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terça-feira, 26 de março de 2013

Desinformação sobre Chipre


A qualidade da informação em Portugal é tão fraquinha ao ponto de as pessoas debaterem incessantemente Chipre sem saberem quase nada sobre Chipre, o que obviamente só pode levar a conclusões erradas ou absurdas. Os pontos seguintes são essenciais para perceber as opções da União Europeia em relação a Chipre, mas raramente são mencionados nos debates ou nas notícias:
1. Chipre não tem capacidade de se financiar nos mercados e precisa de ajuda externa.
2. Os maiores bancos cipriotas estão falidos. Falidos mesmo. Não é um problema de liquidez como o Banif ou o BCP, é falidos como o BPN (algumas pessoas também não percebem esta diferença, mas pronto).
3. Só seria possível salvar os bancos cipriotas com injecções de dinheiro a fundo perdido, coisa que a UE não pode fazer porque as regras não o permitem. Nem a UE quer porque isso beneficiaria os infractores que não cumprem as regras do euro.
4. Chipre poderia salvar os bancos assumindo as dívidas destes, como fez a Irlanda. Mas essa opção não é viável. Chipre não teria capacidade para pagar a dívida e a União Europeia não aceita essa opção porque não empresta dinheiro que sabe não poder nunca recuperar. O FMI idem.
Porque é que esta informação é omitida? Porque facilita a narrativa infantil de que a UE e a Alemanha só querem fazer maldades a Chipre e ao Sul da Europa. É isso que as pessoas querem ouvir. Os factos são irrelevantes. por JoaoMiranda no Blasfémias

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

a milicia




A milícia entendeu que nos dias em que está para aí virada não deixa falar em público membros do governo. Amanhã pode escolher outros alvos. É só querer. Porque a milícia só faz o que quer e goza de impunidade total. E um dos melhores símbolos do nosso tempo e do jornalismo que temos é que ontem a milícia fez a sua intervenção numa conferência sobre jornalismo: os jornalistas têm tratado os milicianos com extraordinária simpatia. Pq andaram com os milicianos nas faculdades. Pq os milicianos são fotogénicos. Pq os milicianos dão sempre um som ou uma imagem. Os milicianos que são isso mesmo milicianos sabem da admiração e do respeitinho que impõem e tiram partido disso. Os milicianos são iguais em todos os tempos!

Obs. Como de costume os compagnons de route acham que a cena do ISCTE se deve ao facto de ter sido com o Relvas que se licenciou à troca mandroca. Amanhã vão achar que é por ser com o ministro Vítor Gaspar ou com Nuno Crato porque apesar de ninguém questionar os respectivos curricula são o rosto disto e daquilo. Depois também vão arranjar algumas desculpas quando os milicianos atacarem alguém que não é do governo: deve ter irritado os milicianos. Até que um dia os milicianos começam a importunar os compagnons. Aí o caso muda de figura e os milicianos aprendem em três segundos que ou recuam ou se lhes acaba a gracinha num instante. por helenafmatos no Blasfémias

domingo, 2 de dezembro de 2012

5 fotógrafos + 1 manifestante = Acção bem sucedida

Esta imagem foi tirada ontem no México mas podia ser noutro país porque dá conta de uma característica do nosso tempo:
alguém de quem a esquerda não gosta vence umas eleições. Imediatamente começam os pedidos de demissão mais ou menos violentos. por helenafmatos no Blasfémias
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 25 de novembro de 2012

Mas não ouvem mais ninguém?


 
No dia em que se celebra o 25 de Novembro o site da RTP foi ouvir Varela Gomes. Sendo Varela Gomes um dos protagonistas desse dia faz todo o sentido ouvi-lo mas seria importante chegar onde é que ele esteve, o que fez, que ordens deu… e já agora se não for muito pedir podiam ouvir outros protagonistas. Mas enfim é nisto que estamos. por helenafmatos no Blasfemias

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

a culpa é do Portas…


Merecem voltar à dimensão do táxi
Seja porque integra as “elites(?) disfuncionais” e não tenha ainda interiorizado o que é um país falido, seja pela sua natureza intrínseca que o leva a espetar sempre o ferrão, certo é que a obsessão de Portas passa por se esquivar aos “flocos de neve” da austeridade e minimizar os danos eleitorais.
Este comunicado é a parte II de toda a encenação iniciada com a conferência de imprensa de 16 de Setembro sobre a TSU. O tom é o mesmo, as eternas “razões patrióticas” que o levam a engolir sapos, se dependesse dele jamais haveria tratamentos com dor, ele valida-os porque a força está com os “maus da fita”, mas está contra, que isso fique bem claro.
Acontece que os eleitores não são propriamente uma corja de canastrões ignorantes como a “Corte” sempre os considerou desde os primórdios da revolução “liberal”. A aferir pela amostra das recentes Regionais dos Açores, eles não estarão dispostos a premiar atitudes traiçoeiras ou posturas ubíquas: o CDS foi, de longe, o partido que mais desceu e o seu parceiro de coligação pró-austeridade, o que mais subiu.
Mas o dito comunicado tem algo de positivo, mostra à saciedade a impotência de Portas e do seu partido em criar algo, em corporizar alguma mudança substantiva. Basta ler o seu ponto 3. (bold meu):
Em coerência com o esforço feito dentro do Governo, e em articulação no quadro da maioria, o Grupo Parlamentar do CDS contribuirá para melhorar aspectos do Orçamento de Estado até à conclusão do respectivo processo.
Interessa-lhes a forma e não o conteúdo. Que ninguém se iluda que daquele lado sairá alguma proposta relevante de redução da despesa que vá para além da proibição de gravatas no Verão ou da obrigatoriedade de samarras no Inverno. Portas e o CDS têm todos os vícios do regime e encaram o poder como o instrumento privilegiado para a compra de votos e consolidação de clientelas, algo incompatível com cortes de despesa. Manterão sempre um pé neste governo, mas prontos e disponíveis para integrarem o próximo.
Ainda não entenderam que o mundo mudou e o dinheiro se esgotou. Merecem voltar à dimensão do táxi. por LR  no  Blasfémias 
 
 
Paulo Portas: agarrado ao tacho
O líder do CDS-PP está a desperdiçar a confiança do seu eleitorado ao enveredar por uma aventura cujo desfecho foi antecipado por todos. E não vale a pena vir a terreiro com o paleio estafado do patrioteirismo. Muita ambição com maus conselheiros dá sempre para o torto. Até com um governo que passa a vida a desbaratar a credibilidade de algumas medidas por causa dos amigos e das clientelas. por Rui Costa Pinto  no mais actual 
 
 
Da coligação
1. Primeiro, um reconhecimento: não contava que o CDS fizesse a figura triste que está a fazer e nunca achei que por esta altura fossem divergências entre os dois partidos da coligação que estivessem à beira de lançar o país numa crise política. Sobre as minhas limitações enquanto analista, estamos conversados. Dito isto, permitam-me reafirmar que não temo a crise política, se ela tiver de vir, que venha. Mais ainda: defendi que Passos Coelho devia ter-se demitido, alegando não ter capacidade para seguir o caminho que tinha escolhido para o país, logo após a decisão do Tribunal Constitucional. O meu único receio é que à pala da conversa da crise política, entreguem o poder a um qualquer Monti sem que este tenha de vir a uma campanha eleitoral explicar-me o que pretende fazer.
2. Este texto do Henrique Raposo, secundado pela Maria João Marques, é um bom ponto de partida para discutir o ar que se respira hoje em Portugal. Entendamo-nos, não é o provocar da crise política que tornará o CDS irresponsável, mas antes o facto de não ter uma verdadeira alternativa ao que está a ser feito. Se tem, alguém que me explique qual é. Depois, escreve o Henrique, que este é um «orçamento injusto e que protege o status quo». Em parte terá razão, mas torno a interrogar: que propostas tem o CDS, ou quem quer que queira chumbar o actual orçamento, para o tornar mais justo? Que outros cortes na despesa/aumentos da receita propõe o CDS enquanto partido do Governo e que Vítor Gaspar não tem aceite? O ar está cheio de retórica e politiquice, mas de concreto, nada. Não me peçam para elogiar isso, porque por norma não elogio o vazio. Como pequena nota de rodapé, acrescente-se que o mesmo Henrique que sinaliza a irresponsabilidade das estradas que foram construídas, refere-se ao OE para 2013 como um que defende o status quo, talvez ainda não tenha reparado que a construção de estradas parou e as empresas de construção civil estão quase todas à beira da falência. Um pormenor, certamente. Mas estando numa de elogios e de status quo, permitam-me fazer o elogio do Álvaro e o desprezo da Cristas.
3. Para terminar, quer-me parecer que a história que se desenrola agora tem algumas semelhanças com a que se desenrolou entre Sócrates e Passos Coelho no período 2010-11. Só muda o facto de Passos ter passado a desempenhar o papel que coube a Sócrates e Portas o que era de Passos. Da outra vez, houve um jogo do gato e do rato para apurar quem ficava com a responsabilidade de termos recorrido à troika, quando era certo que a troika, mais cedo ou mais tarde, viria. Agora, andam num jogo do gato e do rato para saber quem fica com a responsabilidade de um «segundo resgate» - perdão de dívida incluído? - quando tal começa a assumir contornos de inevitabilidade. Um jogo que tem, para mim, muito pouco interesse. por Mr. Brown n’ Os Comediantes
 
Miguel Relvas: "Não há espaço para estados de alma"
O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, deixou nesta quinta-feira, na Assembleia da República, o que pareceu ser um recado às bancadas da maioria e ao ministro Paulo Portas, ao afirmar que não há espaço para "estados de alma" nem para "países imaginários”. por Rita Brandão Guerra no Publico

domingo, 12 de agosto de 2012

mais “jornalistas” que militantes do BE?

O utente João Vasconcelos
Talvez seja por falta de notícias em Agosto, mas os telejornais encheram-se hoje de notícias de uma carta que a denominada “comissão de utentes da A22″ quis entregar na praia da Coelha e na Manta Rota a dois portugueses em férias. Nada a dizer. Mas custaria muito um dia explicar como se constitui uma “comissão de utentes”? Quem a escolhe? Quem elege os seus dirigentes? Tem assembleias-gerais? Ou são apenas comissões ad-hoc formadas por meia dúzia de activistas, sem representatividade real? E o João Vasconcelos, o eterno porta-voz da comissão da A22 (a Via do Infante) o que é que faz além de ser o coordenador distrital do Bloco de Esquerda? Era só para ficarmos a saber o que é espontâneo e o que é encenação mediática. De passagem também nos podiam esclarecer se os manifestantes eram mesmo só sete. É que essa informação é omitida na maior parte das reportagens. por jmf1957 no Blasfémias

sábado, 30 de junho de 2012

mais Santos Pereira...

O editorial do PÚBLICO de hoje intitula-se “A inútil desventura do ministro Álvaro” e estabelece o paralelo entre as agressões a Mário Soares e a Álvaro Santos Pereira. Para o editorialista Mário Soares “Foi, como se sabe, agredido por sindicalistas e manifestantes ligados ao PCP” enquanto Álvaro Santos Pereira «experimentou os efeitos da ira popular». No fim Álvaro Santos Pereira além de ter experimentado a “ira popular” e de segundo quem assina o editorial ter ouvido um militante do PSD a elogiar Vasco Gonçalves (a ironia da frase escapa ao editorialista) ainda acaba protagonista duma desventura inútil. Em resumo os socialistas são agredidos. Os outros têm desventuras. E inúteis ainda por cima. Mas o melhor é ler:
«A inútil desventura do ministro Álvaro. Foi já há um quarto de século, mas muitos reterão ainda na memória as imagens da conturbada viagem de Mário Soares, então candidato à Presidência, à Marinha Grande. Foi, como se sabe, agredido por sindicalistas e manifestantes ligados ao PCP. Resultado: em lugar de descer nas sondagens, subiu. E tornou-se Presidente da República. Ontem, na Covilhã, o ministro da Economia, Álvaro dos Santos Pereira, experimentou os efeitos da ira popular e teve que ouvir, inclusive, da boca do autarca local (por sinal, do PSD) que, “para algumas pessoas, o único Governo que se preocupou com os trabalhadores foi, em 1975, o Governo de Vasco Gonçalves”. O ministro ainda tentou dialogar, sem êxito: foi insultado e um dos manifestantes atirou-se para cima do carro onde seguia. Isto garantiu-lhe escolta da GNR, desistindo da cerimónia. Mas foi, na verdade, uma desventura inútil: quer para os manifestantes, quer para o Governo, que não subirá nas sondagens por causa disso.»
Obs. A propósito da “ira popular” veja-se este video com Carlos Bicho que será o mais irado popular desta desventura inútil: Saltei para cima do capot para me defender» por helenafmatos no Blasfémias 
e, de entre muitos, os melhores são:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

assim se vê...

Separar águas
Um bando qualquer - do qual o "moralista social" Arménio Carlos não se demarcou - agrediu pelo menos verbalmente Álvaro Santos Pereira. Também perpetrou a ameaça física como as televisões amplamente registaram. Mas as televisões registaram do mesmo modo a coragem serena de Santos Pereira quando foi ao seu encontro e lhe responderam com insultos do mais diverso jaez. Com gente desta - e eventualmente alguma mais sofisticada que se "manifesta" de outras formas igualmente difamatórias e ameaçadoras -, num estado de direito democrático, trata-se nos tribunais. À política o que é da política, à previsão criminal o que é da previsão criminal. por João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos

Manifestante profissional
Portugal tem algumas centenas de manifestantes profissionais vulgarmente designados como sindicalistas. Alguns como é o caso de Luís Garra, o coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP, que hoje coordenou a manifestação que aguardava o ministro da Economia, é coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP desde 1979. Digamos que tem uma carreira como manifestante profissional. E assim a manifestar-se mantém-se naquele posto de trabalho há 33 anos. Naquele longínquo tempo em que Mota Pinto foi sucedido por Maria de Lurdes Pintasilgo em S. Bento e o Presidente da República era Ramalho Eanes. por helenafmatos no Blasfémias

sábado, 26 de maio de 2012

Já temos um bocadinho mais de informação

O Público já divulgou qual foi a ameaça que Relvas terá feito. Num telefonema para Leonete Botelho ameaçou divulgar na net que Maria José Oliveira teria uma relação com um político da oposição. A visada nem sequer ouviu a ameaça. A ameaça envolve uma revelação de mais uma relação estreita entre política e jornalismo, pelo que nem sequer é bem vida privada. E a informação é falsa, segundo o Público de hoje e nem sequer foi considerada ameaçadora pela direcção do Público ou pelo seu advogado. Se a direcção do Público tivesse divulgado tudo isto desde o início os níveis de indignação seriam bem mais moderados, mas não seria a mesma coisa, pois não? Ninguém se sente um poucochinho aldrabado com esta história? por Joao Miranda no Blasfemias

domingo, 13 de maio de 2012

De que é que se fazem as notícias?

Cada vez mais tenho a sensação de que o leitor necessita de ter à sua disposição uma espécie de “manual de instruções” para ler as notícias. Principalmente, os denominados “furos” ou as ”manchetes”.

Numa imprensa que faz das opções editoriais, em termos político-ideológicos, um tabu; num ambiente em que, naturalmente, se finge que se é imparcial e em que se joga a parcialidade, as sensibilidades e até mesmo os interesses próprios ou de outrém através do que se publica ou edita … mas sempre representando uma espécie de imparcialidade e independência que não existem (nem tem mal nenhum que não existam, desde que se assuma ao que se vem, directa e transparentemente!), em resumo, numa imprensa assim, começamos a compreender que o que se noticia e, principalmente, a forma como se noticia, dependem de uma agenda escondida.

É frequente insinuar-se muita coisa (nos títulos ou nas “manchetes”) que depois, lendo-se a notícia, se resume a muito pouco ou nada!Porquê uma concreta manchete ou especial destaque, porquê aquela determinada notícia - quando não há nada de relevante para se dizer ou acrescentar ao que já se conhece. Porquê esta forma de intoxicação de uma opinião pública que só lê, muitas vezes, manchetes (e mal).

Isso é muito notório (diria, mesmo, notório de uma forma básica) na imprensa desportiva. Mss na política, também, ainda que de uma forma mais sofisticada. por PMF no Blasfémias
mais

Faz um ano num jantar do Clube Português de Imprensa Francisco Pinto Balsemão afirmou que, actualmente, grande parte das notícias "são rumores perigosíssimos" "provenientes de pessoas que se acovardam".
“Actualmente as fontes jornalísticas cada vez mais não gostam de dar a cara e inventam factos", acentuou, sublinhando que os media estão cada vez mais "reféns do jornalisticamente correcto". dn

quinta-feira, 22 de março de 2012

PS condena decisão do Governo de abandonar projecto do TGV e critica Tribunal de Contas

É curiosa a argumentação de Ana Paula Vitorino: o TGV deve fazer-se porque há uns fundos comunitários para estourar nestas megalomanias, cujo objectivo é pôr os contribuintes europeus a subsidiar a Alshtom, Siemens & quejandos. Para a componente nacional, recorre-se ao endividamento junto do BEI, que sempre dará para enriquecer os construtores e consultores amigos. Também havia financiadores domésticos no grupo, mas a crise (bendita seja!) tratou de lhes secar o funding.
Mas o que verdadeiramente impressiona é que esta gente não é capaz de sair do paradigma que nos arruinou: a locomotiva do crescimento e do emprego passa pelo investimento público em mega-projectos, que se justificam pelo simples facto de a UE os subsidiar, muito embora se afirme com toda a ligeireza que eles “se sustentam a si próprios”. Por importante que seja o financiamento comunitário, existirá sempre a comparticipação nacional, esta sempre alavancada, directa ou indirectamente, por endividamento externo.
Um modelo baseado na lógica do consumo parasitário. Só podia resultar na Troika… por LR no Blasfémias

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O princípio da alavanca aplicado à política



Nenhum dos detidos na manifestação dos estudantes Valência era estudante. Estranho? Não, só para quem não tiver estudados as alavancas:
“Cuando la izquierda se sumerge en la oposición, el empuje que ejerce sobre la calle es igual al peso del poder perdido”. por helenafmatos no Blasfemias

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os números, sempre os números…

O Terreiro do Paço tem 36 mil metros quadrados (podem confirmar no Google Earth, como eu fiz). Num quadrado de um metro por um metro cabem umas três pessoas – talvez um pouco mais se for uma carruagem do metro em hora de ponto, talvez menos se pensarmos na dinâmica de uma amnifestação. Fiquemo-nos pelas três. Em média.
É pois difícil imaginar que, num Terreiro do Paço cheio de ponta a ponta coubessem muito mais de 100 mil pessoas.
Acontece que, ontem, o Terreiro do Paço não encheu. Basta atentar nestas imagens aéreas do Jornal de Notícias.
Por que foi então que a ideia de estariam lá 300 mil pessoas se espalhou acriticamente? Afinal estamos a falar de contas simples, daquelas que se aprendem no primeiro ciclo do ensino básico… por jmf1957 no Blasfemias

domingo, 29 de janeiro de 2012

a “inegável” ética da esquerda…

No último mês de Dezembro, Miguel Sousa Tavares publicou um artigo laudatório do antigo Primeiro-Ministro José Sócrates, com o título O Fantasma de Paris, que tem sido replicado em vários blogues socratistas. Raras vezes vi um artigo com tantos erros factuais. Só na primeira metade do artigo, temos isto:

(…) José Sócrates começou a governar em 2004, recebendo um país com défice de 6,2% (…).
Começou a governar em Março de 2005 e recebeu um défice de 3,4%.

(…) após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. (…)
Portugal esteve em recessão em 2003, e o crescimento do PIB vinha em queda desde 1998.

(…) Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, foram pioneiros na descoberta de truques de engenharia orçamental para encobrir a verdadeira dimensão das coisas: despesas para o ano seguinte e receitas antecipadas (…)
A antecipação de receitas foi prática corrente dos governos de Guterres – a começar pelo Pagamento Especial por Conta. A principal alínea de desorçamentação – as SCUTS – despesas atiradas para o futuro, foi também uma invenção dos governos de Guterres.

(…) Em 2008, quando terminou o seu primeiro mandato e se reapresentou a eleições, o governo de José Sócrates tinha baixado o défice para 2,8%, sendo o primeiro em muitos anos a cumprir as regras da moeda única. (…)
Em 2008 o défice foi de 3,7%. No mesmo ano, a dívida pública (mesmo sem contar com a dívida desorçamentada) estava em 71,6%, acima dos 60% das “regras da moeda única”. Desde que Cavaco Silva deixou de ser Primeiro-Ministro, Sócrates, conseguir os 3 piores défices. Sócrates teve 5 anos em 6 com défice acima de 3,5%. (aconteceu em 3 anos de Guterres).
(…) E quando se chegou às eleições, o défice nem foi tema de campanha, substituído pelo da “ameaça às liberdades” (…)
Absurdo. Basta recordar este debate:

“…não me lembro de alguém ter questionado, nesse ano de 2009, a política despesista que Sócrates adoptou a conselho de Bruxelas.”
Entre muitos, muitos outros, lembro o manifesto assinado por 28 economistas.

“Pelo contrário, quando Teixeira dos Santos (…) começou a avançar com o PEC, todo o país – partidário, autárquico, empresarial, corporativo e civil – se levantou, indignado, a protestar contra os “sacrifícios” e a suave subida de impostos.”
Muita gente protestou não contra os sacrifícios mas contra a incipiência das medidas. Por exemplo, este blog.
“Passos Coelho quase chorou, a pedir desculpa aos portugueses por viabilizar o PEC 3 que subia as taxas máximas de IRS de 45 para 46,5% (que saudades!)”

Não há motivo para saudades. A taxa máxima de IRS continua em 46,5%.

O resto do artigo é mais opinativo e menos “factual”. Mas compreende-se que partindo de tantos pressupostos errados, as opiniões não possam valer grande coisa. por jcd no Blasfemias

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ou a rua ou as urnas

Está um deputado a dizer no parlamento que a rua vai fazer cair esta maioria. Se este deputado fosse de direita era, e muito bem, tratado como um trauliteiro demagogo. Como é de esquerda isto parece que faz parte do jogo democrático. Mas o que convém é que o deputado em questão decida se quer fazer cair governos nar rua ou integrar uma democracia parlamentar. Usufruir do melhor desses dois mundos é que não pode ser. por Helena F Matos no Blasfemias

terça-feira, 20 de setembro de 2011

o culto da desinformação no “politicamente correcto”...

Tresler
Jornalisticamente falando, «perde eleições» quem está no poder. Não era o caso. Logo, a notícia correcta seria «SPD renova vitória em Berlim». Ou ainda mais factual: «Coligação de esquerda vence em Berlim mas perde maioria».
É que os factos podem ser chatos chatos, mas não há volta a dar-lhes.
1. O governo estadual de Berlim era formado pela coligação entre SPD e a extrema-esquerda do Die Lieken.
2. Os partidos da coligação perderam votos e deputados: 6 deputados o SPD e 4 o Die Liken.
3. «O Partido de Merkel» ganhou votos e deputados: +2% e + 2 deputados.
4. Os 2 partidos de esquerda que até agora governavam em maioria, perderam-na e provavelmente terão de chegar a um entendimento com o Verdes.
Aliás, é já uma tradição nacional qualquer leitor mais avisado ter de se socorrer de fontes não-portugueseas para saber verdadeiramente o que se passa na maior parte dos países. Veja-se também o caso das recentes eleições eleições na Dianamarca.
Pergunte-se a qualquer pessoa e todos dirão que os sociais-democratas ganharam as eleições naquele país. Errado.
Na verdade, foram o segundo partido mais votado. Perderam votos e um deputado. Tiveram o pior resultado eleitoral nos últimos 100 anos.
O partido do primeiro-ministro cessante subiu votos e teve mais um deputado.
Apesar disso, a líder social-democrata será primeira-ministro. Porque os partidos mais á esquerda aumentaram a sua votação e os parceiros conservadores do actual governo desceram muito. A esquerda formou uma coligação com maioria parlamentar. Normal. Já por cá ainda haveria um chiliques e desmaios de raiva se um segundo partido mais votado fosse chamado a governar em maioria. Mas é o que há….
Ainda um pormenor: os jornalistas portugueses, para além dessas omissões, ainda condimentaram as peças com referência a uma eventual penalização governamental por causa das restrititivas leis de imigração. Azar: a nova primeira-ministro e o seu partido são defensores intransigentes dessas mesmas leis e nem pensam sequer em as rever….por Gabriel Silva no Blasfémias

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pura incompetência

Porto e Vigo distam cerca de 120 km. A CP «consegue» ter um serviço de automotoras que liga as duas cidades em 3 horas, uma média de 40 km por hora. No final do século XIX, com locomotivas a vapor a viagem conseguia-se fazer por metade do tempo.
Ainda assim, todos os dias uma média de 13 passageiros paga 12,5 euros de bilhete para essa viagem.
Agora e depois de ser incapaz de proporcionar um serviço decente ligando duas regiões com 5 milhões de habitantes, a Administração da CP vai fechar o serviço por motivos de dar prejuízo: 19.600 euros por mês. Até é pouco atendendo a tudo o que a CP faz para que aquilo dê prejuízo.
Ora, sem em vez de 13 passageiros diários, a CP fizesse o mínimo esforço de ter ter 26, já seria uma linha rentável.
São números absolutamente ridículos de passageiros que tornariam uma linha rentável. A incompetência de quem administra aquilo é notória e deveriam ser imediatamente dispensados com justa causa, sem indemnização. por Gabriel Silva no Blasfemias

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Foi aqui que chegámos

A primeira versão foi assinada no dia 3 de Maio, às 13h40 minutos, pelo Governo socialista. Relativamente a este texto, o PSD e o CDS enviaram cartas à “troika” comprometendo-se a aplicar as medidas caso façam parte do novo governo saído das próximas eleições.
No entanto, o texto final do acordo, assinado entre a Republica portuguesa e a Comissão Europeia na cimeira de 17 de Maio, em Bruxelas, é diferente. Há várias alterações de prazos e de conteúdo.Por exemplo, na primeira versão as alterações ao regime de indemnizações por despedimentos teriam de estar prontas até Setembro de 2011. Na segunda versão, o prazo é encurtado dois meses, para o fim de Julho. Um prazo apertadíssimo para o novo Governo apresentar a proposta.
Outras diferenças substanciais dizem respeito ao sector da Justiça, nomeadamente ao Código do Processo Civil, e ao sector das Telecomunicações.

terça-feira, 17 de maio de 2011

as relações psd-cds

Nas relações PSD-CDS, não não podem sobrar dúvidas de que, se alguém tem razões de queixa, é o segundo partido em relação ao primeiro. Na verdade, se descontarmos a AD feita, no fim da década de 70, por Sá Carneiro e Freitas do Amaral, essa relação tem-se pautado pela permanente intenção assumida do PSD de fazer desaparecer o CDS do mapa eleitoral, como quase ia sucedendo no período cavaquista com o célebre “partido do taxi”. Depois disso, na coligação governativa de 2002, o partido de Portas, para além de ter mantido sempre um comportamento institucional exemplar, assistiu à fuga de Barroso para Bruxelas sem fazer um sinal de desagrado (embora se saiba que todo o governo foi praticamente apanhado de surpresa), e ainda se prestou a viabilizar o governo de Santana Lopes, quando podia muito bem ter provocado eleições e responsabilizado, com inteira justiça, o PSD por elas. Na eleição que ocorrerá no dia 5 de Junho, onde devia ser um imperativo nacional remover o PS do governo, os dois partidos só não surgem coligados por decisão do PSD. E, em cima disto, o CDS e o seu líder ainda têm que aturar os remoques do pessoal dirigente laranja – do pretérito, do presente e do vindouro – pelo facto do partido estar a subir nas sondagens, obrigação que é, obviamente, a de qualquer partido que se apresente a eleições, e que, infelizmente, o PSD parece não estar a conseguir. por rui a. no blasfemias

sábado, 14 de maio de 2011

só Paulo Portas percebeu?

“Passos esteve muitíssimo bem e Portas, não tendo estado mal, não deixou de ser igual a si mesmo, o que me pareceu menos do que suficiente, considerando o bom momento por que o seu partido está a passar e as expectativas que sobre ele recaem. Passos foi afirmativo, mas equilibrado (exagerou quando ordenou a Portas que o olhasse frontalmente) e apresentou-se bem preparado nos temas, enquanto Portas se manteve por questões de menor substância e foi mais genérico na forma como as abordou. Mas o facto da maioria dos comentadores dar a «vitória» do debate a Portas, significa que ele já é, inquestionavelmente, o homem destas eleições e que o seu partido está lançado para atingir um resultado histórico. Por seu inteiro mérito, diga-se em abono da verdade.” por rui a no blasfémias

“Parece que só Paulo Portas percebeu todo o alcance das palavras do Presidente da República, quando este avisou que só daria posse a um governo maioritário. Se o PS ganhar, sem maioria absoluta, o PR chamará Sócrates e perguntar-lhe-á se tem condições para formar uma maioria. Se CDS e/ou PSD recusarem coligar-se com o PS, Cavaco não convidará Sócrates a formar o executivo (e mesmo que, por absurdo, o PS conseguisse o apoio do BE e/ou do PCP, o PR nunca aceitaria um governo do qual fizessem parte forças políticas que se opõem ao programa de ajuda externa que Portugal se obrigou a cumprir).” no rua direita

embora "metendo os pés pelas mãos" com as percentagens de votação apresentadas parece que, dos candidatos, apenas Paulo Portas pecebeu a frase encriptada de Cavaco Silva sobre o "governo de maioria" em que, mesmo ganhando, nenhum partido pode ambicionar ser empossado como governo!