7 lhe pediu. (…)
Mas nem isso satisfez o ego estratosférico de um jogador que hoje ocupa o lugar 1265º do mundo em valor de mercado, e o 51º em Portugal.
Dir-me-ão: isso é porque ele está muito velho.
Precisamente: está muito velho.
O corpo está nos 41, e Ronaldo agarra-se com unhas e dentes ao estatuto dos 31, quando levava seis anos consecutivos a marcar entre 50 a 60 golos por época. (…)
O comunicado de CR7 é o pedido de desculpas mais arrogante da História dos pedidos de desculpas.
Ele até pode continuar a ser um exemplo para a nossa juventude.
Mas só virado do avesso: um exemplo de tudo aquilo que os nossos filhos não devem fazer.”
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