terça-feira, 27 de outubro de 2009

A farsa na campanha para Lisboa

Às 9h45 do dia 7, a comitiva de António Costa começou a juntar-se à frente do café A Brasileira para mais uma acção de campanha. Cerca de cinco minutos depois, chegou o candidato. E 15 minutos mais tarde apareceu Carvalho da Silva. O secretário-geral da CGTP, militante do PCP, ia à Brasileira "tomar um café com um amigo" quando viu, por acaso, António Costa a "apanhar o metro para o Colégio Militar". No momento em que se cruzaram, lembrou-se de dizer, à frente dos jornalistas e das câmaras de TV que ali estavam, também por acaso, que "é muito importante para Lisboa que António Costa vença as eleições". Saiu-lhe, foi genuíno e, mais importante, foi espontâneo.
Costa fitou pasmado com o surpreendeste apoio comunista, sublinhou a coincidência do encontro e seguiu para a sua "Lisboa de Verdade". Cinco dias depois, ganhava as eleições com 15 mil votos de simpatizantes do PCP.


Esta semana, soube-se que afinal a coincidência foi encenada. Carvalho da Silva sugeriu o "encontro casual" à campanha de Costa. Combinaram o local, a hora, o enredo e o discurso da surpresa. A farsa ou a mentira, como preferirem - resultou.
Hoje, duas semanas depois das eleições, interessa saber se isto retira legitimidade à vitória de Costa. Claro que não.
Demonstra apenas quem ele é. Gonçalo Bordalo Pinheiro - Sábado nº 286