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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Gato escaldado…


A entrada no Banif de 1.100 milhões de euros de dinheiro do Estado suscitou uma inquietação: vamos ter um novo BPN? A resposta é “não”.
...
 
O Banif é outra história. O dinheiro que o Estado lá coloca vem da parte do dinheiro da troika, expressamente destinada à recapitalização dos bancos. O BPI e o BCP já receberam fundos dessa fonte.
O objectivo é dar tempo ao Banif para se capitalizar com fundos privados. Até lá (2017), o Banif paga juros de 9 a 10% ao Estado – um bom negócio para os contribuintes. E aplica parte do dinheiro recebido na compra de dívida pública.
Esta “nacionalização” temporária do Banif parece, assim, blindada contra imprevistos.
Mas percebe-se o receio: gato escaldado de água fria tem medo.  por Francisco Sarsfi eld Cabral no Página 1

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O CDS não gostou da proposta de Orçamento...


O CDS não gostou da proposta de Orçamento. É natural: quem gosta de um tão brutal aumento de impostos? Mas o desagrado público de deputados do CDS (e alguns do PSD) não pode pôr em causa a aprovação do OE.

Nesta altura, o chumbo do OE – reclamado pelos partidos da extrema-esquerda – teria as consequências que Vítor Gaspar apontou: significaria o rompimento com a troika, que cortaria o financiamento a Portugal. Mais: iria inverter dramaticamente a tendência dos últimos meses na recuperação da confiança em Portugal por parte dos mercados. Em suma, seria a bancarrota, deitando pela borda fora os sacrifícios já feitos pelos portugueses e abrindo uma fase de extrema austeridade.

O ministro das Finanças desafiou os deputados da maioria a apresentarem alterações ao OE na especialidade. Faz sentido, desde que não subam o défice; ou seja, baixem alguns impostos, cortando o equivalente na despesa (foi que o Conselho de Ministros tentou fazer em longas reuniões, com fracos resultados). Mas chumbar o OE no Parlamento seria uma indesculpável irresponsabilidade. Francisco Sarfield Cabral no pagina 1

quinta-feira, 12 de julho de 2012

a estratégia do “bom aluno”

Vítor Gaspar revelou que o Conselho do Eurogrupo solicitara à troika que no próximo exame (finais de Agosto) encarasse com as autoridades portuguesas formas de “favorecer o êxito do processo de ajustamento em Portugal”. E o presidente do Eurogrupo, Juncker, elogiou o cumprimento do memorando pelo nosso país.
Ou seja, a estratégia do “bom aluno”, tão ridicularizada por políticos ignorantes, afinal compensa. Embora um governo do PS tenha negociado o memorando com a troika, passados escassos meses da sua aplicação já os socialistas clamavam por menos austeridade, mais tempo, mais dinheiro… Percebendo que o facilitismo sai caro, o Governo sempre recusou reclamar condições mais suaves.
O resultado está à vista: Portugal reconquistou a confiança das instituições internacionais, nomeadamente das que nos emprestam dinheiro ao abrigo do programa de assistência financeira. Como os portugueses deram provas de capacidade para cumprirem, podem agora negociar alterações ao memorando num clima de abertura e simpatia, em vez de desconfiança, como na Grécia.  Francisco Sarsfi eld Cabral
* titulo roubado ao texto...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Boys & Girls

O PS acusa o Governo de ter nomeado mais gente do que o anterior executivo. O Governo responde que, excluindo os gabinetes dos ministros e dos secretários de Estado, nomeou 1.110 pessoas, mas apenas 190 correspondem a novas nomeações.
Esta enjoativa controvérsia repete-se há décadas. Com o enfraquecimento das ideologias, os partidos tornaram-se agências de empregos. Empregos, naturalmente, na área dominada directa ou indirectamente pelo Estado. Ou seja, somos nós, contribuintes, a pagar o emprego das clientelas partidárias.
Seria saudável reduzir drasticamente o número de lugares dependentes de nomeação governamental. Compreende-se que nos gabinetes de membros do Governo estejam pessoas da confiança política dos governantes. Mas a Administração Pública deveria ser despartidarizada. Por exemplo, os directores-gerais não mudariam quando muda o Governo.
Foi assim que a França de III e da IV Repúblicas compensou a enorme instabilidade governamental. Instabilidade que, embora em menor grau, também tem existido na democracia portuguesa. por Francisco Sarsfield Cabral  rr

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O tiro pela culatra


Como ainda há dias se viu com a divulgação a conta-gotas dos dados da execução orçamental de Janeiro, o Governo continua a usar técnicas publicitárias para transmitir imagens positivas de insucessos ou de resultados medíocres. Ainda não se terá dado conta de que essa sua tendência propagandística tem efeitos contrários aos pretendidos: agrava a desconfi ança, em vez de a diminuir.
Aumenta a desconfiança interna, com os portugueses a serem os mais pessimistas na Europa quanto às perspectivas económicas.
E aumenta a desconfi ança externa, com os credores a exigirem juros cada vez mais altos para comprarem a nossa dívida. Juros que atingem, já, um nível incomportável se rapidamente não baixarem.
Ou seja, o tiro propagandístico do Governo está a sair-lhe pela culatra – mas seremos nós a pagar a asneira.
Quando o grau de optimismo que Sócrates e os seus colaboradores manifestam é tão exuberantemente desmentido pela realidade, a consequência apenas pode ser uma: os portugueses e os mercados deixam pura e simplesmente de acreditar no Governo.
por Francisco Sarsfield Cabral no Pagina 1