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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os 60 mil que não queriam trabalhar

Os números do desemprego estão a aumentar por várias razões. A mais importante é, sem dúvida, o fim da hegemonia da construção civil. Como já não é possível construir mais nada (mais estradas?, mais prédios?, mais heliportos?) e como o pouco dinheiro disponível não deve ser canalizado para PPP, o desemprego vai continuar a aumentar. É triste, mas a alternativa era ainda pior, era o mesmo que brincar com o futuro dos nossos filhos. Ora, depois das causas óbvias, como esta desaceleração da construção, encontramos causas menos óbvias para o aumento do desemprego. Por exemplo, era importante olhar para os 60 mil indivíduos que recusavam procurar emprego apesar de pertencerem a famílias que recebem o rendimento social de inserção (RSI). Pedro Mota Soares, ministro da Segurança Social, fez muito bem em recambiar estes valorosos jovens para os centros de emprego. Num ápice, a nação recebeu assim 60 mil novos desempregados que, ora essa, não estavam para se maçar com essa coisa de procurar trabalho. Repare-se que estes 60 mil indivíduos têm idade e capacidade para trabalhar, mas tinham como modo de vida a recolha do RSI. Estamos a falar de 60 mil pessoas. É um Estádio da Luz cheio de gente que mentia à sociedade, fingindo incapacidades e recusando uma procura activa de emprego. Para estes ditosos cidadãos, o RSI era uma espécie de PPP dos pequeninos. Também tinham direito ao saque, não é verdade? Entretanto, são constantes as queixas de empresas sobre a falta de mão-de-obra em muitos sectores. Outro pormenor sem importância. por Henrique Raposo no Expresso online via Clube das Republicas Mortas

terça-feira, 24 de abril de 2012

Álvaro Cunhal não era um democrata


(...) A partir do seu trono parisiense, Álvaro Cunhal deu ordens para o partido ter cuidado com o movimento do MFA. Sucede que a liderança interna (Carlos Brito) resistiu a esta relutância cunhalista. A resistência foi tanta que Álvaro Cunhal, em Março de 74, tentou pôr ordem na casa através da convocação de um plenário do Comité Central a ter lugar na URSS em Setembro. Ou seja, Cunhal queria travar o 25 de Abril ou, pelo menos, queria retirar o apoio do PCP ao dito golpe (...)

(...) Em vários colóquios internacionais, Carrillo dizia que Franco cairia pacificamente e que esse dominó de transição democrática acabaria por atingir o Estado Novo. Cunhal respondia a isto com irritação, dado que encarava Carrillo como um totó. O Generalíssimo do PCP só reconhecia a linguagem da violência, só acreditava na via armada controlada pelo PCP. A ideia de uma transição pacífica e aberta a todos (e não apenas ao PCP) implicava encarar as outras forças com respeito (...) 
por Henrique Raposo  no Clube das Republicas Mortas 

Henrique Raposo tem 30 anos. Ainda não era nascido aquando do 25 de Abril e dificilmente poderá imaginar que, sem o 25 de Novembro, poderia ter escrito e publicado este texto...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O principal problema das escolas? Os paizinhos

O governo tem mais do que razão para dar esta guinada conservadora na sociedade: os pais dos alunos com problemas disciplinares sistemáticos têm de ser punidos. Porque o principal problema das escolas não está no próprio sistema educativo, mas sim em casa. Digo e repito: se uma criança é ensinada no facilitismo pelos próprios pais, como é que um estranho - o professor - pode pedir exigência à dita criança? É impossível.

Não por acaso, o Sol (p. 38) trazia uma peça elucidativa a este respeito. Numa reportagem sobre um projecto da Associação dos Empresários pela Inclusão Social, ficámos a saber que muitos miúdos da zona de Sesimbra foram recuperados para a actividade escolar. Miúdos da "boa vida" e com registo criminal pensam agora em carreiras tão diferentes como a Marinha e cursos de cozinha. Mas o mais curioso nesta história é a ausência dos pais. Um dos miúdos diz assim: "estive cinco meses fora da escola, mas a minha mãe não sabia". Uma mãe atenciosa, portanto. E este é o tipo de mãe que gosta de intimidar os professores quando, por acaso, resolve ir à escola. Não é preciso passar muito tempo com professores para ouvirmos histórias de bullying destas mães e destes pais sobre os professores. "Como se atreve a chumbar a minha filha, que até sabe quando é 2 x 2, como?", "como se atreve a levantar a voz para o meu filhinho, coitadinho, que é tão bom, um anjo, como?". Em vez de ralharem com os filhos, estes progenitores insultam e agridem os professores, desautorizando por completo a autoridade da escola. O abandono escolar começa aqui.

Ora, como o governo já percebeu, há formas de punir estes pais extremosos que oscilam entre o 8 (não querem saber) e o 80 (quando querem saber é para dar pancada nos professores). Se as pessoas querem ajuda da sociedade, então, têm de se comportar como criaturas responsáveis. Essa responsabilidade, para início de conversa, começa no acompanhamento da vida escolar dos filhos numa lógica de respeito pelos professores. Sem a imposição deste mínimo olímpico, pouca coisa pode ser feita na escola. por Henrique Raposo no Clube das Republicas Mortas

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

e os “jornalistas” falam com estes senhores...

Mas quem é o Presidente da comissão de utentes da saúde?
Aliás, o que é a comissão dos utentes da saúde?
1. O Rodrigo Moita de Deus ajuda na resposta, aqui e aqui.
2. E os jornalistas falam com este senhor como se ele representasse mesmo os utentes da saúde. por Henrique Raposo  no http://Clube das Republicas Mortas 

Liberdade para João Vasconcelos
Francisco Louçã foi ontem a um jantar reclamar com as portagens na via do infante. Tinha ao seu lado o presidente da comissão de utentes, João Vasconcelos. Aquele que apelou à desobediência civil. Louçã conhece bem João Vasconcelos. Vasconcelos é do Bloco de Esquerda e foi candidato pelo partido à câmara municipal de Portimão. Duas vezes. O jantar de ontem foi em Portimão. Para o Vasconcelos poupar nas portagens. Imagino. publicado por Rodrigo Moita de Deus no  31 da Armada 

liberdade para Francisco Almeida
É tempo de dizer basta. É tempo de acabar com a vergonhosa exploração da mão-de-obra que o PCP sistematicamente promove. É tempo de estarmos solidários com os funcionários do PCP que são vítimas inocentes desta política. É tempo de denunciar para proteger o proletariado do Partido.

Francisco Almeida é disto bom exemplo. 52 anos. Natural de Viseu. Professor por vocação. Militante comunista. Foi obrigado a tornar-se porta-voz da comissão de utentes da A25. E da A24. E da A23. Três autoestradas. Três comissões. O mesmo militante para todas. Passa horas a falar para as televisões. E nem sempre dentro do horário de trabalho. Horas extraordinárias que o partido não recompensa. Como nunca recompensou.

Pobre Francisco. E como se não bastasse ainda é obrigado a acumular toda esta trabalheira com a participação noutra comissão de utentes: dos utentes dos serviços públicos de Viseu. Mais. Francisco, o mesmo Francisco, é da direcção do sindicato dos professores da região centro. E membro do secretariado nacional da FENPROF. E promotor de petições públicas em nome da sociedade civil. Um abuso.

A vida de Francisco Almeida no PCP nunca foi fácil. Impuseram-lhe uma candidatura à CM de Viseu em 2001. Foi mandatário autárquico em 2005, e forçado a pedir a repetição das eleições, no mesmo ano foi cabeça de lista nas legislativas. Em 2009 repetiram a maldade para depois ser mandatário em 2011.
Francisco é professor do ensino básico. Tem a paixão do ensino. Mas o partido não o deixa realizar a sua vocação. Como membro da direção do sindicato foi compulsivamente destacado como delegado sindical. É verdade que os contribuintes (todos nós) continuam a pagar-lhe o ordenado. É verdade que continua a ser útil à sociedade na luta contra as portagens, na defesa dos serviços públicos ou como cabeça de lista do PCP. Mas também é verdade que há anos que não entra numa sala de aula.
É tempo de dizer basta à flexibilidade e polivalência que o Partido Comunista impõe aos seus funcionários. É tempo de dizer basta.
Libertem Francisco Almeida! publicado por Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada

domingo, 11 de dezembro de 2011

Iliteracia aplicada à segurança social

Em geral, os reformados portugueses têm um sério problema, que revela uma espécie de iliteracia aplicada à segurança social. Os nossos reformados acham que o dinheiro que descontaram está lá num PPR ou assim, só para eles. Não, não está. A SS devia estar baseada num sistema de PPR, sim senhora, mas a realidade é bem diferente. Lamento. O vosso dinheiro caiu num pote geral, e deixou de ser o vosso dinheiro. O vosso dinheiro serviu para pagar as reformas de quem já estava reformado. O vosso dinheiro não está lá numa conta com o vosso nome. O que está lá é outra coisa: uma promessa, e só uma promessa. Devia estar um PPR, isto é, uma conta individual com todo o dinheiro descontado por x. Devia estar, mas não está. por Henrique Raposo no  Clube das Republicas Mortas

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

As PPP, o roubo de uma geração

Entre 2014 e 2026, nós, portugueses, iremos pagar todos os anos mais de 1.500 milhões de euros em PPP. 1500 milhões é o mínimo, porque a conta pode chegar aos 2500 milhões (entre 2014 e 2018). Até 2038, iremos pagar - no mínimo - 1000 milhões por ano. A conta das PPP só baixará dos 500 milhões por ano em 2040. Ou seja, os meus netos ainda vão ter de pagar a conta deixada por Sócrates. Como já afirmei, a questão não é a reestruturação da dívida (até porque isso nem depende só de nós; estamos numa moeda partilhada). A grande questão passa por reestruturar esta conta com os construtores e concessionárias. por Henrique Raposo no Clube das  Republicas Mortas

domingo, 14 de agosto de 2011

Orçamento para 2012

1. Passaram dois meses, mas já começo a ficar farto deste governo. Não, não vi cortes na despesa a sério. Bem sei que não está fácil, que a casa parecia um bordel socialista. Sei isso tudo, mas há limites. Não estou a ver cojones, tomates, coragem. Na apresentação do OE 2012, este governo tem de mostrar uma coragem histórica no corte da despesa. Há 14 mil instituições atreladas ao Orçamento. 14 mil. Querem um desenho? O país vai perceber esses cortes e o encerramento de milhares dessas instituições. Não vai é perceber mais impostos e taxas e o caraças (isto sou eu na minha versão mais educada).
2. Dr. Passos, não se atreva a pagar tudo ao dr. Jorge Coelho e afins. Aquelas PPP têm de ser renegociadas a sério. Em nome do "interesse nacional". Se pagar tudo ao dr. Coelho, V. Exa. passará a ser igual ao indivíduo que ocupou o seu lugar até Junho passado. Sabe o que isso significa? Que a malta vai deixar de ser bem educada.
3. Dr. Passos, das duas uma: ou mete a Madeira na ordem, ou alguma coisa feia vai acontecer ao seu partido. Já chega. Portugal Continental já não tem saco para as manias da Madeira. Ai, coitadinhos, que já vivem acima da média nacional. O meu Alentejo é que precisava da ajuda que é enviada para a Madeira. Já chega, porra (isto já sou eu a ficar menos bem educado). por Henrique Raposo  no Clube das Republicas Mortas

sexta-feira, 6 de maio de 2011

um problema dos média...

Para ver se nos entendemos: o documento e as declarações da troika são um atestado de incompetência para o governo. A troika criticou os adiamentos de Sócrates ao nível do pedido de ajuda. Ou seja, a troika colocou em causa o teatrinho de Sócrates dos últimos meses. Um teatrinho que nos vai custar milhões e que nos colocou numa posição mais frágil para esta negociação. Não, não se pensou em cortar no 13.º, 14.º (foi esta a base da declaração de Sócrates). A troika diz que o PEC IV não era suficiente, tal como Passos sempre disse. O PEC IV mexia nas pensões mais baixas; este acordo evita isso, seguindo assim Portas e Passos. Para evitar mexer nas pensões mais baixas, a troika aumenta o IVA, tal como Passos deu a entender que seria necessário. A troika diz que é preciso fazer uma auditoria clara, tal como o PSD pedia. A troika bloqueia o TGV e o aeroporto, tal como Portas, Passos (e Ferreira Leite) pediam. A troika dá mais um ano para a correcção do défice, tal como Passos pedia há uns meses. A troika mexe na lei laboral, tal como CDS e PSD (cada um à sua maneira) têm defendido. A troika mexe a gordura da CGD (os seguros), tal como Passos defende. Etc, etc, etc. Seja qual for o lado da análise, o governo perde em toda a linha. Agora, os reis do spin e os jornalistas amigos vão encontrar ângulos impossíveis para dizer "não, senhor, o PS é genial". Problema deles. E um problema dos média que se prestam a esse serviço. por Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas

domingo, 10 de abril de 2011

Parem as rotativas há um socialista inteligente

Uma epígrafe raposiana, que é por causa das tosses: "O primeiro-ministro que nos levou à bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela", Rómulo Machado, militante do PS, (hoje, às 00.42).

MATOSINHOS/PORTO. Neste congresso norte-coreano, todos os oradores dizem o mesmo. Até parece que recebem um script obrigatório logo à entrada da Exponor. Tirando Jaime Gama, nenhum dos tubarões ousou desafiar o script leninista (como é que o PS chegou tão baixo ao nível do debate e do tal pluralismo?). Mas deixemos Jaime Gama para amanhã. Hoje queria apenas homenagear o único socialista que revelou coragem e inteligência (como é óbvio, Almeida "Fidel" Santos agendou a intervenção deste homem para o início da madrugada).
Este bravo socialista dá pelo nome de Rómulo Machado, um indivíduo que devia ser emoldurado. Para começo de conversa, Rómulo Machado disse que "um congresso não é um comício". Ou seja, Rómulo afirmou no palanque aquilo que Ana Gomes só tem coragem de dizer cá fora: é preciso assumir erros, é preciso fazer uma crítica interna. Porque, de facto, este consenso acrítico é sufocante. É uma espécie de unanimismo norte-coreano. Fora de brincadeiras, o "centralismo democrático" do PCP não deve ser muito diferente deste PS socrático, que vive completamente metido na sua bolha mediática e de culto ao líder. Chega a fazer impressão. Depois, Rómulo Machado desmontou a argumentação de José Sócrates. A crise da nossa dívida não foi provocada pela tal crise internacional. Os mercados não obrigaram Portugal a pedir dinheiro emprestado. Foi o governo Sócrates que transformou uma dívida pública de 92 mil milhões (2005) numa dívida de 160 mil milhões (2010). Ou seja, a nossa crise é o resultado de um "endividamento irresponsável" levado a cabo por este governo, levado a cabo por políticas assentes no betão para os amigos construtores. Ora, perante esta conclusão, Rómulo Machado afirmou que o PS precisava de uma nova liderança, porque "o primeiro-ministro que conduziu o país à bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela". O coro de assobios que recebeu é o melhor elogio que um português pode receber neste momento. por Henrique Raposo no Expresso

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ir à Segurança Social


Acabo de vir da Segurança Social. Toda a gente devia passar por ali. É para ver como é uma parte do país. Uma parte do país que não vai deixar de votar em José Sócrates. É, sinceramente, um país que apetece abandonar. O país é cada vez mais isto e a vontade de emigrar cresce.

Havia ali uns senhores, vá, patuscos que estavam a falar de um carregamento de DVDs que tinham para vender; mas, calma, tinham a senha de RSI na mão.

Havia ali uns jovens com ar de quem passa 4 horas no ginásio; mas, calma, com senha do RSI na mão. Podem levantar halteres no ginásio no meio das babes, mas já têm distensão muscular congénita quando é para levantar móveis ou assim?

Havia ali meninas, nos seus 20 e 30, a dizer que não recebiam o suficiente da SS.

E um sujeito olha para aquilo e pensa "mas não vais trabalhar porquê? É que aqui mesmo nesta rua há lojas a precisar de pessoas? Não?".


Entretanto, o meu padrinho vai ter de começar a pagar os seus medicamentos. Entretanto, os meus primos que precisam do subsídio de família (porque faz mesmo falta) estão à nora. Desculpem lá, pardon my french, mas o meu pai não me educou para esta merda. por Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas (sublinhados meus)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O regime que morreu três vezes


O regime morreu. A III República portuguesa está morta. Ainda ninguém levantou o corpo, porque as certidões de óbito - em política - demoram a chegar. E, neste caso, estamos a falar de três certidões, ou seja, vivemos num regime que morreu três vezes.
A primeira morte é económica. ...
A segunda morte é institucional. ...
A terceira morte é partidária. O nosso sistema partidário tem a vitalidade de um zombie, pois não responde às necessidades da sociedade. Porquê? Ora, porque os partidos portugueses representam os interesses do Estado e não os interesses da sociedade. Portugal precisa de reformas que emagreçam o Estado, mas os partidos são os primeiros a recusar essas reformas. É natural: o emagrecimento do Estado significaria o fim de milhares e milhares de empregos para os boys. ...
Para esconder as três mortes do regime, os partidos inventaram um mecanismo de defesa: o folclore fracturante. A actual conversa sobre o casamento gay é só mais uma forma de adiar a chegada do médico legista da III República, o regime que morreu três vezes.
ler o artigo completo de Henrique Raposo no Expresso

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estado da Nação


A cada hora, o Estado endivida-se em 2.5 milhões de euros. Mas nada se passa. Há uma espécie de caos silencioso. Pior: aqueles que têm os cojones de apontar para mudanças são esmagados. Isto começa a ser um caso clínico de denial. por Henrique Raposo no Clube das Repúblicas Mortas

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SOS Racismo que valentes!


I. Uma excelsa organização chamada "SOS Racismo" quer estragar a festa aos católicos portugueses: "Propomos que nesses dias em que o Papa vai estar em Portugal, conseguir o maior número possível de pessoas nos locais onde o Papa vai realizar as missas e distribuir preservativos e/ou folhetos informativos relativos à prevenção da SIDA pelo maior número de pessoas presentes nesses locais" ; (mil perdões pelo português, mas não me apetecia editar isto).
II. Eu, que sou um emérito palhaço, alinho nisto. Acho um piadão dar preservativos a beatas secas e ressentidas. Mas, depois, eu gostava de convidar os valentes meninos do 'SOS Racismo' para irmos ali à Mesquita de Lisboa, para fazermos uma nova distribuição de preservativos. Que tal, ah? Aqueles angélicos senhores de barba não são as ameaçadoras beatas católicas, logo, a coisa até pode ser mais fácil.
E, depois, eu também gostava de fazer uma visita às comunidades muçulmanas (guineenses?) onde a prática da excisão genital feminina é uma realidade . O 'SOS Racismo' pode vir comigo? O 'SOS Racismo' está a autorizado a criticar populações negras? O 'SOS Racismo' está autorizado a criticar o Islão? O 'SOS Racismo' só critica brancos e católicos?
III.
A Igreja Católica é uma das instituições que mais luta contra a SIDA em África. Uma - hipotética - declaração infeliz do Papa não anula esse facto. Há freiras e missionários católicos em África, no meio da lama e do pó, a lutar contra a pobreza e contra a SIDA. Quantos meninos do 'SOS Racismo' estão em África a lutar contra a pobreza e contra SIDA?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Criticar a Igreja, desculpar o Islão


Eis a receita do politicamente correcto:
criticar a Igreja e, ao mesmo tempo, desculpar o Islão. É uma receita que garante palmas e prémios.
I. O ruído em redor da pedofilia na Igreja continua. A Igreja é, de facto, um alvo fácil para uma sociedade, a europeia, onde o ateísmo mais acéfalo é o apogeu da coolness. Bater na Igreja fica sempre bem: é a regra número um das Paulas Bobones do politicamente correcto. Sei do que falo. Já segui à risca essa regra.
II. Mas, na maioria dos casos, este ateísmo cool não passa de uma simples gripe anti-católica. Os ateus de serviço criticam sempre os católicos, mas nunca criticam o Islão radical, nunca criticam as comunidades muçulmanas que vivem na Europa. Por essa Europa fora, os pais e irmãos muçulmanos matam as filhas e as irmãs, porque estas, coitadas, cometem o pecado que é namorar com um "europeu". E o barulho mediático que se faz em redor destes crimes de honra é quase nulo. Os mesmos que ganham a vida a criticar o Papa nada dizem sobre
notícias deste tipo.
III. Sim, a Igreja deve ser criticada. Sim, alguns membros da Igreja devem ser julgados (aqui na cidade dos homens, onde há crime e não apenas pecado). Mas a Igreja não pode pagar pelos pecados do Islão radical. Esta dualidade de critérios da "agenda" mediática (criticar sem piedade a Igreja; silêncio acrítico sobre o Islão) é uma doença séria, que deve ser atacada.
Neste sentido, recomenda-se a leitura de "Identidade e Violência", do grande Amartya Sen. por Henrique Raposo no Expresso

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dr. Sócrates e os pacóvios

"José Sócrates deve achar que somos um país de pacóvios". Bagão Félix dixit. Assino por baixo. O primeiro-ministro vive dentro da propaganda. Não sabe o que é a realidade.
I. Ontem, na SIC-N, Bagão Félix desmontou, sem papas na língua, as mentiras económicas do primeiro-ministro. Em primeiro lugar, o ex-ministro disse que as eleições de Setembro foram realizadas sobre uma mentira económica. E tem toda a razão. No verão, José Sócrates escondeu a realidade ao país; pintou Portugal com tons de rosa para conseguir ganhar umas eleições. Depois, com o poder de novo no bolso, virou o bico ao prego. Em Março de 2010, Sócrates negou tudo aquilo que disse em Setembro de 2009. Mas a realidade é a mesma, não mudou. O PS é que escondeu a realidade do país.
Esta mentira económica é quase tão grave como a mentira política da TVI/PT.
II. Em segundo lugar, Bagão Félix afirmou que, mais uma vez, Sócrates faltou às suas promessas eleitorais: dizia que não aumentava impostos, mas aí estão os aumentos de impostos. E, de forma clara, citando um documento oficial de 2007, Bagão Félix provou como a mentira está instituída na cultura de governação deste PS.
Os documentos "oficiais" não são retratos exactos do país. São peças de propaganda.
III. Em terceiro lugar, Bagão Félix falou da incompetência deste PEC. Não há apenas propaganda. Há também incompetência.
Isto porque este plano, como também salienta André Macedo, não aponta para o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o investimento privado.
IV. Dr. Sócrates, escreva no quadro quarenta vezes: "investimento privado". Henrique Raposo in
Dr. Sócrates e os pacóvios no Expresso.pt