Em grande medida, o feito de Meloni situa-se aqui: o sistema político conseguiu finalmente colocar na chefia do governo um líder partidário escolhido por uma maioria (relativa) do povo, à frente de uma coligação de partidos.
O caso é ainda mais surpreendente se nos recordarmos como, dentro e fora de Itália, Meloni fora caricaturada ou subestimada. Inicialmente, ela era o rosto do regresso horrível do fascismo e do fim da democracia em Itália. Também no plano europeu, a histeria colectiva com a perspectiva de ter uma “extrema-direita” pura e dura na governação de um dos principais Estados-membros da União rapidamente foi substituída pela normalidade com que Meloni construiu alianças confiáveis com a Comissão e vários líderes europeus feitos na forja da “luta contra o fascismo”. Menos acefalamente, Meloni foi sempre tida como uma filha de um deus menor, excluída dos salões elegantes da política italiana, uma mulher não reconhecida por méritos intelectuais, profissionais nem políticos passados. Agora, concluirá o seu primeiro mandato e continua a ser a favorita para vencer as próximas eleições legislativas.