domingo, 3 de fevereiro de 2013

Die hard

Ao contrário do que afiançam pequenos, médios e grandes comentadores, que entraram numa verdadeira orgia de análises do problema, nunca me apercebi de qualquer diferença de substância entre o que diz e pensa António José Seguro e o que diz e pensa António Costa. Claro que António José Seguro é tosco a dizer aquelas vacuidades e é possível que os seus correlegionários achem que com uma caricatura daquelas não chegam a lado nenhum. Já António Costa tem pose. Restam as vacuidades. É certo que este exercício ortopédico forçado a que nos condenou o termos de recorrer à troika, como prémio por décadas de irresponsabilidade, roubou aos partidos, a todos, margem para os seus dirigentes «pensarem» coisas. Mas comentadores e contendores deram durante a semana que passou, perante a estupefacção do país que não pertence às hostes quezilentas do PS, um exemplo do que é viver para a mais descarada das irrelevâncias. Ninguém que não se anime naqueles ódios privados e para aqueles ódios privados percebe o que pôs o principal partido da oposição em movimento convulsivo para a auto-anulação. Eu, que, apesar das aparências, me vinha a dar à dúvida de poder existir qualquer coisa secreta que divida, de facto, o PS de António Costa do PS de Seguro, qualquer coisa, digamos, com significado para mim e para si, para nós que não estamos naquela família em guerra, qualquer coisa que talvez estivesse a escapar ao meu poder de discriminação fina, fiquei ilustrado com a notícia do Expresso, que reza assim: «O secretário-geral do PS vai dar ao seu quase-adversário a “unidade” que este lhe pediu em troca da paz no próximo Congresso. As “bases programáticas” comuns que estão a ser trabalhadas incluem uma reabilitação dos anos de governação de José Sócrates.» E pronto. O futuro é isto. por Jorge Costa n’ O Insurgente