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sábado, 27 de junho de 2020

Respeitemo-lo pois, e que se lhes amenize, quanto possível for, a tristeza de exílio


Gungunhana, rei de Gaza no sul de Moçambique, foi um grande resistente à penetração dos portugueses naquele território. Acabou por ser derrotado por Mouzinho de Albuquerque, em 1895, e transferido para Lisboa na companhia de outros prisioneiros. Depois de permanecerem algum tempo em Lisboa, foi decidido encaminhar quatro deles para a Terceira: o filho Godide, o tio Molungo e Matibejana, vulgo Zixaxa. Como não era permitida a poligamia, as sete mulheres de Gungunhana e as três de Zixaxa foram para Cabo Verde.
A 27 de Junho de 1896, chegaram a Angra do Heroísmo. Uma vez mais foram aguardados por numerosa multidão que os acompanhou ao Castelo de S. João Baptista. A imprensa local deu grande cobertura ao acontecimento e marcou o tom da relação a estabelecer com os prisioneiros: 
"Respeitemo-lo pois, e que se lhes amenize, quanto possível for, a tristeza de exílio".
Com o decorrer dos tempos, as medidas de segurança foram-se simplificando e os prisioneiros podiam passear à vontade pelo Monte Brasil e depois pela cidade. Os moçambicanos começaram, então, a relacionar-se com os terceirenses. E um jornal local tudo relatava: "Todas as manhãs, com um pincel de nervura de palmeira, na dimensão de dez centímetros, esfregavam os dentes no sentido vertical e enchiam a boca de água para a devida lavagem - projectando-a fora, em seguida, a jeito de esguicho, a ir cair à distância de vários metros. Procediam, ainda, numa operação que durava cerca de vinte minutos, à limpeza da língua, com uma espátula de cana".
Na cidade de Angra, foi moda durante algum tempo o chapéu com abas à Gungunhana, que as meninas usavam; no Teatro Angrense, foi representada uma opereta intitulada " Gungunhana nos Açores", escrita por um terceirense; um artista de circo ofereceu-lhes um espectáculo privado e especial com números do seu burro sábio.



Em 1899, foram baptizados e crismados, na Sé de Angra, em cerimónia revestida da maior solenidade e muito concorrida. Apadrinhados pela alta sociedade angrense, que se esforçou por lhes dar o estatuto de assimilados, passaram então a chamar-se: Reinaldo Frederico Gungunhana, António da Silva Pratas Godide, Roberto Frederico Zixaxa e José Frederico Molungo.

Em 1906, morreu Gungunhana com hemorragia cerebral, seguiu-se Godide em 1911 e o tio Molungo, um ano depois. Zixaxa ficou sozinho, com a profissão de guarda do Monte Brasil, até falecer em 1927, tendo deixado descendentes que ainda hoje vivem em Angra. (por Irene Maria F. Blayeree Lelia Pereira Nunes)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Instrumentos musicais para Moçambique


A Fundação Calouste Gulbenkian esteve aberta para receber instrumentos musicais destinados às crianças e jovens de Moçambique. Foi a primeira vez que a instituição participou nesta iniciativa da organização Music Fund, com sede na Bélgica. A recolha de instrumentos já existe desde 2005, tendo como destino a República Democrática do Congo e o Médio Oriente, estando previstas, além de Moçambique, acções para Marrocos e Haiti. Depois de registados, os instrumentos são recuperados, caso seja necessário, e os doadores podem acompanhar pela Internet a viagem entre Lisboa e Moçambique.

Com a campanha "Música por uma Causa", a fundação Gulbenkian conseguiu recolher 386 instrumentos musicais para entregar a Moçambique e outros países carenciados.
A organização mundial do evento afirma que Portugal foi o país mais solidário de todos, com o "maior de sempre" de instrumentos recolhidos, apesar de em Madrid, ter sido atingido um número recorde de 400 instrumentos, mas em 2 dias de recolha…
Esperemos que a dádiva chegue a “bom porto” e não encalhe, como outras, na burocracia aduaneira moçambicana.

domingo, 12 de setembro de 2010

mais um país a caminho da "democracia popular" ?


Num comunicado divulgado em Joanesburgo, e assinado pela directora-executiva do FXI, Ayesha Kadee, o Instituto para a Liberdade de Expressão critica severamente em particular a operadora sul-africana Vodacom por aplicar métodos em Moçambique, onde possui uma rede celular, que são contrários è letra da Constituição no país onde está sedeada, a África do Sul.
O FXI recorda que as telecomunicações móveis revolucionaram as comunicações em África, especialmente em áreas remotas e sub-desenvolvidas.
A súbita indisponibilidade do serviço de mensagens escritas (sms) nas redes moçambicanas a semana passada foi vista como uma tentativa do governo em impedir que novas manifestações e tumultos fossem convocados por aquela via, como vinha acontecendo desde o início das violentas manifestações contra o alto custo de vida.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

“manifestações” contra aumento do custo de vida em Maputo


Há registos de algumas manifestações em alguns bairros da periferia de Maputo, na manhã desta quarta-feira. Alguns leitores d´Verdade referiram há poucos instantes que que a estrada está cortada entre Benfica e São Roque e está muito difícil circular naqueles bairros. Muitos agentes da PRM estão no local a tentar manter a calma.
Outra informação, não confirmada indica que um autocarro dos TPM foi parado com pedras pelas mesmas zonas. Há relatos de tiros, gás lacrimogénio e pneus nas ruas nos bairros do Jardim, Zimpeto e Hulene.
Temos relatos de estarem a ser ouvidos tiros na Malhangalene, nas proximidades do Shoprite. Recebemos também indicação que há focos de manifestações nas proximidades da portagem de Maputo.
Num olhar pela cidade de Maputo nestas primeiras horas do dia nota-se um fraco movimentos de viaturas e pessoas nas principais avenidas, que normalmente à esta hora costumam estar com muito movimento. Pode-se vislumbrar nos céus um fumo negro vindo da zona do Jardim e Benfica.
Segundo um leitor nosso no bairro do Triunfo, em frente ao parque Elena estão a pôr pedras na estrada, a atirar com garrafas e pedras aos carros e as pessoas.
Vários autocarros dos Transportes Públicos de Maputo, TPM, estão a abandonar as suas rotas e a regressarem a base, podem-se ver alguns com vidros partidos.
No bairro da Liberdade, na Machava e na Matola há relatos de tiros e "ouvem-se sirenes da polícia".
Jorge Kalau, comandante geral da polícia, diz que a polícia vai fazer tudo que estiver ao seu alcance para reprimir estas manifestações.
Na avenida Acordos de Lusaka há vários pneus queimados nas estradas impedindo o tráfego de viaturas na entrada da cidade, a polícia e os bombeiros estão no local a tentar conter os distúrbios.
Há registo de alguns feridos que deram entrada no Hospital José Macamo, em resultado destas manifestações.
Recebemos uma informação não confirmada que há pessoas a vandalizar o SuperMarés, localizado na zona da Marginal próximo ao bairro do Triunfo.
Até ao momento não apareceu nenhum membro do Governo a fazer um pronunciamento oficial sobre estas manifestações em Maputo.

“Mocambicano Prepara te no grande dia de greve 01/09/10. Revendicamos sobre a subida de precos: de energia, água, arroz, xapa e pão. Envia pra outros mocambicanos. BOA NOITE”
esta é uma mensagens electrónicas enviada através de telemóvel, SMS, que está a circular nos últimos dias convocando os cidadãos a aderirem a uma alegada manifestações contra o aumento do custo de vida no país.

Os recentes aumentos dos preços do pão, electricidade e combustíveis, que se juntam ao aumento dos preços de quase todos outros produtos estão a levantar receios da eclosão de violentos protestos semelhantes aos de 5 de Fevereiro de 2008 contra o aumento nas tarifas dos "chapas", e que geraram confrontos com a polícia e a paralisação do comércio e outras actividades na cidade de Maputo.
Na altura, a capital moçambicana ficou transformada numa cidade em estado de sítio, com contentores de entulho virados, montes fumegantes de pneus ardidos, com barricadas de fogo em algumas das artérias da cidade, além de empresas, escolas e comércio fechados. Os tumultos, em Maputo e Matola (arredores da capital) causaram quatro mortos e 98 feridos, de acordo com o balanço final oficial.
in a verdade