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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Portugal primeiro - a escolha infeliz de um título nacionalista para selar a unidade do PS


O problema com a escolha da designação "Portugal primeiro" para o documento da unidade interna do PS não está no facto de um lapso ter levado António José Seguro a adoptar um título recentemente utilizado pelo PSD. São coisas que acontecem.

O que verdadeiramente preocupa é que nem António José Seguro nem a sua entourage nem António Costa (se este teve acesso ao título) tenham valorizado a conotação nacionalista e maurrasiana da expressão. É difícil de imaginar algo mais fora dos cânones socialistas para baptizar a unidade do PS.

O PS deve agradecer ao PSD ter-se apropriado primeiro da expressão. Assim, o "documento de Coimbra" ficou descontaminado e apropriadamente neutro, o que é melhor do que usar um rótulo de um adversário histórico do socialismo por muito que se queira dizer aos portugueses que o PS é um catch-all party. por Paulo Pedroso no Banco Corrido

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um Estado social para que os avós sustentem os netos? Já estará a acontecer aqui ao lado, em Espanha.


Em Espanha, entre 2006 e 2011 ocorreu uma inversão significativa na estrutura das despesas das famílias segundo a idade do principal angariador de rendimento. As famílias em que este têm entre 16 e 29 anos viram a despesa média descer de 11814 € por ano para 10345 €. As famílias em que este têm 65 e mais anos tiveram uma subida de 10157 € para 12093 € por ano. 
Com estes movimentos, as famílias sustentadas por idosos passaram a ter um nível de despesa superior às famílias sustentadas por pessoas no primeiro terço da vida activa. Provavelmente está a ocorrer uma redistribuição geracional de rendimento inversa da de antigamente. Agora, transferindo de avós para filhos e netos, em vez de filhos adultos para, simultaneamente, os seus pais e os seus filhos.
São sinais de um novo tempo, em que o Estado social centrado nos idosos, incapaz de lidar com as dificuldades do funcionamento do mercado de trabalho e moralmente enviesado contra a protecção de pessoas em idade activa, deixa à família alargada o papel de amortecer os efeitos da crise e, em particular, do desemprego. Mas é um movimento pouco sustentável e pouco equitativo. É pouco equitativo porque as famílias com mais recursos se protegerão melhor, agravando a desigualdade por lhes ser entregue a função redistribuidora. É pouco sustentável porque, destroçadas as carreiras contributivas dos jovens de hoje por uma inserção fragmentária do mercado de trabalho, chegará o tempo em que, com os actuais mecanismos, os idosos futuros deixarão de poder assegurar esta redistribuição.
Oxalá ninguém se confunda quanto a que este amortecedor da crise é só um amortecedor. E, se assim é em espanha, apesar de eu não ter dados para Portugal, é bem provável que não esteja a ser diferente entre nós. por Paulo Pedroso no Banco Corrido

domingo, 28 de outubro de 2012

A metamorfose de Paulo Portas


A liderança de Passos Coelho tem tais características que fez de Paulo Portas um homem de Estado, o único na coligação capaz de dizer que o país deve ser proactivo para com a troika e que o Governo deve procurar entendimentos alargados sobre as saídas da crise.
Que pode fazer a Portugal quem é capaz de dar a Portas espaço para tal metamorfose? por Paulo Pedroso no Banco Corrido

domingo, 7 de outubro de 2012

Denunciar o memorando é o caminho da esquerda? Para onde?


 
O Congresso das Alternativas fechou-se em torno da denúncia do Memorando de Entendimento, em vez de admitir a sua renegociação. Há quem ache o que aconteceu um avanço. Eu acho que é um misto de populismo de esquerda a tentar capitalizar o descontentamento com incapacidade de aceitar que o melhor destino de Portugal é a Europa. E que o caminho não é por aí. por Paulo Pedroso no Banco Corrido

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Contra a corrente e contra a presunção de incompetência

PS indigna-se com nomeações de militantes do PSD e do CDS. PSD e CDS indignaram-se com nomeações de militantes do PS. PCP e BE indignam-se com nomeações de todos, exceto nas autarquias que governam. Ninguém se indigna com nomeações de personagens descoloridas e desconhecidas que nunca tenham defendido nenhuma causa em público. Todos aplaudem ou se calam com nomeações cinzentas fabricadas em sacristias, lojas, tertúlias, bancadas de estádios de futebol ou mesinhas de bar ou, simplesmente, no berço. Sem falsas ingenuidades, anda por aí tanta nomeação absurda quanta indignação selectiva. E, quando espreito as síntese do DR não vejo assim tantos currículos brilhantes nos desconhecidos que ninguém contesta. A presunção de incompetência de quem tem a coragem de ter posições irrita-me, até porque ao contrário de outras, a mentira sobre a incompetência "dos políticos", repetida ao longo dos anos, arrisca-se a tornar-se verdade na mudança de gerações. Ou como diria a nova personalidade reverenciada na sede do meu partido, a má moeda... Se tivessem 18 anos hoje, Soares, Sá Carneiro, Amaro da Costa ou Cunhal adeririam a um partido? Começo a duvidar. por Paulo Pedroso no Banco Corrido

uma peça notável para ler e, principalmente, meditar!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Os vices do PSD.

Paulo Portas pertencerá, evidentemente, ao Conselho de Estado por designação do PSD e a notícia de que os Vice-Presidentes desse partido se esqueceram do seu nome não tem nenhuma consequência no convite que Passos Coelho inevitavelmente lhe fará.
A notícia, contudo, é relevante. Alguém quis que o "esquecimento" fosse público e esse alguém só pode ser um dos que se "esqueceram", a menos que o DN tenha aderido às técnicas dos súbditos de Murdoch. Logo, ou quiseram dizer em público a Portas que não é muito amado pela direcção do PSD ou a Passos Coelho que as necessidades institucionais óbvias da solidez da coligação não estão no topo das preocupações dos seus vices. São nuvens cinzentas na São Caetano. Ou se dissolvem ou, caso continuem a adensar-se acabarão por dar borrasca. Barroso nunca permitiu estas liberdades aos vices. por Paulo Pedroso no Banco Corrido

uma brilhante analise politica de Paulo Pedroso que marca a diferença para quantos por aí botam palpites!
mas,
parece que Paulo Portas não irá para o Conselho de Estado e por isso Paulo Pedroso avança com um novo "post": AQUI (a não perder).

se acrescentarmos o facto de o número dois do governo de "coligação" ser "um independente" e os negócios estrangeiros terem ficado sem a diplomacia económica, devemos começar a preparar-nos para um novo governo de minoria... porque este não vai muito longe!