Esta é a história verdadeira de Victor Herman que, quando criança com seus pais, emigrou em 1930 para a União Soviética,. Tornou-se um atleta importante, em 1934, deteve o recorde mundial de salto em queda livre, mas foi enviado para os campos de trabalho da Sibéria quando se recusou a renunciar ao passado americano e a identificar-se como russo
O conservadorismo de Scruton, no entanto – tão intempestivamente límpido para gostos contemporâneos tão inclinados para «yet another bundle of facetious ephemera» –, não deve ser confundido com os espantalhos reaccionários apressadamente amarrotados e amontoados pelos seus estridentes detractores. Conservar não é paralisar: é impedir a deterioração. Ninguém conserva senão aquilo em cuja perpetuação acredita. Conservar é combater a própria morte. Ninguém se dispõe a morrer senão por algo que sobreviva ao seu próprio cadáver. Conservar não é canonizar o passado: conservar é apostar no futuro.
A civilização ocidental parece caminhar em direcção à decadência, ao ocaso, ao abismo, atraída pelo chinfrim dos flautistas niilistas da sua própria etimologia: o Ocidente, confessa o étimo, é a terra onde o sol se põe. Scruton, o ocidental, já se pôs. E, com a sua deposição, também o sol, no Ocidente, se pôs mais um pouco e se pôs mais fundo. Está de facto mais escuro o céu desde 12 de Janeiro de 2020.
Mas apesar de, com a descida à terra de Scruton, ter ficado mais escuro na terra onde o sol se põe, a hora, embora triste, não pode ser de desânimo.
Porque a luminosa lição de Scruton – «why beauty matters?» – autoriza-nos a imaginar que, no momento em que escureceu na terra onde o sol se põe, o filósofo já saudoso soube respirar fundo, abrir os olhos uma última vez e dizer: «Que belo se põe o sol».
(texto de Miguel Granja in “Oficina-Da-Liberdade)
Já tinham passado mais de 18 anos
sobre a Restauração da monarquia portuguesa, após a revolta de 1 de Dezembro de
1640 que terminou com seis décadas de “domínio filipino” espanhol, juntando as
duas coroas, mas Filipe IV não esqueceu nem perdoou. Quis voltar a ser Filipe
III de Portugal.
O primeiro rei depois da
Restauração, Dom João IV (antes duque de Bragança), morrera há cerca de três
anos, o seu herdeiro, Dom Afonso VI, ainda era menor e a regência do trono português
estava entregue a uma sevilhana, a rainha viúva Dona Luisa María Francisca de Guzmán y Sandoval que irá enfrentar a violência imperialista do seu compatriota Filipe IV com estoicidade.
Quando ordenou o ataque à fortaleza
de Elvas, Filipe IV fê-lo em grande e em força. Dez mil homens de infantaria e
três mil de cavalaria espalharam-se por uma linha de cerco com 18 quilómetros.
Mais: As trincheiras deles, que faziam a ligação a uma série de fortificações,
estavam preparadas para suportar os ataques que vinham da fortaleza para fora e
do nosso contingente de socorro – era uma força com dupla protecção”, diz o
coronel Luís Albuquerque, director do Museu do Exército, em Lisboa. A isto
somou-se a habitual inferioridade numérica dos combatentes portugueses: oito
mil homens de infantaria e três mil de cavalaria. Sabe quem é Dom Sancho Manuel?
Era o comandante da sitiada praça de Elvas. E Dom António Luís de Menezes? Era o
chefe da força de socorro. São estes dois homens, quase ignorados na “grande”
História, que vão liderar o confronto com o poderoso exército espanhol numa
batalha que durou dez horas, das 9 horas da manhã até às 7 horas da tarde, e derrotá-lo.
Segredo da vitória: atacaram um ponto da linha inimiga, com cinco fortins e
outros tantos quilómetros, e furaram o cerco.
Mas, mesmo no final da batalha, o
exército português perdeu um dos seus melhores oficiais à época. André de
Albuquerque Ribafria, que comandava a força de socorro no terreno, não resistiu
a um ferimento causado por um tiro de mosquete. (por J. PLÁCIDO
JÚNIOR in “Os
segredos das 6 batalhas que salvaram Portugal”)
A
construção da barragem de Girabolhos era um dos trabalhos previstos no projecto
da obra hidráulica do Mondego, concebida na segunda metade do século XX para
regularizar um rio que era conhecido como “o basófias”. No entanto, nunca
chegou a ser instalada entre os concelhos de Gouveia, Mangualde, Nelas e Seia,
como estava desenhado, e a Ordem dos Engenheiros vem agora sublinhar a sua
importância para a gerir a bacia hidrográfica do Mondego.[.]
Em
2016, quando foi anunciado o cancelamento desta estrutura que integrava o Plano
Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), o ministro
do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, não detalhou o que tinha levado à
decisão, referindo apenas que foram tidos em conta critérios jurídicos e
financeiros. Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial do Ministério do Ambiente
acrescentou apenas que a decisão “surgiu no âmbito da revisão” do PNBEPH. No
entanto, a mesma fonte sublinhou a “aposta na continuidade fluvial sem
comprometer as metas de produção de energia a partir de fontes alternativas”. [.]
truques
para evitar que a regionalização seja de novo chumbada e para que à oligarquia
dos partidos e seus descendentes não faltem cargos nas próximas décadas
O
processo de aprovação na secretaria da mesma regionalização que o povo chumbou
em referendo em 1998 está em marcha desde Julho deste ano: nesse mês, João
Cravinho, na condição de presidente da Comissão Independente para a
Descentralização (uma comissão tão independente mas tão independente que todos
os os seus membros são favoráveis à regionalização) apresentou um relatório cujo
eixo de trabalho se pode resumir na seguinte máxima: truques para evitar que a
regionalização seja de novo chumbada e para que à oligarquia dos partidos e
seus descendentes não faltem cargos nas próximas décadas. Já de si é
escandaloso que a João Cravinho, que assinou por baixo alguns dos maiores
descalabros da nossa democracia, seja dada credibilidade para apresentar o que
quer seja além de festas de Natal. O pior é que a regionalização, ao contrário
das anteriores propostas de João Cravinho, não contribui apenas para falir o
país, a regionalização compromete o futuro do país.
Portugal,
cuja área é semelhante à de algumas das comunidades de Espanha (Andaluzia e
Castela-Leão), tem as fronteiras mais antigas da Europa e desconhece as tensões
regionais e linguísticas.
A
História de Portugal é também a desta unidade. O que ganham Portugal e os
portugueses com a atomização do país em regiões além de uma nova camada na
máquina politico-administrativa? Nada.
Aparentemente Portugal e a Catalunha
estiveram lado a lado em 1640. Mas há que ter cuidado com as aparências: nem
Portugal era um principado nem a Catalunha um estado.
“Portugal se levantou sem
dinheiro, sem armas, sem munições, sem artilharia, sem gente e sem capitães
para disporem; e elegeu para rei a um homem parvo, mau e traidor por natureza.
Veja Vossa Excelência agora como poderá ter isto um bom fim.” – escreve a seu
pai, a 12 de Fevereiro de 1641, dom Pedro de Mascarenhas, um dos nobres que se
mantém fiel a Filipe III. Dias antes, a 7 de Fevereiro de 1641, dom Pedro de
Mascarenhas fora um dos seis nobres que com as suas famílias deixaram
secretamente Portugal com destino à corte de Felipe IV. Não acreditam na
Restauração e temem o momento em que Felipe IV reconquiste o reino. Dentro de
uma caixa (ao que se diz de marmelada o que torna o caso mais apetitoso) levam
informações importantes e cartas daquela que fora vice-rainha em Portugal de
Filipe III (ou IV consoante a perspectiva), a duquesa de Mântua, por essa
altura presa em Lisboa, no convento de Xabregas.
A decisão dos conjurados do
1º de Dezembro está longe de ser consensual entre os seus, como se percebe pela
fuga de várias famílias para Espanha e pelas execuções, no Verão de 1641, de
vários acusados de conspiração contra a coroa portuguesa: entre os executados
contavam-se nobres como o duque de Caminha, o marquês de Vila Real e o conde de
Armamar.
Na versão mais ou menos
empolgada que aprendemos na escola do 1º de Dezembro de 1640 não tivemos tempo
para ouvir falar de homens como dom Pedro de Mascarenhas ou até da conspiração
de 1641 pois oficialmente o país estava com os 40 conjurados que no dia 1 de
Dezembro de 1640, depuseram a duquesa de Mântua.
A esta versão um pouco omissa
de 1640 juntou-se nos últimos tempos uma versão solidário-criativa. Estipula
ela que a Catalunha só não é independente porque em 1640 a Espanha entendeu ser
mais importante reprimir a revolta da Catalunha que a conjura que a 1 de
Dezembro desse mesmo ano estalara em Lisboa. Pasmo com a comparação pois para
lá dos argumentos que se usem a favor ou contra o direito à independência pela
Catalunha convém que os portugueses se poupem e poupem Portugal a este
infundado exercício de subalternização. Para ser solidário com a independência
da Catalunha não é necessário fazer de conta que Portugal era um principado ou
outras patetices similares.
Em 1580 Portugal era um reino
com séculos de história como estado independente. Entre 1580 e 1640 Portugal
teve como rei o rei de Espanha. Nada disto ou sequer parecido acontecia na
Catalunha, um principado integrado no reino de Aragão, cuja autonomia variara
ao longo do tempo. Não é difícil perceber que 1640 não podia ter sido ao
contrário porque Portugal e a Catalunha não estavam ao mesmo nível.
A esta diferença no momento
da revolta outras se juntam: na Catalunha estamos perante uma revolta popular,
com aspectos de violência descontrolada. Em Portugal, teve lugar uma conjura
palaciana. Os conjurados não ignoravam o que estava a acontecer em várias
localidades do país e muito particularmente o que acontecera em Évora, durante
a chamada revolta do “Manuelinho”, em que a contestação aos aumentos de
impostos ordenados por Espanha, acabara a virar-se contra os notáveis
portugueses da cidade. Estes viram as suas casas saqueadas, a cadeia assaltada
e a vida da cidade tumultuada durante meses. Não por acaso no 1º de Dezembro de
1640, a violência existe mas é muito menor que na Catalunha e simbolicamente
fulanizada na figura do português Miguel de Vasconcellos, secretário da
vice-rainha duquesa de Mântua: em Dezembro de 1640, em Portugal, não só foi
aclamado um novo rei como se neutralizou a revolta popular.
E sobretudo 1641 é
completamente diferente em Portugal e na Catalunha: Portugal vai iniciar uma
guerra real e diplomática pela sua independência. Na Catalunha foi declarada a
República que incapaz de se defender se colocou sob a protecção da França. Por outras
palavras, a Catalunha trocou a Espanha pela França, cujo rei acabou Conde de
Barcelona.
A
boda e a baptizado, não vás sem ser convidado – diz o provérbio.
A
processos independentistas até com convite deve pensar-se duas vezes antes de
ir. E no caso da Catalunha, os portugueses devem ouvir muito, falar pouco e
sobretudo não esquecer donde vêm. (in “Cuidado
com as aparências” por Helena Matos)
António José Martins Seguro, o
secretário-geral do Partido Socialista, chega à alta roda da política nacional
pela mão de António Guterres. Em 1992, António José Seguro desempenhou um
papel importante na mobilização do eleitorado da Juventude Socialista em torno
da campanha de Guterres contra Jorge Sampaio.
Seguro era visto então como um
dos ‘anjinhos’ (aos olhos do Independente de Paulo Portas) do candidato
socialista, a par de José Sócrates – que aprendeu a fazer política enquanto
Guterres liderava a bancada parlamentar do PS – ou de Edite Estrela,
reabilitada para a direcção do grupo parlamentar por Guterres, depois de
afastada por Jorge Sampaio.
Na época, a tradição dizia que os
aspirantes ao grande palco da política passavam pelo Expresso, numa rubrica
light que mostrava como viviam as figuras públicas. A vez de Seguro foi
publicada a 12 de Outubro de 1991, um ano depois de ter sido eleito
secretário-geral da JS. Tinha 29 anos. Era dirigente político e estudava.
Indicava Cavaco Silva como o membro do Governo que mais o irritava. Dizia
ter um urso de peluche. Também tinha um Opel Corsa, destruído numa
campanha eleitoral. E um desejo secreto: contracenar com Julia Roberts no
filme ‘Nove Semanas e Meia’. Erotismo…só no cinema. Na televisão tinha uma
mania: o Hino Nacional era o seu programa favorito. (por ricardo.rego@sol.pt )
mas a 23 de Maio de 1179, o Papa Alexandre III
emitiu a Bula "Manifestis Probatum", que declara independente o
Condado Portucalense e Afonso Henriques o seu soberano.
"É
curioso notar como as forças revolucionárias que antes insistiam tanto na noção
deprocesso político,
tendo chegado a celebrizar a noção deprocesso revolucionário em curso, mais tarde trocaram completamente essa noção, dinâmica por
excelência, pela noção burguesa de "Constituição", aliás interpretada
rigidamente. É como se o processo político, antes infinitamente acelerado e
desperto, tivesse parado de súbito, ainda por cima de maneira quase completa e
definitiva.” Francisco
Lucas Pires in Comércio do Porto de 18 de Junho de 1980
FranciscoLucas
Pires faleceu, aos 54 anos, faz hoje 16 anos